O dólar fechou esta quinta-feira (16) em alta de 0,40% frente ao real, a R$ 5,10. A valorização foi impulsionada por um movimento de aversão ao risco, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio e a dados econômicos mais fortes dos Estados Unidos.
Novos ataques dos EUA contra o Irã, além de ameaças dos rebeldes houthis, no Iêmen, contra a Arábia Saudita, adicionaram cautela ao mercado. Mesmo com o cenário de tensão, os preços do petróleo oscilaram pouco. O contrato do Brent para setembro caiu 0,85%, a US$ 84,23 por barril.
Investidores também acompanharam a decisão dos EUA de aplicar tarifas de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. Embora a medida contemple uma lista ampla de exceções, o anúncio adicionou um componente de incerteza ao ambiente doméstico.
Pela manhã, pesquisa Genial/Quaest mostrou que 51% dos entrevistados concordam com a afirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria atuado junto aos EUA para a adoção das tarifas.
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À tarde, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo poderá utilizar a Lei da Reciprocidade Econômica para responder às medidas anunciadas pelos norte-americanos.
Apesar da alta do dia, a moeda norte-americana ainda acumula queda de 0,18% na semana, recuo de 1,24% em julho e desvalorização de 7,11% em 2026.
Carry trade e petróleo ajudam a sustentar o real
Apesar da pressão externa, especialistas destacam fatores que continuam oferecendo suporte ao real. Entre eles está o chamado carry trade, estratégia na qual investidores captam recursos em países de juros baixos para aplicar em mercados com taxas mais elevadas, como o Brasil.
Além disso, a valorização recente do petróleo tende a beneficiar o país por meio da melhora dos termos de troca, conceito que mede a relação entre os preços das exportações e das importações.
Dólar sobe no mundo e pressiona moedas emergentes
O fortalecimento do dólar ocorreu em escala global. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis moedas fortes, avançava cerca de 0,25% no fim da tarde, em torno de 100,7 pontos.
O movimento foi reforçado pela divulgação de indicadores de atividade econômica dos EUA, como os dados de vendas no varejo, além de declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed), indicando cautela em relação ao ritmo de cortes de juros.
Nesse cenário, o real apresentou desempenho semelhante ao de outras moedas latino-americanas. Entre as divisas emergentes mais líquidas, as maiores perdas ficaram com o florim húngaro e o rand sul-africano.











