O mercado de trabalho concentra as atenções no último pregão do semestre no Brasil e nos Estados Unidos. No cenário doméstico, a queda anual de 52% na abertura de vagas formais, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), levou à queda dos juros futuros.
O Ministério do Trabalho informou no início da tarde desta terça-feira (30) que o Brasil criou 72.960 empregos formais em maio. O saldo veio mais fraco do que o esperado pelo mercado e inferior na comparação mensal (79.526) e anual (153.108). No acumulado de 2026, foram abertas 767,3 mil vagas com carteira assinada.
A leitura de um mercado de trabalho menos aquecido reforçou a avaliação de parte dos investidores de que o Comitê de Política Monetária (Copom) pode ter mais espaço para seguir reduzindo os juros nos próximos meses.
Para Andressa Durão, economista do ASA, o resultado reforça sinais de desaceleração gradual do mercado de trabalho brasileiro.
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“O resultado novamente fraco e muito abaixo do esperado pelo mercado se soma à surpresa negativa de abril, que já adicionava riscos baixistas, e à Pnad divulgada na semana passada, ilustrando um cenário de deterioração adicional do mercado de trabalho, conforme esperávamos para este ano, de forma lenta e progressiva”, afirmou.
Serviços lideram criação de vagas, segundo Caged
Entre os setores da economia, o segmento de serviços respondeu pela maior geração de empregos formais em maio, com saldo de 45.655 vagas. Também registraram resultados positivos a construção civil (12.096), agropecuária (10.205), indústria (4.974) e comércio, que teve saldo praticamente estável, com abertura de 40 postos.
São Paulo liderou a geração de empregos entre os estados, com 18.224 novas vagas, seguido por Espírito Santo (9.532) e Rio de Janeiro (9.195).
O salário médio real de admissão foi de R$ 2.384,10 em maio, queda de 0,75% em relação ao mês anterior, mas alta de 1,5% na comparação com o mesmo período de 2025.
Dados dos EUA reforçam cenário de juros elevados
Por outro lado, nos Estados Unidos, o relatório Jolts reforçou a percepção de resiliência da economia americana e sustentou as apostas de juros elevados nos EUA, após registrar 7,594 milhões de vagas de trabalho em maio, acima da expectativa do mercado, de 6,975 milhões.
O indicador mede a quantidade de postos de trabalho disponíveis na economia americana e é acompanhado de perto pelo Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, por fornecer sinais sobre o aquecimento do mercado de trabalho.
O resultado sustentou a percepção de que a economia americana continua resiliente, o que pode levar o Fed a manter uma política monetária mais restritiva por mais tempo. A presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, afirmou que a combinação de mercado de trabalho forte e inflação elevada pode justificar uma alta dos juros caso o consumo permaneça aquecido.
Segundo Jucelia Lisboa, economista e sócia da Siegen Consultoria, os números reforçam esse cenário.
“Números robustos indicam uma economia ainda aquecida. Esse cenário tende a reforçar a percepção de que o Federal Reserve poderá manter os juros elevados por mais tempo, como forma de conter as pressões inflacionárias. Em meio a esse contexto, o dólar operou em leve alta, refletindo tanto a cautela dos investidores em relação às negociações geopolíticas no Oriente Médio quanto a expectativa em torno dos indicadores econômicos americanos”, afirmou ao Broadcast.
Apesar da perspectiva de juros elevados nos Estados Unidos, os principais índices de Nova York operam em alta ao longo da sessão, impulsionados principalmente pelas ações de tecnologia, e o Nasdaq caminha para registrar seu melhor desempenho trimestral desde 2020.











