A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) reforçou a avaliação de que a taxa Selic deve permanecer em nível restritivo por mais tempo, apesar da redução de 0,25 ponto percentual anunciada na semana passada, para 14,25% ao ano.
Para analistas, o documento trouxe mais detalhes sobre os motivos do corte, mas não ofereceu uma indicação clara sobre os próximos passos da política monetária.
Na ata, o Banco Central afirmou que as expectativas de inflação seguem acima da meta em todos os horizontes analisados e que houve uma nova deterioração para prazos mais longos, especialmente para 2028.
O documento também destaca que, em um ambiente de expectativas desancoradas — quando mercado e agentes econômicos passam a projetar inflação persistentemente acima da meta —, os juros precisam permanecer elevados por mais tempo para conter a alta dos preços.
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Segundo o economista do ASA, Leonardo Costa, o diagnóstico mais duro reforça o cenário da instituição de uma Selic estável em 14,25% no resto de 2026. “Contudo, [a ata do Copom] aumentou o risco de corte adicional de 25bps na reunião de agosto (caso haja melhora no cenário)”, disse Costa.
Ata do Copom reforça preocupação com inflação
O Copom também reconheceu que o balanço de riscos para a inflação passou a apresentar “assimetria altista”, indicando que os riscos de a inflação superar as projeções são maiores do que os de ficar abaixo do esperado.
Entre os fatores citados estão a resiliência da inflação de serviços, expectativas desancoradas, estímulos à demanda e possíveis impactos do cenário externo sobre o câmbio e os preços.
Outro ponto reforçado pela ata foi a necessidade de coordenação entre as políticas monetária e fiscal. O Banco Central voltou a afirmar que dúvidas sobre a trajetória da dívida pública, expansão do crédito direcionado e menor disciplina fiscal podem elevar a taxa de juros estrutural da economia, reduzindo a eficácia da política monetária no controle da inflação.
Além disso, o colegiado reiterou que a magnitude do atual ciclo de redução da Selic dependerá da evolução do cenário econômico, em um ambiente de incerteza elevada e riscos predominantemente voltados para a inflação.
Mercado vê ciclo de cortes mais dependente dos dados
Para Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, a principal mensagem da ata não está na redução dos juros, mas no diagnóstico apresentado pelo Banco Central.
Segundo ela, o documento mostra que a autoridade monetária continua preocupada com a inflação, as expectativas e os riscos fiscais, indicando que o início do ciclo de queda da Selic não representa uma redução dessas preocupações.
André Caruso, CEO da Pilar Capital, afirma que o documento mantém aberta a possibilidade de novos cortes, mas deixa claro que eles dependerão da evolução da inflação, das expectativas, do petróleo e do cenário fiscal.
Em sua avaliação, a consequência é um ambiente de juros elevados por mais tempo, o que mantém o crédito mais caro e limita a recuperação do consumo e dos investimentos.











