A combinação de avanços diplomáticos entre Estados Unidos e Irã e a redução dos riscos de interrupção no fluxo global de petróleo voltou a impulsionar o apetite por risco nos mercados nesta quarta-feira (24). A percepção de que o entendimento costurado na Suíça permanece vivo derrubou novamente as cotações da commodity, enquanto investidores passaram a enxergar uma probabilidade menor de escalada militar no Oriente Médio. O Brent, referência para o mercado internacional, recuava 1,7% no início da manhã, negociado a US$ 75,79 o barril, no menor nível desde 27 de fevereiro, véspera dos ataques americanos ao Irã.
O movimento foi reforçado por sinais de normalização no Estreito de Ormuz. Segundo a Organização Marítima Internacional (IMO), embarcações retidas na região começarão a retomar suas rotas após a obtenção de garantias de segurança. Paralelamente, os Estados Unidos flexibilizaram restrições relacionadas ao petróleo iraniano, grupos técnicos seguem trabalhando nos detalhes do entendimento firmado entre Washington e Teerã, e Omã e Irã iniciaram discussões sobre a futura administração da passagem marítima por onde circula uma parcela significativa da produção mundial de petróleo.
O cenário também foi favorecido pela perspectiva de continuidade das negociações. O Ministério das Relações Exteriores do Paquistão informou que as conversas técnicas entre Estados Unidos e Irã devem ser retomadas na próxima semana, destacando que a atual pausa representa apenas uma interrupção temporária do processo. Apesar do avanço, temas considerados centrais como o futuro do programa nuclear iraniano e dos estoques de urânio enriquecido do país, permanecerão em negociação pelos próximos 60 dias.
Em paralelo, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, iniciou uma agenda diplomática nos Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein para discutir os próximos passos das tratativas, enquanto o Catar confirmou que Teerã também deverá abrir uma nova frente de diálogo com os países do Golfo sobre segurança regional.
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A busca por uma solução diplomática ganhou ainda mais força após um movimento histórico em Washington. O Senado dos Estados Unidos aprovou uma resolução determinando que o presidente Donald Trump suspenda as ações militares contra o Irã, acompanhando decisão semelhante já tomada pela Câmara dos Deputados. Foi a primeira vez desde a promulgação da Lei dos Poderes de Guerra, em 1973, que as duas casas do Congresso aprovaram conjuntamente uma medida orientando um presidente americano a retirar as Forças Armadas de um conflito.
Embora tenha caráter majoritariamente simbólico, a votação representa um revés político para Trump em meio ao crescente desgaste do conflito. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na terça-feira mostrou que apenas um em cada quatro americanos considera que a guerra contra o Irã valeu a pena, enquanto a maioria teme que uma eventual trégua não seja duradoura.
No Brasil, o foco recai sobre o caso Digimais, com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) iniciando estudos para avaliar se um eventual resgate da instituição teria custo inferior ao de uma liquidação, em uma análise que ganhou urgência após a operação da Polícia Federal ontem que determinou a busca e apreensão de até R$ 670 milhões ligados ao controlador do banco, o bispo Edir Macedo.
A discussão ocorre também na esteira do rebaixamento das notas de crédito do Digimais pela Fitch, que retirou os ratings da instituição citando risco de inadimplência, e em meio às incertezas sobre a venda do banco ao BTG Pactual, que poderá desistir da operação caso as condições previstas no acordo assinado em abril não sejam cumpridas.
A avaliação do FGC ocorre sob as novas regras aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em janeiro, que ampliaram os instrumentos disponíveis para lidar com instituições financeiras em dificuldades e passaram a permitir a participação do fundo em operações de mudança de controle para evitar a quebra de bancos considerados viáveis. A lógica é financeira: um suporte temporário pode custar menos do que o desembolso necessário para honrar os depósitos garantidos em caso de liquidação da instituição.
Os números ajudam a explicar a preocupação: ao fim de 2025, o Digimais possuía R$ 9,2 bilhões em depósitos a prazo, dos quais R$ 8,6 bilhões estavam concentrados em CDBs distribuídos por plataformas como XP, BTG, Nubank, Inter, Ágora e Itaú Corretora. Embora tenha registrado lucro de R$ 31 milhões no ano, o banco apresentava retorno sobre patrimônio de apenas 4,2% e índice de inadimplência superior a 12%.
Além disso, um aporte de R$ 250 milhões realizado por Edir Macedo só recebeu autorização do Banco Central em março deste ano. A instituição também mantém cerca de R$ 570 milhões investidos em fundos voltados ao financiamento de projetos imobiliários em São Paulo e no Rio de Janeiro, por meio de participações em sociedades de propósito específico (SPEs), ativos que agora passam a ser observados com ainda mais atenção pelo mercado.
Manchetes desta manhã
- Classes D e E encolhem e já são menos de 20% da população do Brasil (Valor)
- Empresa chinesa de energia renovável se prepara para IPO de US$ 3,6 bilhões (Folha)
- CNJ cobra mais informações de Tribunais sobre R$ 30 bi em depósitos judiciais sob gestão do BRB (Estadão)
- MEI poderá parcelar dívidas em até 12 anos: governo prepara programa (O Globo)
- Brasil terá primeira aduana na Ásia com instalação de adido da Receita em Pequim (O Globo)
Mercado global
A maioria das bolsas da Europa recua nesta quarta-feira, pressionada pelo setor de defesa após notícia da revista Der Spiegel e do jornal britânico Financial Times de que a Alemanha está abandonando o plano de construir um novo modelo de navio de guerra.
A notícia derruba as ações da Rheinmetall, que recuavam cerca de 15% mais cedo, enquanto a TKMS saltava mais de 9% diante da expectativa de assumir uma alternativa ao programa naval.
