O Banco Central Europeu (BCE) aumentou nesta quinta-feira (11) suas principais taxas de juros em 0,25 ponto percentual, promovendo a primeira alta desde 2023. A decisão reflete a preocupação da autoridade monetária com o avanço da inflação na zona do euro, impulsionada pelo aumento dos custos de energia decorrente da guerra no Oriente Médio.
Com a decisão, a taxa de depósito passou de 2% para 2,25%, a taxa de refinanciamento subiu de 2,15% para 2,40% e a taxa de empréstimo avançou de 2,40% para 2,65%, em linha com as expectativas do mercado.
A medida ocorre em um momento em que a inflação do bloco monetário formado por 21 países supera 3%, permanecendo bem acima da meta oficial, enquanto a atividade econômica segue em ritmo fraco. Esse cenário vinha dividindo economistas sobre a necessidade de uma política monetária mais restritiva.
Em comunicado, o BCE afirmou que “A guerra no Oriente Médio está gerando pressões inflacionárias, e a decisão de aumentar as taxas de juros é sólida em diversos cenários que descrevem como o choque pode evoluir e afetar as perspectivas de médio prazo para a zona do euro”.
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O BCE reiterou que continuará definindo a política monetária com base na avaliação das perspectivas para a inflação e dos riscos associados, levando em consideração os dados econômicos e financeiros que forem divulgados. A autoridade monetária também afirmou que permanece bem posicionada para lidar com a incerteza gerada pela guerra.
Há pouco, fontes do Financial Juice indicam que os dirigentes do BCE consideram pausa em julho se os preços de energia se mantiverem nos níveis atuais.
Direção da inflação na zona do euro preocupa
Além de elevar os juros, o Banco Central revisou para cima suas projeções de inflação para este ano e o próximo e reduziu as estimativas de crescimento econômico, citando os impactos do conflito sobre os mercados de commodities, a renda das famílias e a confiança de consumidores e empresas.
A instituição também passou a trabalhar com a expectativa de que a inflação só retorne à meta de 2% no segundo semestre de 2027.
Após a decisão, em coletiva de imprensa, a presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou que a trajetória da inflação preocupa e que já há sinais de que o aumento dos custos de energia está se espalhando pela economia da zona do euro.
Segundo ela, alguns indicadores do núcleo da inflação já foram pressionados pelo choque energético. Lagarde destacou ainda que as expectativas de inflação para horizontes mais curtos permanecem significativamente acima dos níveis observados antes do início da guerra no Oriente Médio.
Por outro lado, a dirigente ressaltou que a maioria das medidas de expectativas de inflação de longo prazo continua situada em torno de 2%, fator que sustenta a avaliação de que a inflação poderá ser estabilizada na meta ao longo do tempo.
BCE eleva projeções para a inflação
As novas projeções indicam inflação média de 3% em 2026, desaceleração para 2,3% em 2027 e convergência para a meta de 2% em 2028.
Já o núcleo da inflação — indicador que exclui itens mais voláteis, como energia e alimentos, para mostrar a tendência subjacente dos preços — deverá registrar média de 2,5% em 2026 e 2027, recuando para 2,2% em 2028.
A equipe técnica do BCE revisou para cima as expectativas para este ano e para o próximo, refletindo os impactos do choque energético sobre a dinâmica dos preços.
Energia deve manter pressão sobre os preços
Lagarde afirmou que a alta da energia deverá impulsionar ainda mais a inflação durante o verão europeu e mantê-la bem acima da meta até o primeiro semestre de 2027. Segundo ela, o impacto não se limita aos combustíveis e à eletricidade. O choque energético também tende a influenciar os preços de alimentos, bens industriais e serviços.
“A inflação deverá então retornar à meta no segundo semestre de 2027, sustentada pela queda dos preços da energia e por aumentos mais lentos em outros preços”, afirmou.
A presidente do BCE destacou que a guerra continua sendo uma importante fonte de incerteza para a economia europeia. Segundo ela, quanto mais tempo os preços da energia permanecerem elevados, maior será a probabilidade de surgirem efeitos indiretos e de segunda ordem, quando os aumentos iniciais de custos se disseminarem para salários, serviços e outros setores da economia.
“Portanto, monitoraremos de perto a magnitude e a persistência do aumento do preço da energia e como ele se reflete na formação de preços e salários, nas expectativas de inflação e na dinâmica econômica geral”, disse.
Economia da zona do euro perde força
O BCE também reduziu suas projeções para a atividade econômica deste ano e do próximo, refletindo um impacto mais intenso da guerra sobre os mercados de commodities, a renda real das famílias e os níveis de confiança. As estimativas apontam crescimento médio de 0,8% em 2026, 1,2% em 2027 e 1,5% em 2028.
De acordo com Lagarde, pesquisas recentes indicam desaceleração da atividade, especialmente no setor de serviços. Em contrapartida, a indústria manufatureira tem mostrado maior resistência.
A dirigente afirmou ainda que a procura por mão de obra perdeu força adicionalmente nos últimos meses e que a demanda interna deverá ser mais fraca do que a prevista nas projeções divulgadas em março. Ainda assim, o consumo das famílias deve continuar sendo o principal motor da expansão econômica.
Os indicadores salariais, segundo o BCE, seguem apontando para uma desaceleração dos custos trabalhistas ao longo de 2026.
BCE evita indicar os próximos passos
A autoridade monetária reconheceu que as perspectivas permanecem cercadas por incertezas, com riscos de alta para a inflação e de baixa para o crescimento econômico. Segundo o BCE, a intensidade desses riscos dependerá da duração do choque nos preços da energia, da magnitude dos efeitos indiretos e dos chamados efeitos de segunda ordem sobre salários e demais preços da economia.
Apesar da alta anunciada nesta quinta-feira, o BCE não sinalizou uma trajetória futura para os juros. A instituição reiterou que continuará adotando uma abordagem dependente dos dados e que o Conselho não está se comprometendo antecipadamente com qualquer caminho específico para a política monetária.
Como tem feito nos últimos anos, o Banco Central reforçou que as decisões serão tomadas a cada reunião, conforme a evolução dos indicadores econômicos. Ainda assim, os mercados financeiros projetam mais duas elevações de juros ao longo dos próximos 12 meses, sendo a próxima potencialmente em setembro.











