O mercado de venture capital (capital de risco) no Brasil iniciou 2026 com um volume menor de aportes e uma mudança no perfil das exigências dos investidores. Segundo o relatório Venture Pulse, da KPMG, as startups brasileiras captaram US$ 428,6 milhões no primeiro trimestre, queda anual de 36%.
De acordo com o levantamento, o capital está retornando ao ecossistema brasileiro sob uma “lente mais disciplinada”. Os investidores deixaram de priorizar o chamado “crescimento a qualquer custo” — modelo que foca na expansão acelerada sem considerar o lucro imediato — para exigir negócios com fundamentos sólidos.
“O capital está retornando gradualmente, porém com uma perspectiva mais disciplinada, priorizando crescimento sustentável, economia de escala robusta e governança em vez da mentalidade de ‘crescimento a qualquer custo’ que definiu os ciclos anteriores”, segundo Caroline de Oliveira, líder global de Emerging Giants da KPMG Internacional.
Os aportes agora priorizam empresas que apresentem governança e boas unidades econômicas (indicadores que mostram se a empresa ganha ou perde dinheiro com cada cliente ou produto individualmente).
Nunca foi tão fácil ficar atualizado sobre finanças, economia e investimentos. Assine gratuitamente
Incerteza eleitoral e cautela no mercado de venture capital
A redução no volume de investimentos é atribuída, em parte, ao fato de 2026 ser um ano eleitoral no Brasil. Esse cenário gera incertezas sobre o cenário econômico e possíveis mudanças em taxas tributárias, o que leva investidores a adotarem uma postura mais cautelosa.
Essa retração local contrasta com o cenário global, que atingiu o recorde de US$ 330,9 bilhões investidos no mesmo período. No entanto, o volume mundial foi inflado por rodadas multibilionárias de gigantes da Inteligência Artificial (IA) nos Estados Unidos.
IA impulsiona investimentos em estágio inicial
Apesar da seletividade do mercado, o setor de Inteligência Artificial (IA) começa a ganhar força no Brasil. O interesse tem sido liderado por investidores em estágio seed (semente) — que estão validando o produto e modelo de negócio — e investidores-anjo, incluindo empreendedores que já tiveram sucesso em outros negócios.
Para este segundo trimestre, o relatório projeta um cenário de cautela global. Conflitos no Oriente Médio e a alta nos preços de energia e combustíveis podem impactar o apetite dos investidores.
No Brasil, a expectativa é que o ritmo de investimentos permaneça contido devido às incertezas políticas, embora o avanço das startups de IA deva continuar criando novas oportunidades para os próximos meses.











