As empresas brasileiras responderam por quase 60% dos dividendos distribuídos na América Latina no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento da gestora Janus Henderson. No período, companhias do país pagaram aproximadamente US$ 6,3 bilhões aos acionistas, de um total de US$ 10,5 bilhões distribuídos na região.
O estudo mostra que os dividendos das empresas latino-americanas cresceram 15% em termos subjacentes na comparação com o primeiro trimestre de 2025. Esse conceito desconsidera efeitos cambiais, pagamentos extraordinários e outras variações pontuais, permitindo comparar a evolução operacional das distribuições.
O crescimento dos dividendos brasileiros foi de 9,6% na mesma base de comparação, acima da média do índice elaborado pela Janus Henderson.
Para Jane Shoemake, gestora de carteiras de clientes da equipe de Renda de Ações Globais da Janus Henderson, a solidez dos lucros em todo o mundo tem sido uma surpresa, em meio a um cenário macroeconômico cada vez mais incerto.
“Esses lucros quase sempre têm como resultado dividendos mais elevados, e é exatamente isso que estamos vendo atualmente em diversos setores e regiões”, disse Jane.
Vale impulsiona distribuição de dividendos no Brasil
Entre as empresas brasileiras, a Vale (VALE3) foi um dos principais destaques. A mineradora elevou o dividendo por ação de um total de R$ 2,66 no primeiro trimestre de 2025 para R$ 3,58 no mesmo período de 2026.
Na América Latina, o setor de mineração também impulsionou os pagamentos no México e no Chile. No México, as empresas distribuíram cerca de US$ 1,4 bilhão, lideradas pelo Grupo México. No Chile, os dividendos somaram aproximadamente US$ 2 bilhões.
Enquanto os dividendos avançaram, as recompras de ações permaneceram em um nível menor na região, totalizando US$ 1,1 bilhão. Nesse tipo de operação, a empresa compra suas próprias ações no mercado, reduzindo a quantidade de papéis em circulação e, potencialmente, aumentando a participação dos acionistas remanescentes.
Para Jane Shoemake, “os dividendos são, em geral, decisões de longo prazo do conselho de administração baseadas na sustentabilidade, enquanto as recompras de ações têm natureza mais discricionária e cíclica”.
Dividendos globais crescem mais de 10%
No cenário global, as empresas distribuíram US$ 424,5 bilhões em dividendos no primeiro trimestre de 2026, alta de 10,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Já as recompras de ações somaram US$ 425,7 bilhões, volume ligeiramente superior aos dividendos, mas 3,1% menor que o registrado um ano antes.
Segundo a Janus Henderson, esse movimento indica que as empresas mantiveram a política de remuneração aos acionistas por meio dos dividendos, enquanto passaram a adotar uma postura mais seletiva nas recompras de ações.
A gestora passou a projetar crescimento global de 8,3% nos dividendos em 2026, acima da expansão de 6,8% registrada em 2025. Em contrapartida, a expectativa para as recompras de ações foi revisada para uma queda de 1,1% neste ano.
Liderança entre países e por setores
Os Estados Unidos permaneceram como o principal mercado de distribuição de capital aos investidores. As empresas americanas pagaram US$ 183,5 bilhões em dividendos e realizaram US$ 266,7 bilhões em recompras de ações no primeiro trimestre.
Na Europa, excluindo o Reino Unido, os dividendos chegaram a US$ 67,4 bilhões, crescimento de 35,5%, impulsionado principalmente por efeitos cambiais e diferenças no calendário de pagamentos.
O setor financeiro foi o maior distribuidor de dividendos no mundo, com US$ 90,8 bilhões pagos aos acionistas no trimestre. Também liderou as recompras, que alcançaram US$ 110,7 bilhões.
Já o segmento de materiais básicos registrou o maior crescimento nos dividendos, com alta de 47,1%. Segundo a Janus Henderson, o avanço foi favorecido pela demanda por minerais utilizados em infraestrutura de inteligência artificial, como cobre e lítio.