Na Ásia, os fecharam sem direção única após 2º dia de liquidação tech em Nova York. A alta de mais de 9% da Samsung Electronics impulsionou a recuperação da Coreia do Sul, enquanto o índice Nikkei, de Tóquio, recuou 0,88% após sinais de que membros do Banco Central (BoJ) seguem favoráveis a novas altas de juros.
Em Nova York, os índices futuros operam mistos, com Nasdaq e S&P 500 recuperando parte das perdas da véspera, enquanto investidores aguardam o balanço da fabricante de chips Micron Technology após a forte queda das ações de tecnologia.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,17%
- FTSE 100: +0,11%
- CAC 40: +0,24%
- Nikkei 225: -0,88%
- Shanghai SE Comp: +0,11%
- Hang Seng: +0,33%
- Ouro (jun): -2,81%, a US$ 4.032,82 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,32%, aos 101,70 pontos
- Bitcoin: +0,92% a US$ 62.819,9
Commodities – preços do petróleo voltam ao nível pré-conflito
- Petróleo: os preços seguem em queda, refletindo o alívio dos investidores com a diminuição dos riscos de interrupção na oferta global. O movimento ganhou força após a sinalização da Organização Marítima Internacional (IMO) de que mais de 11 mil embarcações retidas no Golfo Pérsico poderão voltar a cruzar o estratégico Estreito de Ormuz após garantias de segurança.
Nesse cenário, o Brent/agosto recua 1,7%, a US$ 75,79 o barril, enquanto o WTI cai na mesma proporção, para US$ 71,98. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,74% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 109,24 a tonelada.
Após atingir mínimas de vários meses na véspera, o minério de ferro voltou a subir nesta quarta-feira, impulsionado por compras na baixa e recomposição de posições por investidores. O movimento ganhou força com a demanda ainda firme na China, levando siderúrgicas a aproveitar os preços mais baixos e elevando em 87% o volume de negociações de cargas marítimas, segundo a Mysteel.
Cenário internacional
Nos EUA, o foco estará sobre os dados de vendas de moradias novas de maio e os estoques semanais de petróleo, acompanhados com atenção após o tombo recente das cotações da commodity. Mais tarde, o Federal Reserve divulga os resultados dos testes de estresse dos maiores bancos americanos, um importante termômetro para a saúde do sistema financeiro do país.
No cenário internacional, o Oriente Médio permanece no radar. Omã anunciou a criação de um corredor marítimo temporário no Estreito de Ormuz, em coordenação com a Organização Marítima Internacional (IMO), numa tentativa de garantir a livre circulação de navios em uma das rotas mais estratégicas para o comércio global de petróleo.
Ao mesmo tempo, a China se movimenta para ampliar sua influência no Irã no pós-guerra, oferecendo apoio econômico e diplomático para a reconstrução do país em troca de maior acesso ao petróleo iraniano.
Na Europa, os investidores acompanham a divulgação do índice IFO de confiança das empresas da Alemanha, além de discursos de dirigentes do Banco da Inglaterra (BoE) e do Banco Central Europeu (BCE), em busca de pistas sobre os próximos passos da política monetária no continente.
Cenário nacional
No Brasil, o mercado segue repercutindo a ata do Copom e acompanhando os avanços das negociações entre Estados Unidos e Irã, que continuam influenciando os preços do petróleo e os ativos globais. A agenda doméstica traz a divulgação da confiança do consumidor da FGV, os dados da Rais apresentados pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e o fluxo cambial semanal do Banco Central.
Em Brasília, o noticiário político ganha relevância após crescer entre integrantes da base governista a avaliação de que o senador Jaques Wagner deveria deixar a liderança do governo no Senado depois de ter sido alvo de busca e apreensão da Polícia Federal no âmbito da investigação envolvendo o Banco Master. A expectativa é de uma conversa entre Wagner e o presidente Lula ainda nesta quarta-feira.
No campo econômico, aumentam os sinais de preocupação com o comércio exterior. A possibilidade de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros já começa a afetar as expectativas da indústria. Segundo a CNI, o indicador de exportações recuou para abaixo dos 50 pontos, passando a indicar expectativa de queda das vendas externas nos próximos seis meses, reflexo da importância do mercado americano para a indústria nacional.
Destaques do mercado corporativo
- Bradesco: aprovou a distribuição de R$ 3,5 bilhões em juros sobre capital próprio (JCP), com pagamento previsto para 29 de julho.
- Allos: esclareceu que a expectativa de receita de R$ 700 milhões citada em reportagens corresponde ao valor bruto consolidado dos projetos imobiliários e não representa nova projeção da companhia. A manifestação foi enviada à CVM, que questionou informações publicadas sobre projetos imobiliários multiuso desenvolvidos pela empresa no entorno de seus shoppings.
- Cyrela: fundos sob gestão da SPX atingiram participação de 5% das ações preferenciais da companhia.
- Copel: a Aneel aprovou revisão tarifária da Copel Distribuição, com alta média de 20,51% para os
consumidores. - Azevedo & Travassos: acertou a aquisição da Engie Soluções de Iluminação Pública (Esip), que detém concessões de iluminação pública em Uberlândia, Petrolina e Curitiba. A operação está sujeita às aprovações necessárias.
- IRB RE: a Justiça do Reino Unido aprovou a transferência do portfólio em run-off da sucursal de Londres para a Community Re.
- Fictor: o plano de recuperação judicial prevê desconto de até 95% para credores quirografários caso a companhia não obtenha financiamento DIP de até R$ 150 milhões em até 18 meses.











