A criação de empregos nos Estados Unidos desacelerou em junho e ficou abaixo das expectativas do mercado, mas a leitura do relatório de emprego indica que o Federal Reserve (Fed) ainda não tem motivos suficientes para antecipar cortes de juros. Para analistas, a composição dos dados pesa mais do que o número principal do payroll, principal indicador mensal do mercado de trabalho dos EUA.
Segundo números divulgados nesta quinta-feira (2), pelo Departamento do Trabalho, a economia norte-americana criou 57 mil vagas fora do setor agrícola em junho, abaixo da projeção de 110 mil postos. O dado de maio também foi revisado para baixo, de 172 mil para 129 mil vagas.
Apesar disso, a taxa de desemprego caiu de 4,3% para 4,2%, enquanto o crescimento dos salários acelerou para 3,5% em 12 meses.
O que chamou a atenção dos analistas
Embora o resultado tenha sido inferior ao esperado, economistas destacam que o relatório não aponta uma deterioração generalizada do mercado de trabalho.
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Segundo a economista do ASA, Andressa Durão, o payroll interrompeu uma sequência de três meses de resultados acima das expectativas, mas a média móvel trimestral do emprego privado ainda permanece em 99 mil vagas, ritmo considerado compatível com um mercado de trabalho resiliente.
Na avaliação da economista, a principal fraqueza veio do setor de serviços, especialmente de lazer e hotelaria, que fechou 61 mil postos em junho. O movimento contrariou parte das expectativas de aumento das contratações durante a realização da Copa do Mundo nos Estados Unidos.
Já a pesquisa domiciliar, utilizada para calcular a taxa de desemprego, mostrou redução do desemprego para 4,2%, mas por um motivo diferente do esperado: houve queda da participação da população na força de trabalho, principalmente entre os trabalhadores mais jovens.
Ao mesmo tempo, o número de pessoas empregadas nessa pesquisa também diminuiu.
Composição do payroll reduz expectativa de cortes de juros
A leitura da consultoria Capital Economics segue a mesma linha. Apesar do payroll abaixo do consenso e das revisões negativas de abril e maio, a consultoria observa que a média móvel de três meses permanece em 111 mil vagas, enquanto a inflação segue acima da meta do Fed.
Outro ponto destacado foi a concentração da geração de empregos. Dos 57 mil postos criados em junho, 47 mil vieram dos setores de saúde e assistência social. Já os segmentos considerados mais sensíveis ao ciclo econômico praticamente ficaram estáveis, com apenas 2 mil novas vagas.
O principal destaque negativo foi hospedagem e alimentação, responsável pelo fechamento de 55 mil postos de trabalho, revertendo parte do avanço observado em maio. Em sentido contrário, serviços profissionais e empresariais abriram 36 mil vagas.
Para a Capital Economics, seriam necessários novos relatórios fracos nos próximos meses para fortalecer a ala do Fed favorável à redução dos juros.
Na avaliação de Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o payroll reforça a percepção de perda gradual de fôlego da economia americana, mas não altera o cenário para a política monetária.
Segundo ele, a combinação entre menor criação de empregos e queda da taxa de desemprego mantém o Fed dependente dos próximos indicadores de inflação e atividade econômica antes de qualquer mudança na taxa básica de juros.











