O BTG Pactual reiterou a recomendação de compra para as ações da Camil (CAML3), apesar de um primeiro trimestre fiscal (entre março e maio) com lucro 57,7% menor na comparação anual, para R$ 28 milhões e abaixo das expectativas.
Para o banco, a recuperação dos preços do arroz deve fortalecer os resultados da companhia nos próximos trimestres e pode quase dobrar o lucro líquido até 2027.
Na avaliação dos analistas, o atual momento representa um ponto de entrada para investidores. O BTG estima preço médio de R$ 69 por saca de arroz em 2026, acima dos cerca de R$ 62 observados atualmente. Caso a commodity avance para próximo de R$ 80 por saca, nível considerado compatível com o custo de produção dos agricultores no Rio Grande do Sul, a geração de resultados da empresa tende a ganhar força.
Apesar da queda do lucro líquido no trimestre, o BTG considera que a maior parte das pressões sobre a companhia já está incorporada às estimativas.
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Recuperação do arroz sustenta tese da Camil
O BTG afirma que a combinação entre recuperação dos preços do arroz, redução dos investimentos após a conclusão da planta de Cambaí e normalização do capital de giro tende a melhorar a geração de caixa nos próximos trimestres.
Segundo o relatório, a área plantada de arroz no Brasil caiu 14% na safra atual, reduzindo a produção em 13%. Esse cenário já começou a impulsionar os preços do cereal, movimento que o BTG espera ver continuar ao longo dos próximos meses.
O banco também aponta que o fenômeno El Niño pode restringir ainda mais a oferta caso provoque excesso de chuvas no Sul do país durante fases importantes do desenvolvimento das lavouras.
Na visão dos analistas, a valorização da commodity é o principal fator capaz de impulsionar o desempenho das ações da Camil nos próximos 12 meses e, por isso, manteve a recomendação de compra para CAML3, com preço-alvo de R$ 10.
Volumes crescem, mas despesas pressionam margens
O BTG avaliou que o balanço do primeiro trimestre fiscal mostrou recuperação operacional, embora a rentabilidade tenha ficado abaixo das estimativas. Apesar da visão positiva do banco, os papéis da Camil despencaram 18% nesta quarta-feira (15), em reação ao balanço.
Os volumes do segmento de produtos de maior giro no Brasil cresceram 14% na comparação anual, acima da projeção do banco. O segmento de maior valor agregado também registrou alta de 14%, enquanto as operações internacionais avançaram 26%, impulsionadas pelo desempenho de Uruguai, Chile, Equador e pela nova operação no Paraguai.
No consolidado, os volumes aumentaram 18%, enquanto a receita líquida ficou em R$ 2,7 bilhões, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano anterior.
O principal fator negativo foi o aumento das despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A), indicador que reúne gastos administrativos, comerciais e operacionais não diretamente ligados à produção. Essas despesas reduziram a margem operacional da companhia.
O EBITDA ajustado — indicador que mede a geração operacional de caixa antes de juros, impostos, depreciação e amortização — somou R$ 200 milhões, queda de 13% em relação ao ano anterior e cerca de 9% abaixo da estimativa do BTG.
Capital de giro amplia dívida no trimestre
Outro ponto destacado pelo banco foi o aumento da alavancagem financeira. A dívida líquida da companhia subiu para cerca de R$ 4,5 bilhões, impulsionada pelo consumo sazonal de capital de giro. Esse movimento ocorre porque a Camil concentra a compra de estoques de arroz no início do ano fiscal, monetizando esses ativos ao longo dos trimestres seguintes.
Com isso, a relação entre dívida líquida e EBITDA atingiu 5,5 vezes, enquanto os investimentos (capex) caíram para R$ 77,5 milhões, refletindo a fase final das obras da unidade de Cambaí.
Na análise de crédito do BTG, esse aumento da alavancagem tende a ser temporário, desde que a empresa consiga converter os estoques em caixa e mantenha disciplina na gestão de custos.











