Apenas 2 em cada 10 (23%) empresas brasileiras possuem processos estruturados para manter suas operações funcionando após um ataque cibernético. O dado faz parte do Panorama do Risco Cibernético 2026, levantamento da Vultus que analisou 132 empresas de 11 setores da economia.
O estudo mostra que, embora as organizações tenham elevado em 5,6% o nível de maturidade em segurança digital, a probabilidade de sofrer ataques aumentou 3,7% no mesmo período. Segundo a empresa, o avanço dos mecanismos de proteção não acompanha o ritmo de crescimento da exposição digital.
O cenário ocorre em um momento em que o custo global dos ataques cibernéticos pode superar US$ 12,2 trilhões por ano, segundo estimativas utilizadas pelo mercado de segurança da informação.
Continuidade dos negócios ainda é um desafio
A pesquisa avaliou a existência de processos de Gestão de Continuidade de Negócios (GCN), conjunto de práticas que permite às empresas manter atividades essenciais durante ou após um incidente, reduzindo impactos financeiros e operacionais.
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Segundo a Vultus, a maioria das organizações ainda não possui processos estruturados nessa área.
“O mercado avançou em tecnologia, mas ainda existe uma lacuna importante quando o assunto é resiliência operacional. Muitas organizações investem em prevenção, mas não possuem processos maduros para sustentar a operação quando um incidente acontece”, afirma Rodrigo Gava, CTO e membro do conselho da Vultus.
Ataques cibernéticos conseguem avançar após o acesso inicial
O levantamento também mediu o potencial de comprometimento dos ambientes corporativos por meio do KillChain Score, indicador que avalia a capacidade de um invasor avançar pelas diferentes etapas de um ataque após obter acesso inicial aos sistemas.
A pontuação média foi de 8,28 em uma escala de 0 a 10, indicando que, uma vez dentro do ambiente, os atacantes tendem a alcançar níveis relevantes de comprometimento.
Segundo a consultoria, mesmo quando um ataque é identificado ou contido, a ausência de planos atualizados de continuidade amplia os prejuízos operacionais.
Ambientes em nuvem e senhas seguem entre as principais vulnerabilidades
Entre as fragilidades identificadas pelo estudo, 38,1% das empresas apresentavam ambientes em nuvem sem autenticação multifator habilitada.
A autenticação multifator adiciona uma camada extra de segurança ao exigir mais de uma forma de verificação para acessar sistemas, reduzindo o risco de invasões por roubo de credenciais.
Além disso, 35,7% das simulações de ataques do tipo “password spraying” foram bem-sucedidas. Nessa técnica, criminosos testam uma mesma senha comum em diversas contas de usuários para tentar obter acesso sem despertar mecanismos de bloqueio.
Para a Vultus, o principal desafio das empresas deixou de ser apenas investir em tecnologias de proteção. A prioridade passa a ser desenvolver capacidade de resposta, recuperação e continuidade das operações diante de incidentes.
“Quando uma organização não consegue manter processos críticos funcionando após um incidente, o impacto deixa de ser exclusivamente tecnológico. Ele passa a afetar receita, produtividade, reputação e a própria continuidade do negócio”, afirma Rodrigo Gava.











