A indústria brasileira de fundos de investimento registrou captação líquida de R$ 184,7 bilhões no primeiro semestre de 2026, mais que o dobro do volume observado na comparação anual. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (8) pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
O resultado representa o segundo melhor primeiro semestre dos últimos cinco anos, ficando atrás apenas de 2024, quando a entrada líquida foi de R$ 191,3 bilhões.
Com o desempenho, o patrimônio líquido da indústria alcançou R$ 11,1 trilhões, crescimento de 10% em relação ao mesmo período de 2025.
A indústria encerrou o primeiro semestre com 33.927 fundos, alta de 6,1% em relação a junho de 2025. O número de gestores também aumentou no período, chegando a 1.086, refletindo a continuidade da expansão da oferta de produtos no mercado brasileiro de investimentos.
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Renda fixa concentra maior parte da captação
A renda fixa permaneceu como principal destino dos investidores, acumulando R$ 108,4 bilhões em captação líquida entre janeiro e junho.
Segundo a Anbima, a maior parte dos recursos foi direcionada para fundos de renda fixa de baixa duração com crédito livre, que receberam R$ 70,3 bilhões, seguidos pelos fundos de baixa duração soberanos, com R$ 26 bilhões.
Fundos de baixa duração concentram investimentos em títulos com vencimentos mais curtos, o que tende a reduzir a sensibilidade às oscilações das taxas de juros. A rentabilidade média da classe foi de 5,5% no semestre, abaixo do desempenho do CDI, referência para aplicações de renda fixa, que acumulou 6,8% no período.
Crédito privado volta a atrair investidores
Os fundos de crédito privado também registraram recuperação no fluxo de recursos. Entre janeiro e maio, a classe acumulou captação líquida de R$ 14,4 bilhões, revertendo os resgates de R$ 12,6 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2025.
Segundo Pedro Rudge, diretor da Anbima, a rentabilidade dos fundos sofreu oscilações nos últimos meses devido à reprecificação de ativos, mas voltou a apresentar melhora em maio.
“Temos visto neste ano certa volatilidade em termos de rentabilidade, muito em função do deslocamento de preço, das taxas e de eventuais casos específicos que trouxeram reprecificação da classe como um todo. Março e abril tiveram retornos um pouco mais desafiadores, enquanto maio recuperou rentabilidade”, afirmou.
ETFs ampliam patrimônio enquanto multimercado e ações sofrem resgates
Os fundos de índice (ETFs) também tiveram destaque no semestre. A categoria recebeu R$ 32,5 bilhões em aportes líquidos, dos quais R$ 27,1 bilhões foram destinados aos ETFs de renda fixa.
Ao fim de junho, o patrimônio líquido da classe alcançou R$ 116,6 bilhões, distribuídos entre 202 fundos e mais de 1,65 milhão de contas. Os fundos cambiais também encerraram o semestre no positivo, com captação líquida de R$ 900 milhões.
Na direção oposta, os fundos multimercados lideraram as retiradas de recursos. A categoria registrou resgates líquidos de R$ 9,9 bilhões no semestre, encerrando junho com patrimônio líquido de R$ 1,544 trilhão e cerca de 3,83 milhões de cotistas. A rentabilidade média acumulada da classe foi de 3,84%.
Os fundos de ações também fecharam o semestre com saída líquida de R$ 6,5 bilhões, enquanto os fundos de previdência registraram resgates de R$ 8,6 bilhões.











