Com mais de uma unidade por pessoa no Brasil, o cartão de crédito demorou a se popularizar e não era aceito nem pelos comerciantes no início da década de 1960. Em alguns casos, executivos chegavam a encher carrinhos de supermercado, mas só concluíam a compra se o local aceitasse cartão. Diante da negativa, abandonavam os produtos no caixa para chamar a atenção dos lojistas. A história é contada no livro Over Limit – Histórias do Cartão e do Crédito no Brasil.
Escrito pelo jornalista William Salasar, o lançamento da Editora Canteiros resgata episódios da evolução dos meios de pagamento no país. O livro mostra que o primeiro cartão chegou ao Brasil em 1956, com o Diners Club, trazido pelo empresário tcheco Hans Taubner.
Na época, o acesso era restrito a clientes indicados por outros associados e, ao contrário dos cartões atuais, não havia parcelamento nem financiamento: a fatura precisava ser quitada integralmente todos os meses.

Virada de página e adoção do cartão de crédito
A mudança começou em 1968, com o lançamento do Cartão Bradesco Elo, distribuído pela rede de agências do banco. Dois anos depois, o Citycard introduziu um modelo que permitia pagar apenas parte da fatura e financiar o restante. Esse sistema deu origem ao crédito rotativo, modalidade em que o saldo não pago é financiado para o mês seguinte.
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O livro também conta como a aceitação dos cartões foi construída na prática. Sem que muitos comerciantes soubessem como o sistema funcionava, executivos visitavam supermercados e restaurantes para perguntar se a Credicard era aceita.
Quando a resposta era negativa, deixavam seus cartões de visita para que os estabelecimentos fossem procurados posteriormente. A obra percorre essa trajetória até chegar ao cenário atual, marcado por Pix, carteiras digitais, open finance e inteligência artificial nos serviços financeiros.











