A SpaceX, dona do maior IPO (Oferta Pública de Ações, na sigla em inglês) da história, enfrenta um momento difícil. Os papéis SPCX já perderam quase metade do valor atingido na máxima (US$ 225,64), registrada quatro dias após sua estreia na Bolsa de Valores — realizada em 12 de junho.
A desvalorização destroçou o valor de mercado da companhia de Elon Musk em mais de US$ 1,2 trilhão (R$ 6,16 trilhões). A nível de comparação, todas as companhias do Ibovespa somadas (cerca de R$ 4,77 trilhões) não chegam a esse montante.
O movimento é atribuído a uma soma de fatores que envolvem a incerteza no cenário geopolítico, a preocupação do mercado com os gastos relacionados à inteligência artificial (IA) e dois eventos considerados decisivos que estão prestes a acontecer, de acordo com analistas.
Na próxima semana, ocorrerá a divulgação do primeiro balanço desde a abertura de capital, na terça-feira (4), e, dois dias depois, chegará ao fim o primeiro período de lock-up, quando investidores iniciais passam a poder vender parte de suas ações.
Uma reportagem do site Invezz diz que, com o encerramento da restrição, até 911,5 milhões de ações poderão ser negociadas, o que equivale a cerca de 20% dos papéis elegíveis. Esse volume supera as aproximadamente 629 milhões de ações vendidas durante o IPO. Em um ano, mais de 6,4 bilhões de ações se tornarão elegíveis para negociação.
Mercado de opções mostra busca por proteção
Apesar de investidores de varejo seguirem comprando opções de compra (calls), grandes investidores demonstraram comportamento mais cauteloso. Nesta segunda-feira (27), foram negociados aproximadamente:
- 106 mil contratos de compra (calls);
- 77 mil contratos de venda (puts).
Segundo a CNBC, embora o número de calls tenha sido maior, a maior parte dos US$ 442 milhões em prêmios movimentados concentrou-se nas opções de venda (puts), indicando aumento da demanda por proteção contra novas quedas.
Wall Street continua otimista com a SpaceX
Apesar da forte desvalorização das ações da SpaceX, o consenso de Wall Street continua favorável. Segundo dados compilados pela Bloomberg, cerca de 80% dos analistas recomendam a compra dos papéis, com preço-alvo médio de US$ 232, acima da cotação atual.
Entre as instituições com recomendação equivalente à compra estão Morgan Stanley, Goldman Sachs, Bank of America, Citigroup e JPMorgan Chase, bancos que também participaram da oferta pública inicial da companhia.
O Morgan Stanley afirmou que parte dos investidores acredita que a ação pode cair para US$ 100 após o vencimento do lock-up. Nesse patamar, o mercado estaria atribuindo pouco ou nenhum valor ao segmento de IA da companhia. Ainda assim, o banco mantém preço-alvo de US$ 300, sendo mais da metade dessa avaliação baseada no potencial das operações de inteligência artificial.











