O dólar à vista registrou uma valorização de 1,68%, encerrando a sessão desta quinta-feira cotado a R$ 4,9511, com máxima de R$ 4,9601 pela manhã.
Esse movimento é resultado tanto da tendência global de fortalecimento da moeda americana em relação a divisas emergentes quanto do aumento da percepção de risco fiscal, coincidindo com a apresentação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2024.
A incerteza sobre a capacidade do governo de alcançar a meta de zerar o déficit primário no próximo ano adicionou pressão à cotação. Isso ocorre devido à necessidade estimada de ampliar a receita bruta em R$ 168 bilhões, conforme estimativas oficiais.
Fatores técnicos influenciam a alta
Operadores apontam que fatores técnicos também contribuíram para a valorização do dólar. A disputa pela formação da última taxa ptax de agosto e a rolagem de posições no segmento futuro no início do mês deram suporte ao movimento de alta. O contrato de dólar futuro para outubro teve um alto volume de negociações, movimentando mais de US$ 18 bilhões.
Com esse cenário, a moeda americana acumula uma alta de 1,55% na semana e 4,69% em agosto. No entanto, no acumulado do ano, a divisa ainda apresenta uma queda de 6,23%.
Desafios fiscais refletem no mercado
O mercado expressa ceticismo sobre a viabilidade de o governo atingir a meta de déficit primário zero em 2024. Esse receio está relacionado à necessidade de aumentar a receita bruta consideravelmente. Analistas apontam para a dificuldade de cortar gastos e ajustar as contas públicas. Essa desconfiança contribui para a pressão sobre a cotação do dólar.
Pares do real também apresentam perdas
Além do real, outras moedas emergentes também tiveram perdas em relação ao dólar. Com exceção do peso colombiano, os principais pares do real sofreram desvalorização. O peso mexicano teve uma queda superior a 1,80% no fim da tarde, enquanto o peso chileno registrou uma baixa mais moderada, em torno de 0,20%.
O índice DXY, que mede o comportamento do dólar em relação a seis moedas fortes, teve uma alta expressiva, superando os 103,500 pontos, devido ao enfraquecimento do euro.
Possíveis desdobramentos para investidores
O cenário atual carrega riscos para investidores. A incerteza em relação à capacidade do governo de conter o déficit e o movimento global de fortalecimento do dólar podem impactar os investimentos. Analistas recomendam cautela e monitoramento constante das notícias econômicas e políticas, para ajustar estratégias conforme a evolução do mercado.
Ministro da Fazenda apresenta perspectivas
Durante a apresentação do PLOA à tarde, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou o potencial de arrecadação do projeto de lei do Carf, que, segundo ele, é maior do que o mercado estima. O Broadcast noticiou que esse projeto poderia gerar receitas adicionais de R$ 54,7 bilhões em 2024, contribuindo para reduzir o déficit no próximo ano.
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