A sequência de sete pregões consecutivos de queda do Ibovespa entre 3 e 12 de agosto eliminou R$ 279 bilhões em valor de mercado das empresas listadas na B3, segundo levantamento da Elos Ayta. O montante equivale a cerca de 90% da Vale (VALE3), estimada em aproximadamente R$ 311 bilhões.
No período, o principal índice da Bolsa brasileira acumulou queda de 5,9%, passando de 178.000,24 pontos para 167.491,07 pontos. Nesta quinta-feira (13), porém, o Ibovespa abre o dia em alta de 0,30%.
A perda nos últimos dias ocorreu em um período de maior cautela com ativos brasileiros, em meio a preocupações com o cenário doméstico, incertezas relacionadas ao processo eleitoral e redução da exposição de investidores estrangeiros à Bolsa.

Bancos concentram R$ 100 bilhões das perdas
Entre os segmentos analisados, os bancos apresentaram a maior redução de valor de mercado. As 18 instituições que compõem o setor perderam, juntas, R$ 100,1 bilhões em valor de mercado no período.
O montante corresponde a aproximadamente o valor de um Banco do Brasil, cuja capitalização está próxima de R$ 108 bilhões. Na sequência apareceram:
- Energia Elétrica: perda de R$ 37,4 bilhões;
- Exploração, Refino e Distribuição: R$ 35,8 bilhões;
- Seguradoras: R$ 15,3 bilhões;
- Cervejas e Refrigerantes: R$ 14,2 bilhões;
- Serviços Médico-Hospitalares: R$ 10,7 bilhões.
Somados, esses seis segmentos perderam R$ 213,6 bilhões, o equivalente a 76,5% de toda a redução de valor de mercado das companhias listadas na B3 durante os sete pregões.
Três setores respondem por 62% da perda
Bancos, Energia Elétrica e Exploração, Refino e Distribuição concentraram R$ 173,3 bilhões em perdas de valor de mercado. O montante representa aproximadamente 62% da redução total registrada pela Bolsa no período.
Outra comparação feita pela Elos Ayta ajuda a dimensionar o movimento: os R$ 213,6 bilhões perdidos pelos seis setores correspondem a cerca de 96% do valor de mercado do BTG Pactual, estimado em R$ 224 bilhões.
Queda do Ibovespa não significa saída de R$ 279 bilhões
A redução de R$ 279 bilhões representa a perda de valor de mercado provocada pela desvalorização das ações. Isso não significa, necessariamente, que esse mesmo montante tenha saído da Bolsa por meio de vendas ou resgates. O valor de mercado é calculado a partir da cotação dos papéis e da quantidade de ações em circulação.
Ainda assim, o indicador ajuda a dimensionar a intensidade da reprecificação dos ativos, processo em que o mercado ajusta os preços das empresas diante das novas expectativas de risco e retorno.
O movimento ocorreu paralelamente à saída de recursos estrangeiros. Segundo dados da B3, os investidores estrangeiros retiraram R$ 11,9 bilhões da Bolsa em agosto até 11 de agosto.
Para a consultoria, a concentração das perdas em grandes segmentos e a dimensão da redução do valor de mercado indicam que a sequência de quedas do Ibovespa representa um movimento de reavaliação dos preços das empresas brasileiras.











