O dólar fechou esta quarta-feira (29) em queda de 0,27% frente ao real, a R$ 5,11, após o Federal Reserve (Fed) manter a taxa básica de juros entre 3,50% e 3,75% ao ano, conforme esperado pelo mercado.
A desvalorização ganhou intensidade durante a entrevista coletiva do presidente do Fed, Kevin Warsh. Embora tenha afirmado que a inflação permanece acima da meta de 2% da autoridade monetária, Warsh também reconheceu que os dados recentes surpreenderam positivamente.
Outro fator que contribuiu para a valorização do real foi o aumento do interesse pelo chamado carry trade, estratégia em que investidores tomam recursos em países com juros menores para aplicar em mercados que oferecem taxas mais elevadas.
Como o Brasil mantém juros significativamente superiores aos dos Estados Unidos, esse diferencial tende a aumentar a entrada de capital estrangeiro, fortalecendo o real quando o ambiente internacional favorece ativos de maior risco.
No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, caiu 0,47%, refletindo a perda de força da moeda americana após a decisão do Fed.
Petróleo sobe mais de 7% e ajuda o real
O petróleo Brent para outubro fechou em alta de 7,32%, cotado a US$ 88,09 por barril, após a retomada dos ataques entre EUA e Irã no Oriente Médio. O presidente Donald Trump afirmou que as forças americanas irão “atingir com força” o Irã.
A alta da commodity melhora os chamados termos de troca do Brasil, indicador que compara os preços das exportações com os das importações. Como o petróleo é um dos principais produtos exportados pelo país, sua valorização tende a aumentar a entrada de dólares na economia, o que favorece o real.
Divisão no Fed aumenta incerteza
Apesar de o Fed ter mantido os juros, a decisão revelou divergência entre os dirigentes da instituição. Beth Hammack (Fed de Cleveland), Neel Kashkari (Fed de Minneapolis) e Lorie Logan (Fed de Dallas) defenderam uma elevação de 25 pontos-base, equivalente a 0,25 ponto percentual.
Segundo dados da plataforma do CME Group, o mercado continua projetando uma alta dos juros dos EUA na reunião de setembro, com probabilidade de 71,3%.
Dados brasileiros ficaram em segundo plano
No cenário doméstico, indicadores econômicos tiveram pouca influência sobre o mercado de câmbio. O saldo positivo na geração de empregos formais, medido pelo Caged, e o superávit de US$ 1,116 bilhão na balança comercial da quarta semana de julho ficaram em segundo plano diante dos acontecimentos externos.











