A Usiminas triplicou (+236%) o seu lucro líquido no segundo trimestre para R$ 428 milhões, em um resultado 34% acima da média das projeções, mas o resultado não foi suficiente para impulsionar os papéis da companhia nesta quinta-feira (30). A revisão para baixo no plano de investimentos (capex) para 2026 faz a companhia liderar entre as maiores perdas do Ibovespa.
Às 14h35, os papéis USIM5 caíam 6,01%, a R$ 7,82, destoando do desempenho do Ibovespa nesta quinta, que sobe 1,18%, aos 175.972,79 pontos e conta com apenas 12 ações em queda.
A Usiminas reduziu seu guidance de capex para uma faixa entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,4 bilhão em 2026. A previsão anterior, divulgada em fevereiro, era de R$ 1,4 bilhão a R$ 1,6 bilhão.
Durante teleconferência com analistas, o diretor financeiro (CFO), Diego García, afirmou que a decisão busca preservar a disciplina financeira da empresa, manter uma posição robusta de caixa e priorizar projetos com maior retorno econômico.
Segundo o executivo, a redução do orçamento não altera o cronograma de projetos considerados estratégicos, como os investimentos nas baterias de coque e no gasômetro da companhia.
Guidance aponta custos maiores no terceiro trimestre
Para o terceiro trimestre, a Usiminas projeta estabilidade dos resultados da siderurgia, desconsiderando efeitos extraordinários registrados no segundo trimestre.
A companhia espera aumento das vendas de aço no mercado interno e preços maiores para clientes industriais. No entanto, esse efeito deve ser compensado pelo aumento dos custos de matérias-primas, principalmente carvão, coque e placas de aço.
Na mineração, a expectativa é de queda no volume de vendas de minério de ferro, enquanto os custos logísticos devem continuar elevados.
Segundo a empresa, o frete marítimo da rota C3 representa atualmente cerca de 33% do preço internacional do minério de ferro, aproximadamente 10 pontos percentuais acima da média histórica recente.
BTG vê trimestre mais fraco e espera revisões nas projeções
Na avaliação do BTG Pactual, os resultados do segundo trimestre ficaram abaixo das expectativas quando desconsiderados os efeitos não recorrentes.
Segundo o banco, o Ebitda de R$ 761 milhões foi beneficiado por cerca de R$ 70 milhões em ganhos extraordinários relacionados à venda de ativos e ajustes no plano de pensão. Excluindo esses efeitos, o Ebitda recorrente teria sido de aproximadamente R$ 691 milhões, cerca de 3% abaixo da estimativa da instituição.
O BTG destacou que o guidance para o terceiro trimestre, que aponta estabilidade operacional, ficou abaixo da expectativa do mercado, que projetava crescimento sequencial do Ebitda.
Na divisão de aço, o banco ressaltou que o Ebitda recorrente alcançou R$ 618 milhões, com margem de aproximadamente 10%, enquanto a mineração apresentou Ebitda de R$ 71 milhões, queda de 36% em relação ao trimestre anterior, pressionada pelo aumento do frete marítimo.
Apesar da revisão para baixo do capex, que reduz a necessidade de desembolsos ao longo do ano, a instituição acredita que o guidance pode levar analistas a revisarem para baixo suas projeções de resultados para os próximos trimestres.
O BTG manteve recomendação neutra para as ações da Usiminas, afirmando que ainda vê desafios para uma recuperação mais consistente do setor siderúrgico brasileiro.
Outros destaques do balanço da Usiminas
A receita líquida atingiu R$ 6,13 bilhões, queda de 7% em relação ao segundo trimestre de 2025, mas crescimento de 4,4% frente ao primeiro trimestre deste ano. Segundo a companhia, a melhora trimestral foi impulsionada pelas divisões de siderurgia e mineração.
A companhia encerrou o trimestre com caixa líquido de R$ 499 milhões, aumento de 27,8% frente aos R$ 391 milhões registrados no trimestre anterior. O fluxo de caixa operacional líquido ficou positivo em R$ 358 milhões, impulsionado pela geração operacional. Já o fluxo de caixa livre atingiu R$ 35 milhões.
Os investimentos realizados no trimestre somaram R$ 323 milhões, alta de 13,4% sobre o trimestre anterior e queda de 3% na comparação anual.
O indicador de alavancagem, que mede a relação entre dívida líquida e Ebitda, permaneceu negativo em -0,22 vez, indicando que a empresa possui mais caixa do que dívida.











