Na visão de gestores internacionais, a América Latina reúne condições para atrair mais capital internacional nos próximos anos, especialmente se houver uma rotação de recursos para fora dos Estados Unidos.
Durante avaliação apresentada durante o painel “América Latina e Emergentes: A Visão de Gestores Globais de Ações”, realizado nesta quinta-feira (23), na Expert XP, os participantes apontaram que a região apresenta um valuation considerado atrativo, além de oferecer oportunidades de diversificação em um cenário marcado por mudanças na economia global e pelo avanço da inteligência artificial (IA).
Apesar das diferenças de estratégia entre os gestores, houve consenso em torno de uma empresa: o Mercado Livre, citado como um dos principais destaques da região, pela sua capacidade de crescimento e pela posição consolidada no mercado latino-americano.
Recomendação para o Brasil segue neutra, mas setores chamam atenção
Na visão de Sebastián Ramirez, gerente de ações chilenas da LarrainVial Asset Management, a posição da gestora permanece neutra para o Brasil, mas a combinação de corte nos juros e uma eventual normalização das tarifas comerciais pode reforçar a possibilidade de valorização dos ativos.
Segundo ele, empresas de utilities — companhias dos setores de energia elétrica, saneamento e gás, conhecidas por receitas mais previsíveis — continuam sendo uma alternativa para momentos de maior cautela no mercado.
Ramirez também afirmou que a estratégia não depende exclusivamente de uma melhora do cenário fiscal brasileiro. Entretanto, o chileno ressaltou como o ambiente político brasileiro é incerto, o que torna difícil antecipar o impacto das eleições sobre o mercado.
“Agora temos Lula na liderança [de pesquisas eleitorais]; semanas atrás tínhamos o Flávio Bolsonaro despontando, e meses atrás apostavam no Tarcísio. Temos que seguir nos adaptando”, completou Ramirez, citando países como Argentina, Chile, Peru e Colômbia, que passaram por mudanças políticas nos últimos anos.
O gestor de portfólio da Inca Investments, Efrain Chavez, foi ainda mais enfático ao lembrar que, desde 2012, a gestora peruana nunca recomendou compra para o Brasil. “Nós focamos de baixo para cima, não olhamos especificamente para o país, mas para as empresas. É importante entender como elas aumentam seus ganhos e receitas”, disse.
Apesar disso, para ele, a América Latina se mantém como um porto seguro por não ter conflitos geopolíticos como a guerra no Oriente Médio.
América Latina tem potencial com rotação global
Para Ramirez, a América Latina pode ser beneficiada caso investidores reduzam a exposição aos ativos americanos. Segundo ele, o movimento observado no início do ano mostrou como a entrada de capital estrangeiro é capaz de alterar significativamente os preços dos ativos da região. “A América Latina oferece valor para diversificação e para estratégias defensivas”, afirmou.
Ramirez destacou que o avanço da inteligência artificial tem aumentado os fluxos globais de investimentos e pode favorecer mercados emergentes caso esse ciclo continue.
Ao analisar o cenário brasileiro, a analista para América Latina da Capital Group, Ana Reynal, considera que, no longo prazo, o mercado de ações do Brasil continua oferecendo oportunidades atrativas para os investidores.
Segundo ela, a preferência segue em empresas capazes de manter resultados mesmo em um ambiente de juros elevados, entre 14% e 15%.











