As ações da Ânima Educação (ANIM3) despencam 30,31%, cotadas a R$ 2, nesta quarta-feira (15), após o BTG Pactual rebaixar a recomendação dos papéis de compra para neutra em reação ao anúncio da aquisição de 100% da Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) por R$ 410 milhões.
Para o banco, a operação altera de forma relevante a tese de investimento da companhia ao aumentar a alavancagem financeira, reduzir a previsibilidade da geração de caixa e comprometer a disciplina de alocação de capital que vinha sendo adotada nos últimos anos.
Além do valor pago pelo patrimônio da instituição, a Ânima assumirá aproximadamente R$ 150 milhões em dívida líquida ajustada, levando o valor total da operação para cerca de R$ 560 milhões.
“Diante do custo de capital do Brasil perto das máximas históricas, do balanço patrimonial pressionado da Ânima, dos níveis de valuation reduzidos das empresas domésticas, incluindo a Ânima e seus principais pares, e da perspectiva ainda incerta para os juros, é difícil justificar o valuation pago pelo ativo”, disse o banco em relatório assinado pelos analistas Samuel Alves e Maria Resende.
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Valor é quase 10 vezes o Ebitda da FMU e reduz espaço para dividendos
Segundo o BTG, esse valor representa um múltiplo de aproximadamente 10 vezes o Ebitda (lucro antes de despesas financeiras, impostos, depreciação e amortização) da FMU dos últimos 12 meses.
Na avaliação do banco, esse múltiplo está muito acima das cerca de 3,3 vezes em que a própria Ânima negocia atualmente na Bolsa e próximo ao pago pela aquisição da Laureate em 2020, embora o cenário atual seja de juros significativamente mais elevados.
Como consequência, o BTG reduziu o preço-alvo para ANIM3 de R$ 7 para R$ 4, mantendo potencial de valorização frente ao preço atual, mas insuficiente para justificar a recomendação de compra.
Outro ponto destacado é o aumento da alavancagem financeira. A relação entre dívida líquida e Ebitda deve subir de 2,39 vezes para 2,73 vezes após a conclusão da aquisição.
Segundo o BTG, a operação interrompe a estratégia recente da companhia, que vinha priorizando redução da dívida, fortalecimento do fluxo de caixa e eventual distribuição de dividendos aos acionistas.
Além disso, o banco estima que a aquisição reduzirá em mais de 20% sua projeção de lucro para 2030, sem considerar ganhos relevantes de sinergia.
BTG vê mudança de narrativa em tese da Ânima (ANIM3)
Em relatório publicado em junho, o BTG havia adotado uma postura mais construtiva em relação ao setor de educação brasileiro, sob a argumentação de que o setor entrou em uma era sólida de geração de caixa.
“Após anos de alocação de capital em um contexto desafiador, custos de captação elevados e balanços pressionados, as companhias adotaram uma nova estratégia centrada em iniciativas de eficiência, reduções de custos fixos e uma alocação de capital muito mais disciplinada”, disseram os analistas.
O banco conclui, afirmando que essa visão preparava espaço para um novo ciclo de maiores distribuições de dividendos. No entanto, “a aquisição [da FMU] muda materialmente essa narrativa, ao menos para a Ânima”, afirmam Samuel Alves e Maria Resende.











