A exclusão do café e da carne bovina da nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos evitou um impacto maior sobre duas das principais cadeias exportadoras do agronegócio brasileiro. Apesar do alívio, representantes dos setores afirmam que ainda é cedo para descartar novos efeitos sobre o comércio bilateral.
O café foi um dos principais beneficiados pela lista de exceções divulgada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Com isso, o café verde, o café torrado, o café solúvel e seus subprodutos permanecerão livres da cobrança adicional para entrar no mercado norte-americano.
Em comunicado conjunto, a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) afirmaram que a decisão preserva um mercado que movimenta entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões por ano.
As entidades destacaram que a manutenção das exceções foi resultado do trabalho conjunto com a National Coffee Association (NCA) e importadores norte-americanos. Além de manter os produtos inicialmente contemplados, o USTR ampliou a lista para incluir o café solúvel não aromatizado.
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Segundo as entidades, a decisão reforça a importância do Brasil como fornecedor para o maior mercado consumidor e importador de café do mundo. Apesar disso, o setor alerta que ainda há uma segunda investigação conduzida pelo USTR no âmbito da Seção 301, que pode resultar em uma nova tarifa de aproximadamente 12,5% sobre o café brasileiro.
Carne bovina também evita impacto sobre segundo maior mercado
A carne bovina também ficou fora da lista de produtos atingidos pela tarifa de 25%. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, afirmou que o setor acompanha as negociações entre os governos brasileiro e norte-americano e destacou que a inclusão da proteína na lista de exceções reduziu as preocupações imediatas da indústria.
Atualmente, os Estados Unidos são o segundo maior destino da carne bovina brasileira. No primeiro semestre deste ano, as exportações para o mercado norte-americano somaram US$ 1,35 bilhão, com embarques de 205 mil toneladas, alta de 14,7%.
Setor de carnes enfrenta outros desafios
Mesmo com a exclusão da tarifa norte-americana, a indústria da carne bovina continua lidando com obstáculos em outros mercados. Segundo Perosa, a redução da demanda chinesa, após a imposição de uma sobretaxa de 55% sobre parte das importações, deve reduzir significativamente os embarques brasileiros ao país asiático.
A expectativa da Abiec é que o Brasil exporte entre 850 mil e 900 mil toneladas para a China neste ano, volume inferior ao registrado anteriormente. A entidade estima impacto de cerca de US$ 3,2 bilhões nas receitas do setor.
Outro ponto de preocupação é a União Europeia. Caso não haja acordo entre Brasil e o bloco, o país pode deixar de exportar carne bovina para o mercado europeu a partir de setembro.
Embora represente cerca de 5% das exportações brasileiras, a UE é considerada estratégica por concentrar cortes de maior valor agregado e influenciar outros mercados internacionais.
Especialista vê impacto limitado pelas exceções de café e demais produtos
Para André Charone, sócio do escritório Belconta, a tarifa de 25% tende a reduzir a competitividade dos produtos brasileiros que permanecem sujeitos à medida, mesmo sendo formalmente paga pelos importadores dos EUA.
Segundo ela, parte desse custo costuma ser repassada aos exportadores por meio de menor demanda e pressão sobre os preços, afetando toda a cadeia produtiva, incluindo indústrias, transportadoras, portos e produtores rurais.
No caso do café e da carne bovina, a permanência na lista de exceções reduz esse risco imediato, embora o cenário continue dependente da evolução das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e de outras investigações conduzidas pelo governo norte-americano.
Confira abaixo alguns dos principais itens que serão isentos:
- aeronaves
- celulose branqueada
- combustíveis de aviação
- ferro-gusa
- ferro-nióbio
- minério de ferro
- partes de turbinas
- petróleo bruto
- silício
- suco de laranja congelado e não congelado










