O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual (p.p.), para 14,25% ao ano, chegando à terceira reunião consecutiva de queda. A decisão unânime foi anunciada na noite desta “superquarta” (17).
Segundo o relatório, o Banco Central (BC) entende que a manutenção da taxa de juros em níveis elevados por um período prolongado já começou a produzir os efeitos esperados sobre a economia, reduzindo o ritmo de crescimento da atividade e abrindo espaço para uma redução. Ou seja, os juros continuam em um patamar suficiente para conter a inflação.
No entanto, foi ressaltado que o cenário ainda exige cautela. As incertezas relacionadas aos conflitos no Oriente Médio aumentaram a volatilidade dos mercados e vêm pressionando os preços de commodities, especialmente o petróleo, com impacto sobre a inflação global.
Já em relação ao Brasil, a autoridade observou que a economia voltou a ganhar força, impulsionada pelo consumo e por setores mais sensíveis ao crédito, enquanto o mercado de trabalho segue aquecido. Ao mesmo tempo, a inflação acelerou nos últimos meses e continua acima da meta.
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De acordo com o boletim Focus, a projeção para a inflação é de 5,30% em 2026 e de 4,10% em 2027, ambas acima do centro da meta perseguida pelo BC — de 3% ao ano. Já a estimativa do Copom para a inflação no quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, é de 3,7%.
Analistas enxergam possível pausa nos cortes da Selic
Para Rafael Cardoso, economista-chefe do Daycoval, a redução de 0,25 p.p. já era esperada, com o Banco Central (BC) mantendo as portas abertas para a próxima reunião, na qual terá tempo para reavaliar o cenário inflacionário, que ficou mais desafiador desde o último encontro.
“A situação ficou um pouco mais complicada do ponto de vista da inflação, com expectativas mais pressionadas e um cenário internacional ainda adverso”, afirmou.
Já Bruno Perri, sócio-fundador da Forum Investimentos, vê outro corte de juros na próxima reunião, antes de a autoridade interromper o ciclo de redução da Selic, fator que está condicionado à evolução de dados econômicos.











