O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três primeiros meses do ano, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio acima das expectativas, mas a composição do crescimento indica perda de ritmo em setores mais sensíveis aos juros.
Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o PIB avançou 2%. Já no primeiro semestre, a economia acumulou expansão de 1,9% frente ao mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados nesta terça-feira (1º).
A Capital Economics avalia que a desaceleração do crescimento no segundo trimestre deve ser seguida por um segundo semestre mais fraco. A consultoria projetava crescimento de 0,3% para o período, abaixo dos 0,5% registrados.
Para a consultoria, a desaceleração mantém aberta a possibilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic em setembro. A consultoria, contudo, espera uma postura cautelosa do Banco Central diante das expectativas de inflação ainda acima da meta de 3,5%.
Liam Peach, economista sênior para mercados emergentes da Capital Economics, estima crescimento entre 0,2% e 0,3% no terceiro trimestre. Segundo ele, o desempenho da economia mais adiante dependerá também do resultado das eleições presidenciais.
No segundo trimestre, o PIB totalizou R$ 3,4 trilhões, enquanto a taxa de investimento ficou em 16,1% do PIB, abaixo dos 16,6% registrados no segundo trimestre de 2025. Já a taxa de poupança passou de 16,5% para 16,6%.
Agro sustenta avanço trimestral
Na comparação com o primeiro trimestre, a Agropecuária foi o principal destaque, com crescimento de 2,8%. Serviços avançaram 0,2%, enquanto a Indústria cresceu 0,1%.
Na indústria, as atividades extrativas cresceram 3,4%. Em contrapartida, houve queda de 1,1% em eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos, de 0,4% na indústria de transformação e de 0,4% na construção.
Nos Serviços, Informação e comunicação cresceu 2,1%, enquanto Transporte, armazenagem e correio avançou 1,1%. Atividades imobiliárias tiveram alta de 0,2%.
O Comércio ficou estável. Também não houve variação em Outras atividades de serviços. Administração pública, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social recuaram 0,4%, enquanto Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados caíram 0,3%.
Pela ótica da demanda, a Formação Bruta de Capital Fixo, medida usada para acompanhar investimentos em máquinas, equipamentos, construção e outros ativos produtivos, cresceu 1,2%. O consumo do governo avançou 0,4%.
Já o consumo das famílias caiu 0,4% na comparação com o primeiro trimestre. No setor externo, as exportações de bens e serviços recuaram 0,8%, enquanto as importações cresceram 1,8%.
Crescimento anual do PIB mostra força do agro e da extração
Na comparação com o segundo trimestre de 2025, a Agropecuária cresceu 6,8%. O resultado foi influenciado pela pecuária e por culturas como soja, cuja estimativa de produção aumentou 5,3%, e café, com alta de 15,1%.
A Indústria avançou 1,5%, puxada pelas atividades extrativas, que cresceram 12,0% devido ao aumento da extração de petróleo e gás. A Construção também cresceu, com alta de 1,0%.
A indústria de transformação, por outro lado, recuou 0,9%, enquanto eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos caiu 0,5%.
Os Serviços cresceram 1,5%, com alta em todas as atividades. Informação e comunicação teve o maior avanço, de 8,4%, seguida por Atividades imobiliárias, com 2,2%, e Transporte, armazenagem e correio, com 1,2%.
O consumo do governo aumentou 3,1% no período, enquanto o consumo das famílias cresceu apenas 0,5%. A Formação Bruta de Capital Fixo avançou 1,4%, influenciada pelo aumento das importações de bens de capital e pelo desenvolvimento de software.
Economistas veem desaceleração nos setores ligados aos juros
Para Antônio Ricciardi, economista do Banco Daycoval, o resultado veio acima da projeção da instituição, que esperava crescimento de 0,3% no segundo trimestre. Segundo ele, a surpresa foi explicada principalmente pelo desempenho da Agropecuária.
Ricciardi destacou, porém, que os componentes mais cíclicos da economia apresentaram desempenho abaixo do esperado. Esses setores são aqueles que respondem com maior intensidade às condições de crédito e à política monetária.
Segundo o economista, a indústria cresceu 1,5% na comparação anual, enquanto os Serviços desaceleraram de uma expansão de 2,1% no primeiro trimestre para 1,5% no segundo. O consumo das famílias também perdeu força, passando de crescimento de 1,7% para 0,5% na comparação anual.
Na avaliação de Ricciardi, o resultado mostra uma diferença entre os setores que sustentaram a expansão e aqueles mais dependentes da demanda interna. Agropecuária e indústria extrativa apresentaram crescimento, enquanto Serviços e consumo das famílias mostraram desaceleração.
O economista também relacionou o cenário à perda de ritmo observada no mercado de trabalho e à desaceleração da massa salarial. Para o segundo semestre, o Banco Daycoval trabalha, por enquanto, com crescimento entre 0,15% e 0,2% e elevou sua projeção para o PIB de 2026 de 1,7% para 1,8%.
Já Leonardo Costa, economista do ASA, afirmou que o resultado agregado ficou em linha com a projeção da instituição, mas que a composição foi mais fraca. Para ele, consumo das famílias, indústria de transformação e construção continuam perdendo dinamismo, enquanto Agropecuária e indústria extrativa sustentam parte do crescimento.
O economista avalia que os indicadores antecedentes apontam para a continuidade da perda de força no terceiro trimestre. O ASA projeta crescimento de 0,2% no PIB entre julho e setembro e prevê expansão de 1,8% para a economia brasileira em 2026. Para 2027, a projeção é de alta de 1,5%.
Brasil fica entre os maiores crescimentos do trimestre
O crescimento de 0,5% colocou o Brasil na quinta posição entre 50 países analisados pela Austin Rating no segundo trimestre de 2026. O resultado brasileiro ficou atrás de Irlanda, com 1%; Indonésia, com 0,9%; Angola, com 0,7%; e Malásia, com 0,6%.
A expansão brasileira superou a registrada pelos Estados Unidos, de 0,4%; México, de 0,3%; Alemanha, de 0,1%; Reino Unido, de 0,1%; e Itália, que ficou estável.
No acumulado de quatro trimestres até junho, o PIB brasileiro cresceu 1,9%. Nesse intervalo, a Agropecuária avançou 6,2%, a Indústria cresceu 1,4% e os Serviços tiveram alta de 1,7%. No primeiro semestre, o crescimento de 1,9% foi distribuído entre Agropecuária, com alta de 3,6%; Indústria, com 1,6%; e Serviços, com 1,8%.











