As próximas 48 horas da SpaceX serão as mais decisivas para a companhia desde a listagem na Nasdaq no início de junho. A empresa de Elon Musk divulga nesta terça-feira (4) seu primeiro balanço trimestral que, segundo a Bloomberg, deve reportar receita de US$ 6,81 bilhões, acima dos US$ 4,7 bilhões registrados no trimestre anterior.
Para o trimestre, a Bloomberg também projeta um prejuízo ajustado por ação de US$ 0,24 e um Ebitda (lucro da empresa antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de US$ 2 bilhões.
Além dos números, investidores devem acompanhar as projeções da administração para os próximos trimestres, especialmente em relação aos investimentos em inteligência artificial, ao desenvolvimento do foguete Starship e à expansão da rede de satélites Starlink.
O segundo ponto de atenção para a SpaceX é o fim da primeira etapa do lock-up — período em que os acionistas iniciais ficam impedidos de vender suas ações após o IPO (oferta pública inicial de ações) — marcado para quinta-feira (6).
A data deve ampliar a volatilidade das ações da companhia, que, desde o IPO, já perdeu mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado desde a máxima histórica registrada poucos dias depois da estreia na Bolsa.
Fim do lock-up pode ampliar volatilidade
Com o vencimento da restrição, mais de 900 milhões de ações poderão ser negociadas no mercado, quantidade superior ao dobro do volume atualmente disponível para compra e venda.
Segundo Patrick Corrigan, professor da Universidade de Notre Dame especializado em ofertas públicas iniciais, “estudos mostram que o fim desses períodos costuma provocar queda média de cerca de 1,5% nas ações devido ao aumento da oferta de papéis”, disse ao The New York Times.
O processo de liberação das ações da SpaceX será escalonado ao longo dos próximos meses. O maior lote, de aproximadamente 1,3 bilhão de ações, será liberado após a divulgação dos resultados financeiros do segundo semestre.
Morgan Stanley vê potencial de recuperação, mas alerta para pressão
Em relatório recente, o analista Adam Jonas, do Morgan Stanley, afirmou que as ações podem recuar até US$ 100 no curto prazo.
Ao mesmo tempo, Jonas mantém uma avaliação de US$ 300 por ação para a empresa no longo prazo, argumentando que o mercado vive um descompasso entre fundamentos e sentimento dos investidores.
Segundo ele, não houve mudanças relevantes nos fundamentos da companhia desde o IPO. O movimento recente estaria mais relacionado ao aumento das apostas pessimistas e à realização de lucros após a forte valorização inicial.











