O contrato futuro do ouro para agosto encerrou esta sexta-feira (17) em alta de 0,67%, cotado a US$ 4.018,80 por onça-troy na Comex. Apesar da recuperação no dia, o metal acumulou perda de 2,3% na semana, após atingir a mínima desde 1º de julho, aos US$ 4.000,80, equivalente a cerca de R$ 643,14 por grama.
Segundo Mauriciano Cavalcante, especialista da Corretora Ourominas, o movimento representa uma correção após a forte valorização registrada nos últimos anos. Mesmo com a queda recente, o ouro ainda acumula alta de 21,27% em 12 meses e de aproximadamente 65% na comparação com dois anos atrás.
Na avaliação do especialista, o anúncio das tarifas de 25% sobre parte dos produtos brasileiros também adiciona um novo componente de incerteza ao mercado.
“O tarifaço de 25% anunciado pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros acrescenta outra camada de incerteza, porque pode pressionar custos, afetar fluxos comerciais e aumentar a volatilidade do câmbio. Para o investidor brasileiro, uma eventual valorização do dólar pode elevar o preço do ouro em reais, mesmo em momentos de acomodação da cotação internacional”, afirma.
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Segundo Cavalcante, embora a lista de exceções reduza o impacto direto da medida, ela não elimina seus efeitos sobre as expectativas dos investidores e sobre o comportamento das moedas.
Juros dos EUA influenciam preço do ouro
Para Cavalcante, o principal fator que influencia o mercado atualmente é a perspectiva para a política monetária dos Estados Unidos. A alta do petróleo elevou o risco de uma nova aceleração da inflação americana, reduzindo o espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed).
Como o ouro não paga juros ao investidor, taxas mais elevadas aumentam a atratividade de ativos de renda fixa, como os títulos do Tesouro americano, reduzindo o interesse pelo metal.
Ele acrescenta que uma recuperação mais consistente do ouro dependerá de inflação mais controlada, juros reais menores e enfraquecimento do dólar. Por outro lado, petróleo em alta, tarifas comerciais e uma postura mais restritiva do Fed podem continuar limitando o avanço do metal.
O especialista observa ainda que a recente correção está mais relacionada à reavaliação das expectativas para os juros do que a uma perda estrutural de importância do ouro como ativo de proteção.
Segundo ele, a proximidade da cotação de US$ 4 mil por onça estimulou a realização de lucros e também recompras de posições vendidas, ajudando o metal a recuperar parte das perdas durante o pregão.
Tarifas terão impacto limitado no Brasil, diz ASA
Na avaliação de Leonardo Costa, economista do ASA, a nova rodada de tarifas de 25% anunciada pelo governo dos Estados Unidos ficou menos abrangente do que o mercado previa inicialmente.
Segundo ele, a ampliação da lista de exceções preservou produtos relevantes para a pauta exportadora brasileira, como café, carne bovina, suco de laranja, partes de aeronaves e ferro-gusa. Ainda assim, cerca de 40% das exportações brasileiras para os Estados Unidos podem ser afetadas.
Costa afirma que o governo brasileiro iniciou os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade e avalia medidas de apoio aos setores mais expostos, enquanto mantém abertas as negociações diplomáticas.
Para o economista, o impacto sobre a balança comercial tende a ser limitado no curto prazo. Ele destaca que parte das exportações brasileiras já vem sendo redirecionada para outros mercados desde a primeira rodada de tarifas e que a valorização de commodities, como o petróleo, ajuda a compensar parte dos efeitos negativos sobre o comércio exterior.











