Em 1890, o farmacêutico Eugene Schieffelin soltou 80 estorninhos europeus no Central Park, em Nova York. O grupo sobreviveu ao inverno, recebeu novos animais no ano seguinte e originou uma população que alcançou do Alasca ao México, chegou perto de 200 milhões de aves e hoje é estimada em cerca de 93 milhões.
Quem soltou os 80 estorninhos europeus no Central Park?
Eugene Schieffelin participou de iniciativas que introduziam animais europeus nos Estados Unidos. Em março de 1890, ele liberou 80 aves no Central Park. Outra soltura, com 60 indivíduos, ocorreu em 1891, reforçando a pequena população que havia conseguido atravessar o primeiro inverno nova-iorquino.
O animal era o estorninho-malhado, ave de plumagem escura e brilhante, dieta variada e grande capacidade de imitar sons. Esses traços não explicam sozinhos a invasão, mas ajudaram a espécie a viver perto de pessoas, explorar gramados, plantações e cidades.

Como uma população tão pequena conseguiu se estabelecer?
Os primeiros estorninhos encontraram alimento abundante e locais para ninhos. A espécie ocupa cavidades em árvores, postes e construções, reproduz-se com eficiência e consome insetos, sementes, frutas e restos. Essa flexibilidade diminuiu a dependência de um único ambiente durante a expansão pelo continente.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos registra a soltura inicial de 1890 e a rápida dispersão. Ao aproveitar áreas agrícolas e urbanas modificadas por pessoas, as aves encontraram uma sequência de ambientes favoráveis entre o leste e o oeste do país.
O que o avanço pelo continente revela sobre os estorninhos?
A expansão não dependeu apenas de reprodução acelerada. Pesquisadores encontraram sinais de adaptação local associados a temperatura e chuva. Populações de regiões quentes e secas apresentaram diferenças sutis em partes do genoma, enquanto aves de áreas frias e úmidas seguiram outras pressões ambientais.
As características da expansão aparecem em quatro pontos:
- Dieta ampla: insetos, sementes e frutos mantiveram as aves em ambientes diferentes.
- Ninhos variados: cavidades naturais e estruturas humanas ofereceram locais de reprodução.
- Vida em bandos: grupos numerosos facilitaram alimentação, deslocamento e proteção.
- Adaptação rápida: populações responderam a condições climáticas distintas em poucas gerações.

Como a população chegou a 200 milhões e depois caiu?
Até a década de 1940, os estorninhos europeus já apareciam em quase todos os estados americanos e províncias canadenses. A população continental atingiu um pico estimado de 200 milhões no século 20. Depois, levantamentos registraram queda superior a 50% desde 1970, acompanhando o declínio de várias aves.
O Cornell Lab of Ornithology relaciona o sucesso à adaptação rápida e informa o pico histórico. Estimativas recentes apontam aproximadamente 93 milhões na América do Norte, ainda uma população enorme, distribuída do Alasca ao México e presente em áreas urbanas e rurais.
Por que uma soltura em um parque ainda chama atenção?
O caso mostra como poucos animais introduzidos podem atravessar barreiras geográficas quando encontram recursos, espaço e capacidade de adaptação. A soltura não criou todos os estorninhos norte-americanos em uma única etapa, mas estabeleceu a população que se espalhou de forma contínua pelo continente.
Também evidencia que o tamanho inicial não determina o resultado de uma introdução. Os 80 indivíduos de 1890 pareciam um grupo pequeno, porém seus descendentes ocuparam milhares de quilômetros em poucas décadas. A trajetória tornou-se referência para estudos sobre invasões, genética, adaptação e efeitos de espécies não nativas.











