Os mercados globais operam sem direção única nesta quinta-feira (13), em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, com o impasse entre Estados Unidos e Irã, e à expectativa pelo reporte sobre a inflação dos Estados Unidos, após o CPI, divulgado ontem, reforçar a percepção de que o Federal Reserve (Fed) não deve elevar os juros em setembro.
O foco agora está no PPI, que pode calibrar novamente as expectativas para a próxima decisão do Banco Central americano. O indicador é especialmente relevante por sua influência sobre o núcleo do PCE, principal medida de inflação acompanhada pelo Fed.
Em paralelo, o impasse em Ormuz continua sustentando os riscos para a inflação e a volatilidade do petróleo. A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico afirmou que a passagem continua bloqueada e que não será reaberta enquanto as condições do Irã não forem aceitas. A declaração ocorreu após o presidente americano, Donald Trump, afirmar que os Estados Unidos têm “controle total” sobre a rota estratégica.
Nesta quinta-feira, Hossein Taeb, recém-nomeado chefe da unidade paramilitar Basij, apresentou uma versão oposta. Segundo a agência semioficial Fars, ele afirmou que o Estreito de Ormuz está “sob a gestão e o controle da República Islâmica”. Taeb também acusou os Estados Unidos de tentar prejudicar a popularidade do regime iraniano na região.
Enquanto isso, as negociações entre Washington e Teerã continuam travadas. Segundo a Reuters, uma fonte de alto escalão do governo iraniano afirmou que não houve avanço nas conversas para revitalizar o acordo de paz provisório firmado em junho. Entre os temas discutidos por mediadores estão o retorno dos Estados Unidos ao acordo e a definição de um prazo para o cumprimento de seus compromissos.
Os dados de navegação corroboram a percepção de que a passagem pelo estreito permanece fortemente comprometida. Dados da Kpler analisados pela CNBC mostram média de cerca de 13 embarcações por dia nos cinco dias encerrados na terça-feira, perto da mínima em três meses e do menor nível desde 12 de maio. O levantamento considera todos os tipos de navios, de cargueiros a petroleiros. O fluxo está cerca de 90% abaixo da média diária de 130 embarcações registrada antes dos ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro.
As tensões geopolíticas também avançam no Mar Negro. A Ucrânia atacou terminais russos de exportação de grãos no porto de Novorossiysk, danificando estruturas de armazenamento e afirmando ter atingido diversos navios de guerra russos. A Rússia, maior exportadora mundial de trigo, alertou para o risco de interrupções no fornecimento global de alimentos diante do aumento das ameaças à navegação na região.
Brasil: Varejo deve reforçar sinais de perda de ritmo da economia
No Brasil, o mercado acompanha a divulgação das vendas do comércio de junho pelo IBGE, depois de indicadores de serviços reforçarem os sinais de perda de ritmo da atividade econômica. As vendas no varejo subiram 0,5% em junho na série com ajuste sazonal. Na comparação anual, o varejo avança 2,9%, após registrar alta de 0,4%.
A mediana das projeções Broadcast apontava para queda de 1,4% do varejo ampliado na comparação com maio, quando houve retração de 0,2%.
A Capital Economics vê perda rápida de impulso da economia brasileira e considera que a combinação de atividade mais fraca e desinflação reforça o argumento para um novo corte de juros em setembro.
A consultoria deve reduzir sua projeção para o PIB do segundo trimestre, de 0,7% para uma faixa entre 0,4% e 0,5%. Na curva de juros, a aposta predominante segue sendo de uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica em setembro.
Manchetes desta manhã
- BC multa Genial em R$ 21,6 mi e inabilita CEO (Valor)
- PF faz operação contra lavagem de dinheiro de bets; Nelson Wilians é um dos alvos (Folha)
- IA pode adicionar R$ 1 tri ao PIB até 2030, diz estudo da OpenAI (Estadão)
- Com nova regra fiscal, governo pode liberar até R$ 8 bi da saúde para outros gastos em 2027 (O Globo)
- Inteligência artificial concentra fluxo para emergentes asiáticos e deixa Brasil distante de líderes (Valor)
Mercado global tem desempenho misto à espera do PPI dos EUA
Em Nova York, os índices futuros abriram em alta, após o CPI de julho reforçar as apostas de que o Federal Reserve (Fed) manterá os juros na próxima reunião. Agora, investidores aguardam o PPI de julho, que pode ajudar a calibrar as expectativas para a política monetária americana.
Já as bolsas europeias operam mistas, com viés positivo, enquanto investidores avaliam resultados corporativos e indicadores econômicos.
Entre os destaques, Maersk avançava 5,89% após apresentar balanço robusto e elevar as projeções para o ano. Na ponta negativa, Antofagasta recuava 4,57%, apesar da alta no lucro, pressionada pela redução do guidance de produção.
Na Ásia, as praças tiveram desempenho misto, em meio à forte valorização das ações de tecnologia. Na Coreia do Sul, o Kospi saltou 3,56%, impulsionado pelo setor de semicondutores. Entre os destaques, Samsung avançou 5,09%, SK Hynix subiu 7,58% e LG Innotek ganhou 4,47%. No Japão, a Kioxia Holdings disparou 8,50%, acompanhando o movimento das empresas ligadas à cadeia de chips.
