O setor de saúde suplementar encerrou o primeiro trimestre de 2026 com R$ 101 bilhões em receitas, segundo dados enviados pelas operadoras de planos de saúde à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Para o BTG Pactual, no entanto, o ciclo de recuperação do setor está próximo do fim.
Em relatório publicado nesta quinta-feira (11), os analistas Samuel Alves, Maria Resende e Marcel Zambello avaliam que, “de forma geral, os números reforçam a visão de que o ciclo de melhora pós-Covid do setor, em andamento desde 2022, pode estar se aproximando do fim”.
A sinistralidade do setor — indicador que mede a proporção das receitas consumidas pelas despesas assistenciais — ficou em 77,5% no primeiro trimestre, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano anterior.
O índice permaneceu abaixo dos 78,6% registrados antes da pandemia, no primeiro trimestre de 2019, e também inferior à média de 79,7% observada entre 2014 e 2019.
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Lucro recua mesmo com avanço das receitas
Os prêmios das operadoras cresceram 9% na comparação anual, impulsionados por aumento de 7% no ticket médio e expansão de 2% da base de beneficiários.
As despesas assistenciais também avançaram 9% no período, acompanhando a evolução das receitas. Apesar disso, o lucro líquido consolidado do setor caiu 10% em relação ao primeiro trimestre de 2025, para cerca de R$ 6,3 bilhões.
Já o retorno sobre patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) dos últimos 12 meses ficou em 16,3%, abaixo dos 17,1% registrados no quarto trimestre de 2025, mas acima da média pré-pandemia, próxima de 13%.
Segundo o BTG, os números mostram que a recuperação do setor continua, mas em ritmo mais moderado.
Amil segue como destaque entre operadoras não listadas
Entre as empresas de planos de saúde não listadas em Bolsa, a Amil voltou a apresentar um dos melhores desempenhos, com uma sinistralidade próxima de 78% nos últimos 12 meses, bem abaixo dos níveis superiores a 90% observados entre 2022 e 2023.
O ROE acumulado em 12 meses alcançou cerca de 39%, refletindo o processo de reestruturação realizado pela companhia. No entanto, houve deterioração sequencial da sinistralidade no trimestre, que atingiu 78%, alta de 460 pontos-base em relação ao trimestre anterior.
A Unimed Seguros também apresentou resultados positivos, com sinistralidade de 70,1% e ROE próximo de 27%. Já a Central Nacional Unimed reduziu sua sinistralidade para 70,2%, enquanto a Unimed BH registrou aumento do indicador para 74%.
O destaque negativo ficou com a Prevent Senior. A operadora viu sua sinistralidade subir para 86,7%, avanço de aproximadamente 970 pontos-base na comparação anual, em um cenário de crescimento de 18% das despesas assistenciais.
Grandes grupos ampliam vantagem competitiva entre planos de saúde
Na avaliação do BTG, os resultados reforçam a vantagem competitiva das grandes operadoras integradas do setor, como SulAmérica, Bradesco Saúde e Amil.
Segundo os analistas, essas companhias estão melhor posicionadas para capturar ganhos de escala e ampliar participação de mercado por atuarem em diferentes etapas da cadeia de saúde.
Os dados do trimestre mostram que tanto a Bradesco Saúde quanto a SulAmérica reduziram suas sinistralidades em cerca de 140 pontos-base na comparação anual.
Rede D’Or segue como principal escolha
Entre as empresas listadas, o BTG manteve a Rede D’Or (RDOR3) como sua principal recomendação no setor de saúde.
Os analistas destacam a evolução da rentabilidade dos negócios hospitalares e de seguros, além de oportunidades de crescimento ligadas à parceria com o Bradesco e a potenciais operações de fusões e aquisições.
O banco também vê potencial na exposição à Bradesco Saúde, citando a capacidade de expansão da plataforma e possíveis ganhos com amadurecimento dos ativos hospitalares e novas iniciativas de crescimento.











