A mais de 6 km da costa atual, a cidade egípcia de Thonis-Heracleion guarda portos, templos e embarcações sob a água. Redescoberta em 2000, ela foi um grande acesso marítimo ao país e hoje reúne centenas de achados náuticos, além de estruturas que ajudam a reconstruir a vida de um antigo porto comercial.
Por que essa cidade egípcia era tão importante antes de desaparecer?
Thonis-Heracleion ficava próxima a uma antiga entrada do rio que levava ao interior egípcio. Navios vindos do mundo grego passavam pelo porto antes de seguir viagem, o que transformou a cidade em um ponto comercial e aduaneiro de enorme importância.
Durante séculos, o porto recebeu mercadorias, viajantes e embarcações de diferentes origens. Essa circulação também misturou costumes egípcios e gregos, algo visível em objetos, construções e práticas religiosas encontradas nas escavações. A cidade perdeu espaço depois que um novo grande centro portuário cresceu na região.

Como uma cidade inteira acabou ficando debaixo do Mediterrâneo?
O desaparecimento não ocorreu de uma vez. A área foi sofrendo afundamento do terreno e mudanças no ambiente costeiro, enquanto partes construídas sobre sedimentos instáveis ficaram vulneráveis. Com o tempo, bairros, canais e estruturas portuárias foram engolidos pela água e permaneceram escondidos por muitos séculos.
Quando as buscas modernas localizaram a concentração de ruínas, ficou claro que se tratava de uma paisagem urbana submersa. O levantamento arqueológico encontrou restos a mais de 6 km da costa atual, incluindo uma muralha com mais de 150 metros.
O que as centenas de âncoras e embarcações revelam sobre o porto?
O volume de material náutico mostra que a movimentação de barcos era intensa. Pesquisas do sítio registraram mais de 700 âncoras, dezenas de naufrágios e, em levantamento acadêmico mais recente, 125 embarcações antigas identificadas nas águas do antigo porto e em áreas próximas.
Três vestígios ajudam a montar esse cenário:
- Âncoras: indicam áreas de parada, fundeio e circulação de embarcações.
- Cascos antigos: preservam técnicas de construção e diferentes usos dos barcos.
- Canais e bacias: mostram como o trânsito aquático era organizado dentro da cidade.

Por que nem toda embarcação encontrada ali é simplesmente um naufrágio?
Esse detalhe muda a interpretação do número total. Algumas embarcações podem ter afundado durante acidentes, mas outras parecem ter sido abandonadas, reaproveitadas ou fixadas deliberadamente. Estudos arqueológicos avaliam até a possibilidade de barcos antigos terem servido como estruturas de apoio, defesa ou recuperação de terreno.
Uma pesquisa da Universidade de Oxford reforça que o porto passou por transformações profundas ao longo dos séculos. Isso significa que cada casco precisa ser analisado dentro de seu contexto, sem tratar toda madeira encontrada no fundo como resultado do mesmo tipo de acidente.
O que ainda permanece escondido sob a baía?
As escavações já revelaram templos, estátuas, inscrições e objetos de culto, além da infraestrutura marítima. Como a antiga cidade ocupava uma área extensa, novas campanhas continuam encontrando peças capazes de esclarecer comércio, religião e construção naval em diferentes momentos da ocupação daquele trecho costeiro.
Thonis-Heracleion acabou preservada de uma maneira incomum: aquilo que fez a cidade desaparecer também manteve boa parte de seus vestígios sob sedimentos. Hoje, ruas aquáticas, portos e barcos formam um conjunto que permite reconstruir como funcionava uma grande porta marítima do antigo Egito.











