As negociações entre os Estados Unidos e o Irã, previstas para esta sexta-feira (19), foram adiadas após a intensificação dos confrontos entre Israel e o Hezbollah no sul do Líbano, aumentando as incertezas sobre a implementação do acordo provisório firmado para encerrar o conflito no Oriente Médio.
Segundo três autoridades envolvidas nas tratativas, representantes iranianos cancelaram a viagem à Suíça, onde ocorreria a nova rodada de conversas. O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance também suspendeu sua participação.
De acordo com fontes ouvidas sob condição de anonimato, Teerã condicionou a retomada das negociações ao fim dos combates no Líbano.
Escalada militar pressiona acordo diplomático
Durante a madrugada, as Forças Armadas de Israel realizaram ataques contra alvos no sul e no leste do Líbano, que mataram ao menos 21 pessoas, de acordo com o Ministério da Saúde. O Hezbollah informou que houve confrontos intensos na região.
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Israel informou a morte de quatro soldados, incluindo um tenente-coronel, em ataques próximos à cidade de Nabatiyeh, no sul do país. Segundo o exército, a ofensiva foi intensificada após um tanque ser atingido e um ataque com drone explosivo deixar outros cinco militares feridos.
Em comunicado, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país continuará respondendo às ações do Hezbollah. O grupo libanês, por sua vez, reconheceu ter atacado tanques israelenses e alegou que as ações foram uma resposta a supostas violações do cessar-fogo por parte de Israel.
Programa nuclear iraniano é tema central das negociações
A nova rodada de conversas entre Washington e Teerã tinha como objetivo discutir limitações ao programa nuclear iraniano, considerado o principal ponto de divergência que levou ao conflito envolvendo Israel e EUA em fevereiro.
As negociações também buscavam estabelecer mecanismos para transformar o acordo provisório em uma solução permanente para a crise regional.
Embora Israel e Hezbollah não tenham assinado diretamente o entendimento, o texto prevê a interrupção das hostilidades entre as partes.
O Irã, principal aliado regional do Hezbollah, sinalizou disposição para defender seus interesses no Líbano, aumentando os riscos de uma nova escalada militar.
Estreito de Ormuz volta ao centro das atenções
O acordo provisório havia permitido a reabertura do Estreito de Ormuz à navegação internacional. Nos últimos meses, ameaças e ataques atribuídos ao Irã provocaram interrupções no tráfego marítimo da região, elevando preocupações sobre a oferta global de petróleo.
Nesta sexta-feira (19), uma autoridade iraniana responsável pela supervisão do estreito publicou novas orientações, exigindo que embarcações realizem registro prévio para utilizar a rota.
Embora a navegação permaneça liberada, a medida foi interpretada como um sinal de que Teerã poderá voltar a impor restrições ou tarifas no futuro.











