O BTG Pactual elevou a recomendação para as ações da Gerdau (GGBR4) de neutra para compra e aumentou o preço-alvo de R$ 25 para R$ 28 por ação, apostando nos papéis como “uma das melhores teses para o atual momento de mercado”.
Segundo o banco, em relatório divulgado nesta segunda-feira (6), a companhia reúne fatores que combinam melhora nos resultados, geração de caixa e uma avaliação considerada descontada em relação aos concorrentes internacionais.
A revisão ocorre poucos meses após o BTG rebaixar a recomendação da siderúrgica por questões de valuation — indicador utilizado para medir se uma empresa está cara ou barata em relação aos seus fundamentos.
Desde então, as ações recuaram para perto de R$ 21, enquanto o banco revisou para cima sua projeção de geração de caixa e lucro operacional. Nesta segunda, os papéis operam em alta de 1,21%, a R$ 21,70.
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EUA seguem como principal motor da Gerdau
O principal argumento do BTG continua sendo a operação da Gerdau na América do Norte, responsável por aproximadamente 75% do EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da empresa.
Segundo o banco, a demanda por aço nos Estados Unidos permanece sustentada por segmentos como data centers, energia solar e infraestrutura. A instituição também destaca que a companhia possui carteira de pedidos superior a 90 dias, acima da média histórica.
Para o BTG, esse cenário deve permitir expansão das margens ao longo dos próximos trimestres, mesmo com pressões temporárias sobre custos logísticos.
Outro ponto destacado pelo banco é a expectativa de melhora gradual das operações brasileiras. Nos últimos trimestres, a Gerdau enfrentou pressão causada pelo aumento das importações de aço e pela dificuldade de reajustar preços no mercado doméstico.
Segundo o BTG, esse cenário começa a mudar com o avanço das medidas antidumping — instrumentos utilizados pelo governo para combater importações realizadas a preços considerados abaixo do valor de mercado.
O banco também cita o projeto Miguel Burnier, em Minas Gerais, que deve começar a contribuir para os resultados ainda em 2026. A expectativa é de um impacto de cerca de R$ 200 milhões no EBITDA neste ano, com potencial próximo de R$ 1 bilhão em 2027 após a maturação do investimento.
Desconto frente aos concorrentes chama atenção
Na avaliação do BTG, um dos principais diferenciais da tese está no valuation da companhia. A Gerdau negocia atualmente a cerca de 3,8 vezes o valor da empresa sobre o EBITDA (EV/EBITDA) projetado para 2026, enquanto siderúrgicas americanas são negociadas entre seis e oito vezes esse indicador.
Para o banco, parte desse desconto decorre da percepção dos investidores sobre o mercado brasileiro, apesar de a maior parte da geração de caixa da empresa estar concentrada na América do Norte.
Caso o mercado passe a precificar a companhia de forma mais próxima das concorrentes americanas, o BTG estima espaço para expansão dos múltiplos das ações.
Outro fator destacado é a elevada exposição da companhia ao dólar. Como aproximadamente três quartos do EBITDA são gerados em operações dolarizadas, a Gerdau tende a ser menos sensível às oscilações da economia brasileira e pode funcionar como proteção cambial em momentos de maior incerteza.
Segundo as estimativas do BTG, uma variação de 10% na taxa de câmbio pode produzir impacto de aproximadamente 20% no valor patrimonial da companhia.
BTG revisa projeções para 2026 e 2027
O banco elevou suas estimativas de EBITDA em 11% para 2026 e em 13% para 2027, incorporando preços mais favoráveis para o aço, revisão do cenário cambial e expectativa de melhora operacional tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.
Além disso, projeta fluxo de caixa livre equivalente a cerca de 11% do valor de mercado da companhia em 2026 e 2027, além de dividend yield entre 6% e 7%, sem considerar possíveis programas de recompra de ações.
Na avaliação do BTG, a combinação entre melhora operacional, geração de caixa, exposição ao mercado americano e múltiplos inferiores aos dos concorrentes sustenta a mudança de recomendação para compra das ações da Gerdau.











