O tradicional “kit Copa” ficou 32,5% mais caro desde o Mundial de 2022, segundo levantamento da Rico. A alta supera a inflação acumulada no período, de 21%, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e reflete principalmente o avanço dos preços da cerveja (27,5%) e das carnes (12,9%).
Além de pressionar o bolso do consumidor, o aumento do consumo típico do torneio também amplia os desafios tributários para empresas.
Segundo dados da FecomercioSP, o “kit Copa” registrou crescimento de 3,1% neste ano, impulsionado principalmente pelas vendas de carnes, bebidas alcoólicas e produtos consumidos em reuniões entre amigos e familiares durante os jogos.
O aquecimento também aparece no setor de eletrônicos. No primeiro semestre, as vendas de televisores cresceram 7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre os modelos acima de 75 polegadas, a procura aumentou 94%.
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Volume de vendas em época de Copa do Mundo amplia obrigações fiscais
Com a Copa do Mundo movimentando setores como supermercados, bares, restaurantes e varejo de eletrônicos, cresce também o volume de operações sujeitas à incidência de tributos como ICMS, PIS, Cofins e ISS, além da necessidade de maior controle sobre documentos fiscais e obrigações acessórias.
Ao mesmo tempo, empresas passam a lidar com um volume maior de documentos fiscais, cálculo de impostos e cumprimento das chamadas obrigações acessórias — declarações e informações exigidas pelo Fisco além do pagamento dos tributos.
Segundo Roberto de Lazari, diretor da All Tax, o crescimento das operações exige acompanhamento constante dos impactos fiscais.
“Vender mais durante a Copa significa lidar com uma operação tributária mais intensa e complexa. Quanto maior o volume de transações, maior a necessidade de acompanhar os impactos fiscais em tempo real para garantir conformidade e apoiar decisões estratégicas do negócio.”
Reforma Tributária amplia desafios
De acordo com Lazari, o cenário ganha ainda mais relevância diante da implementação gradual da Reforma Tributária. O executivo afirma que as empresas precisarão administrar simultaneamente as regras atuais e as novas normas previstas para os próximos anos.
Entre as mudanças estão a criação do Imposto Seletivo, que poderá incidir sobre produtos como bebidas alcoólicas, além da implantação de mecanismos como o cashback tributário.
Segundo ele, essas alterações tornam o monitoramento fiscal ainda mais importante para evitar erros e apoiar decisões de negócio.
Automação reduz riscos fiscais
Para a All Tax, períodos de maior consumo também evidenciam o nível de preparação das empresas para lidar com a complexidade tributária.
Lazari afirma que organizações com processos automatizados e governança tributária estruturada conseguem absorver o aumento das operações com mais segurança, enquanto controles manuais elevam o risco de falhas na classificação fiscal, emissão de documentos e apuração de tributos.
Na avaliação do executivo, transformar dados fiscais em informações para tomada de decisão passa a ser um diferencial competitivo em momentos de forte expansão das vendas, como ocorre durante a Copa do Mundo.











