O mercado de criptoativos entrou em uma nova etapa de desenvolvimento, em que a vantagem competitiva tende a migrar da velocidade de crescimento para a capacidade de atender exigências de governança, compliance e gestão de riscos. A avaliação é de Denise Cinelli, COO Global da NotBank, que aponta a regulamentação do setor como um dos principais fatores para redefinir quais empresas poderão liderar o mercado nos próximos anos.
A análise ocorre em um momento de avanço das regras para o setor no Brasil. A Lei 14.478/2022 estabeleceu o marco legal para os ativos digitais, enquanto o Banco Central conduz a elaboração das normas complementares. Segundo Denise, esse processo representa uma mudança estrutural na forma como as empresas disputam espaço no mercado.
“O setor vive um processo de amadurecimento, no qual empresas que já investiram em compliance, gestão de riscos e relacionamento institucional entram em vantagem”, afirma a executiva.
A executiva também avalia que o Brasil reúne condições para assumir maior relevância no mercado latino-americano de ativos digitais. Segundo ela, o país combina uma das maiores bases de usuários de criptoativos do mundo, um sistema financeiro desenvolvido e um processo regulatório em andamento.
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“Mais do que atrair investimentos, isso significa desenvolver conhecimento, tecnologia e infraestrutura financeira dentro do país. O potencial vai muito além do mercado de criptoativos. Estamos falando da evolução da própria indústria financeira”, avalia.
Compliance passa a influenciar competitividade
Segundo a análise, as práticas de compliance deixaram de ser vistas apenas como exigências regulatórias e passaram a influenciar diretamente a capacidade de atrair investidores, parceiros comerciais e clientes corporativos.
Para a executiva, confiança tornou-se um ativo econômico dentro do mercado de ativos digitais. Isso faz com que investimentos em prevenção à lavagem de dinheiro, monitoramento de transações, segurança operacional e gestão de riscos passem a integrar a estratégia de crescimento das empresas.
Stablecoins e tokenização ampliam uso dos criptoativos
Além da regulamentação, a executiva destaca mudanças na utilização dos ativos digitais. As stablecoins — criptomoedas com valor atrelado a moedas tradicionais, como o dólar — vêm ampliando sua participação em pagamentos internacionais, remessas de recursos e liquidação financeira.
De acordo com levantamento da McKinsey em parceria com a Artemis Analytics, essas operações movimentaram cerca de US$ 390 bilhões em 2025, mais que o dobro do registrado no ano anterior. A expectativa é que um ambiente regulatório mais claro favoreça a adoção desse tipo de ativo por empresas que buscam reduzir custos e acelerar transações internacionais.
Outro segmento apontado como tendência é a tokenização de ativos, tecnologia que permite representar digitalmente ativos como imóveis, recebíveis e direitos creditórios, ampliando possibilidades de negociação e liquidez.
Segundo Cinelli, o processo pode provocar uma transformação semelhante à digitalização dos meios de pagamento, ao tornar a negociação desses ativos mais eficiente.
Regras podem atrair investidores institucionais
A regulamentação também tende a ampliar a participação de investidores institucionais, como fundos e instituições financeiras.
Segundo a executiva, esse perfil de investidor depende de maior previsibilidade regulatória para realizar investimentos de longo prazo. Com regras mais claras, a avaliação de riscos se torna mais objetiva, reduzindo barreiras para entrada de novos participantes no mercado.
Na avaliação de Cinelli, esse movimento pode reduzir a dependência do setor em relação ao capital de maior risco e contribuir para o amadurecimento da indústria de ativos digitais.











