Será possível remover nanoplásticos da água de casa só com luz ultravioleta? Uma equipe do CONICET, na Argentina, testa essa ideia em laboratório, unindo fotólise UVC e materiais reciclados para reforçar os filtros domésticos que já existem nas residências.
Por que os nanoplásticos preocupam tanto na água potável?
Nos últimos anos, a presença de microplásticos e nanoplásticos na água potável virou motivo de atenção em vários países. Essas partículas conseguem entrar no organismo e se acumular em tecidos, o que levanta dúvidas sobre efeitos a longo prazo.
Para tentar resolver isso, um time do CONICET trabalha no Instituto de Investigaciones en Ciencia y Tecnología de Materiales, conhecido como INTEMA, em Mar del Plata, na Argentina. A pesquisa é liderada pela cientista Carla di Luca.

Como o dispositivo do INTEMA pretende remover nanoplásticos?
O dispositivo pensado pela equipe funciona como um complemento aos filtros de água já usados em casa. A ideia não é substituir o purificador, mas tratar o que ele deixa passar, principalmente as partículas menores.
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O sistema combina duas etapas de tratamento, uma de preparação das partículas e outra de captura. Cada fase usa um princípio diferente, descrito a seguir.
Os pontos principais são:
Quais são os limites dos purificadores atuais?
A maioria dos purificadores vendidos hoje foi pensada para remover sedimentos, bactérias, cloro e outros compostos, não nanoplásticos. Eles costumam usar carvão ativado, às vezes combinado com metais como prata e cobre.
Esses filtros retêm parte das partículas maiores, mas a separação é física, ligada ao tamanho do poro. Partículas menores que 1 micrômetro, os nanoplásticos, atravessam esse tipo de barreira sem dificuldade.
Entre as tecnologias já usadas estão:
- Carvão ativado (GAC): retém partículas pelo tamanho do poro, mas não as mais finas.
- Membranas de ultrafiltração e osmose reversa: removem grande parte dos nanoplásticos, mas consomem muita energia, água e, no caso da osmose reversa, também minerais essenciais.
- Oxidação total: degrada partículas em escala de laboratório, porém com alto gasto de energia e reagentes.
Diante dessas limitações, o projeto do INTEMA tenta unir baixo custo, menor gasto de energia e mais eficiência contra os nanoplásticos, ainda dentro de testes controlados em laboratório.

Como o novo sistema se compara às tecnologias atuais?
Comparar os métodos ajuda a entender o espaço que esse dispositivo tenta ocupar. Cada tecnologia tem vantagens e limites diferentes na hora de remover nanoplásticos da água doméstica.
A tabela reúne características citadas pela pesquisa, sempre lembrando que o projeto do INTEMA segue em fase de validação em laboratório.
A comparação fica assim:
| Tecnologia | Característica principal | Situação |
|---|---|---|
| Carvão ativado (GAC) Filtro físico convencional | Retém partículas maiores que o tamanho do poro | Eficácia parcial |
| Membranas (UF e osmose reversa) Tecnologia de membrana | Alta remoção, mas com alto consumo de água e energia | Custo elevado |
| Oxidação total Processo químico | Boa eficácia em laboratório, gasto energético alto | Pouco viável em casa |
| Dispositivo do INTEMA Fotólise UVC e adsorção | Combina ativação e captura com resíduos reaproveitados | Em fase de testes |
O que vem a seguir para o projeto premiado?
O trabalho de Carla di Luca foi reconhecido com a Distinção Franco-Argentina em Inovação 2025, na categoria sênior. Por enquanto, os testes seguem em escala de laboratório, avaliando a eficiência do sistema em condições parecidas com a água de rede.
O próximo passo é construir um protótipo para testar o sistema fora do laboratório. Enquanto isso, as informações divulgadas pela equipe têm caráter informativo sobre uma pesquisa que ainda está em andamento.











