O bitcoin (BTC) enfrenta um dos períodos mais longos de correção desde o início do atual ciclo de alta, mas ainda pode alcançar US$ 100 mil até o fim de 2026, segundo análise da gestora de ativos digitais 21Shares.
A criptomoeda iniciou junho com queda próxima de 12% e, nesta sexta-feira (12), é negociada em torno de US$ 63,5 mil. O movimento amplia para quase sete meses o período em que o ativo acumula perdas superiores a 20% em relação ao pico recente.
De acordo com a equipe de pesquisa da gestora, a correção tem sido impulsionada por uma combinação de fatores, incluindo saídas de recursos dos fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin nos Estados Unidos, tensões no Oriente Médio e liquidações de posições compradas no mercado de derivativos.
ETFs e vendas ampliaram pressão sobre o Bitcoin
Entre os eventos que afetaram o mercado está a primeira venda de Bitcoin realizada pela Strategy desde 2022. A companhia vendeu 32 bitcoins, equivalente a cerca de US$ 2,5 milhões. Apesar de representar apenas 0,0038% de suas reservas, o movimento teve impacto sobre o sentimento dos investidores.
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Outro fator relevante foi a saída de aproximadamente US$ 4 bilhões dos ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos ao longo de 12 sessões consecutivas.
Segundo a 21Shares, o fluxo acumulado desses produtos em 2026 passou para saldo negativo de US$ 1,9 bilhão. Ainda assim, os ETFs seguem detendo cerca de 1,27 milhão de bitcoins, o equivalente a aproximadamente 6,4% da oferta total da criptomoeda.
Além disso, o mercado registrou mais de US$ 3 bilhões em liquidações de posições compradas, movimento que ocorre quando investidores alavancados são obrigados a encerrar operações após quedas de preços.
Oriente Médio e inteligência artificial disputam capital
A gestora também cita o agravamento das tensões envolvendo o Irã como um dos elementos que aumentaram a aversão ao risco nos mercados globais.
Segundo o relatório, a interrupção das negociações envolvendo o programa nuclear iraniano e a ameaça de bloqueio do Estreito de Ormuz elevaram preocupações sobre o fornecimento global de petróleo e seus impactos na inflação.
Ao mesmo tempo, parte dos recursos destinados a ativos de risco migrou para empresas ligadas à inteligência artificial.
Índices acionários como o Nasdaq Composite e o S&P 500 renovaram máximas recentes impulsionados por companhias do setor de semicondutores e infraestrutura para IA. Segundo a 21Shares, esse movimento reduziu temporariamente a demanda por ativos digitais.
Níveis técnicos serão decisivos para o bitcoin
A análise destaca que a região de US$ 60 mil representa atualmente um suporte importante para o Bitcoin. Esse nível coincide com a média móvel de 200 semanas e com o chamado preço realizado, indicador que representa o custo médio de aquisição dos investidores.
Já a faixa de US$ 78 mil é apontada como principal resistência no curto prazo. Segundo a gestora, uma recuperação consistente acima desse patamar seria um sinal de retomada da tendência de alta.
O relatório também mostra que o Bitcoin está cerca de 13% abaixo do custo médio dos investidores de curto prazo, mas permanece acima dos níveis de aquisição dos detentores de longo prazo.
Fundamentos seguem sustentando cenário positivo
Apesar da correção, a 21Shares vê sinais de resiliência no mercado. Os investidores de longo prazo seguem acumulando posições e os estoques de stablecoins — criptomoedas atreladas ao dólar — permanecem acima de US$ 320 bilhões, indicando disponibilidade de capital para futuras compras.
A gestora também observa que o volume de bitcoins enviados para corretoras permanece abaixo dos níveis registrados durante períodos anteriores de forte pressão vendedora.
Outro ponto citado é a redução da volatilidade da criptomoeda em comparação com ciclos anteriores, reflexo da maior participação institucional no mercado.
Cenário-base aponta que o bitcoin terá uma recuperação gradual
No cenário considerado mais provável pela 21Shares, o Bitcoin deve manter suporte próximo de US$ 60 mil e reconstruir gradualmente uma trajetória de alta.
A recuperação da região de US$ 78 mil poderia abrir espaço para movimentos em direção a US$ 82 mil e US$ 85 mil, antes de uma possível tentativa de alcançar US$ 100 mil.
Já o cenário negativo prevê uma ruptura abaixo de US$ 62 mil, o que poderia levar a criptomoeda para uma faixa entre US$ 50 mil e US$ 55 mil.
Mesmo com os riscos geopolíticos e a concorrência por capital com o setor de inteligência artificial, a gestora afirma que os fundamentos do ciclo permanecem preservados e que a tendência de longo prazo continua positiva para o Bitcoin.











