O faturamento médio real das pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras recuou 8,4% em maio na comparação anual, segundo o Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs). O indicador mede a atividade de empresas com faturamento anual de até R$ 50 milhões.
O resultado interrompe a sequência recente de melhora do índice e mostra retração disseminada entre setores da economia. O IODE-PMEs acompanha cerca de 750 atividades distribuídas entre comércio, indústria, serviços e infraestrutura.
Confiança do consumidor e inflação pressionam PMEs
A queda das PMEs ocorre em um cenário de piora da confiança do consumidor. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), voltou ao campo negativo em maio após dois meses de alta.
Segundo o economista da Omie, Felipe Beraldi, o desempenho está relacionado ao avanço da inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,58% em maio, com impacto relevante de energia elétrica e alimentos.
Nunca foi tão fácil ficar atualizado sobre finanças, economia e investimentos. Assine gratuitamente
O IPCA é o indicador oficial da inflação no Brasil. Quando ele supera o teto da meta, o Banco Central tende a manter juros mais altos por mais tempo, o que afeta crédito e consumo.
Juros e Selic influenciam expectativas do mercado
O cenário de política monetária também contribui para o desempenho das PMEs. O mercado ainda projeta um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic na reunião de 17 de junho.
A Selic é a taxa básica de juros da economia. Ela influencia o custo do crédito para empresas e famílias. Projeções do boletim Focus indicam taxa de 13,75% ao final de 2026, o que mantém o ambiente de juros elevados.
Esse contexto tende a afetar as expectativas de consumo e investimento, com impacto direto na atividade das pequenas e médias empresas.
Serviços, indústria e comércio registram queda
No setor de serviços, que vinha apresentando desempenho mais positivo, houve recuo de 8,6% em maio na comparação anual. Os segmentos de saúde, serviços administrativos e tecnologia da informação tiveram desempenho mais resiliente dentro do setor.
Na indústria, a queda foi de 8,8%, com retração disseminada entre 23 subsetores monitorados. Apenas 7 registraram crescimento no período, enquanto o acumulado do ano ainda segue positivo em 4,8%.
O comércio também voltou a cair após dois meses de alta, com retração de 8,8%. O recuo atingiu atacado e varejo, com destaque negativo mais forte no varejo.
Já o setor de infraestrutura registrou queda de 13,5%, pressionado pelo custo do crédito e pela redução de investimentos em construção e serviços ligados ao setor.











