As novas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros devem reduzir a competitividade de parte das exportações nacionais e aumentar a incerteza para empresas e investidores, na avaliação de especialistas.
Mesmo com exceções para parte das exportações, a medida tende a afetar a competitividade de empresas e o fluxo comercial entre os dois países. Segundo a Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil), a decisão representa um resultado negativo para a relação entre os dois países.
A entidade afirma que, além de afetar exportadores brasileiros, as tarifas tendem a elevar custos para empresas e consumidores americanos, reduzir a competitividade da indústria dos EUA que utiliza insumos brasileiros e limitar a cooperação em áreas como energia, minerais críticos, economia digital e propriedade intelectual.
A Amcham também defende a manutenção das negociações entre os governos dos dois países. Segundo o presidente da entidade, Abrão Neto, o diálogo continua sendo o caminho mais eficiente para retirar as sobretaxas e construir uma agenda econômica mais ampla. A entidade considera positiva a exclusão de parte dos produtos da medida, mas pede a criação de um mecanismo que permita novas exceções para setores mais afetados.
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Segundo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, as tarifas foram aplicadas após “o presidente Lula e seu governo não negociarem com os EUA de boa-fé”, disse Rubio em publicação no X.
Exceções reduzem impacto sobre a economia
Para Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, a lista de produtos excluídos das tarifas reduz o impacto direto sobre o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e preserva parte relevante da pauta exportadora.
Itens como café, carne bovina, laranja, suco de laranja, determinados produtos energéticos e componentes aeroespaciais ficaram fora da sobretaxa, enquanto segmentos como vestuário, calçados, etanol e parte da indústria de transformação podem enfrentar perda de competitividade e necessidade de buscar novos mercados.
Na avaliação da executiva, o efeito macroeconômico tende a ser limitado, mas os impactos políticos, cambiais e setoriais permanecem relevantes para os ativos brasileiros.
Mercado pode migrar para setores defensivos
Para Gabriel Eisner, sócio da Mhydas Planejamento Financeiro, o encarecimento dos bens que serão tarifados tende a reduzir sua competitividade e pode diminuir a demanda norte-americana, principalmente em setores com maior dependência das exportações para o país.
No mercado financeiro, o especialista afirma que empresas ligadas ao comércio exterior podem apresentar maior volatilidade, enquanto investidores tendem a buscar companhias voltadas ao mercado doméstico, como Cemig (CMIG4), CPFL Energia (CPFE3), Energisa (ENGI11) e Sanepar (SAPR11).
Entre os setores considerados mais defensivos estão bancos, energia elétrica e saneamento, cuja demanda depende menos do comércio internacional. Já empresas de mineração, siderurgia e aço podem enfrentar maior pressão caso a redução das exportações se confirme.
Pressão inflacionária após tarifas também afeta os Estados Unidos
Eisner relembra que o impacto das tarifas não se limita ao Brasil. Como os produtos importados ficam mais caros, parte desse custo tende a ser repassada ao consumidor americano, aumentando a pressão sobre a inflação. “Caso essa inflação ganhe força, o Federal Reserve pode ser levado a manter ou até elevar os juros para controlar os preços”, disse.
O especialista ressalta, porém, que o repasse não ocorre de forma automática. Cada empresa decidirá se absorverá parte dos custos para preservar margens e participação de mercado ou se transferirá o aumento integralmente aos consumidores.











