A inflação medida pelo Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) recuou 0,30% em junho, após alta de 0,89% em maio, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta terça-feira (16).
O resultado ficou abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, que apontava avanço de 0,54% para o período. No acumulado de 2026, o indicador sobe 3,16%. Em 12 meses, a alta é de 2,15%.
A queda do índice ocorreu principalmente por causa do recuo dos preços no atacado, enquanto os preços ao consumidor e os custos da construção continuaram avançando.
“O resultado do IGP-10 em junho foi fortemente influenciado pela queda dos preços ao produtor, especialmente de commodities relevantes como café, cana-de-açúcar e combustíveis, refletindo um cenário de acomodação nos preços internacionais e normalização de oferta. Por outro lado, houve pressões pontuais de alta em itens agrícolas como batata-inglesa e feijão, associadas a fatores sazonais de oferta”, disse Matheus Dias, economista do FGV/Ibre.
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Atacado puxa queda do IGP-10
O principal componente do IGP-10, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-10), caiu 0,71% em junho, após alta de 0,95% em maio. O IPA mede a variação dos preços no atacado e costuma antecipar movimentos inflacionários ao longo da cadeia produtiva.
Segundo analistas, o resultado foi influenciado pela acomodação dos preços de commodities e combustíveis, reduzindo pressões sobre os custos das empresas.
Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10), que acompanha a inflação das famílias, desacelerou de 0,68% para 0,56% no período.
Mão de obra acelera inflação da construção
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10) acelerou de 0,86% para 0,92%, impulsionado principalmente pelos gastos com mão de obra.
Dentro do INCC-10, os custos com mão de obra avançaram 0,80% em junho, ante alta de 0,36% em maio.
Por outro lado, os custos com materiais, equipamentos e serviços desaceleraram. O grupo passou de alta de 1,22% para avanço de 1,01%.
O movimento mostra que a pressão inflacionária na construção civil segue concentrada nos reajustes salariais.
Mercado vê alívio, mas mantém cautela
A divulgação acontece às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta superquarta (17), que deve promover o último corte nos juros brasileiros em 2026.
Para Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, o resultado reforça a percepção de desaceleração da inflação em alguns segmentos da economia, especialmente no atacado. Segundo ele, o dado melhora o ambiente para o crédito privado, mas os efeitos dependem da continuidade do ciclo de redução dos juros.
“O IGP-10 menor reforça a leitura de que a inflação começa a perder força em alguns segmentos da economia, especialmente no atacado”, afirma.
A avaliação predominante entre economistas é que o indicador contribui para um cenário mais favorável, mas não altera isoladamente a estratégia do Banco Central.
Fábio Murad, sócio e fundador da Ipê Avaliações, afirma que a deflação do IGP-10 melhora a percepção sobre a curva de juros, mas a renda fixa continua atrativa com a Selic em 14,50% ao ano.