Além dos resultados corporativos, investidores monitoram as perspectivas de retorno aos acionistas, com expectativa de que Samsung e SK Hynix anunciem em breve planos de distribuição de dividendos mais robustos.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,19%
- FTSE 100: -0,22%
- CAC 40: +0,19%
- Nikkei 225: +1,16%
- Shanghai SE Comp: -0,50%
- Hang Seng: -0,17%
- Ouro (jun): -0,56%, a US$ por 4.442,59 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,03%, aos 99,95 pontos
- Bitcoin: -0,85% a US$ 63.566,8
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros recuam abaixo dos US$ 90, pressionados pelo forte aumento dos estoques de petróleo bruto nos EUA. Dados do DoE mostraram alta de 17,4 milhões de barris na semana passada, para 424,4 milhões de barris.
Projeções de demanda mais fraca da Opep+ e da AIE também limitam os preços, enquanto o impasse sobre a reabertura do Estreito de Ormuz mantém os riscos de oferta no radar.
O Brent/outubro cai 1,92%, negociado a US$ 87,27 e o WTI/setembro perde 2,19%, a US$ 81,45. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,21% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 104,54/ton
Cenário internacional – Reino Unido cresce e mercado monitora guerra
Além do PPI, dos dados de vendas do comércio e dos balanços corporativos, a agenda dos Estados Unidos nesta quinta-feira inclui os pedidos semanais de auxílio-desemprego, às 9h30. A expectativa é de 204,5 mil solicitações, acima das 199 mil registradas na semana anterior.
O mercado também acompanha os discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed), Beth Hammack, do Fed de Cleveland, fala às 9h15, enquanto Tom Barkin, do Fed de Richmond, participa de evento às 9h40.
Na Europa, a economia do Reino Unido cresceu 0,4% no segundo trimestre, na comparação com os três meses anteriores, segundo a agência de estatísticas ONS. O resultado mantém o ritmo de expansão observado no início do ano, após alta de 0,6% no primeiro trimestre — o maior avanço entre os países do G7 naquele período.
O desempenho também superou o crescimento dos Estados Unidos no segundo trimestre, apesar das incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio. A libra, porém, recuou, com as preocupações relacionadas ao conflito prevalecendo sobre o dado positivo de atividade.
No front geopolítico, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, afirmou que Kiev apresentou aos negociadores americanos novas propostas para um plano destinado a encerrar a guerra com a Rússia. Segundo ele, Moscou poderia utilizar as eleições parlamentares previstas para o próximo mês como justificativa para uma nova mobilização de tropas.
A apresentação das propostas ocorre enquanto as negociações de paz permanecem praticamente paralisadas desde o início do conflito com o Irã. Ao mesmo tempo, há indicações de que representantes dos Estados Unidos devem visitar em breve tanto a Rússia quanto a Ucrânia para discutir os próximos passos das tratativas.
Brasil: STF discute socorro ao BRB
No Brasil, entre os destaques da agenda, o Banco Central realiza às 11h30 uma oferta de até 50 mil contratos de swap cambial, equivalentes a US$ 2,5 bilhões, para a rolagem dos vencimentos de setembro. Às 11h45, o Tesouro Nacional promove o leilão semanal de NTN-F e LTN.
Na agenda das autoridades, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa da abertura do evento “30 anos de atuação do FGC”, promovido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), em São Paulo.
No Judiciário, o Supremo Tribunal Federal (STF) realiza às 16h15 uma nova reunião de conciliação sobre o socorro ao Banco de Brasília (BRB). O encontro será conduzido pelo ministro Luiz Fux e aberto à imprensa. O banco afirma precisar de recursos até o fim deste mês para manter suas operações.
O impasse envolve um aporte de R$ 6,6 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com garantias de um consórcio formado pelos maiores bancos do país. As instituições financeiras resistem à operação e afirmam que ainda não receberam todas as informações necessárias para avaliar o socorro. Entre os documentos solicitados estão as demonstrações financeiras auditadas de 2025 e do primeiro semestre de 2026.
O BRB, que não divulga balanço desde o fim do ano passado, afirma que os bancos envolvidos na operação e o Banco Central têm acesso à sua contabilidade. O governo do Distrito Federal, por sua vez, acusa o FGC e a União de inércia diante da situação.
Na frente fiscal, o Senado aprovou nesta quarta-feira um projeto de lei complementar que estabelece regras para compensar a renúncia de receitas da União destinada a amenizar os efeitos da alta dos preços do petróleo. O texto também incorporou mecanismos de controle de gastos públicos que podem gerar cerca de R$ 10 bilhões em economia no próximo ano.
A proposta segue agora para sanção presidencial e reúne ainda medidas relacionadas a minerais críticos, fertilizantes e à Copa do Mundo Feminina de Futebol. O texto também prevê o diferimento do IBS e da CBS sobre produtos agropecuários in natura e altera critérios para a classificação de empresas consideradas preponderantemente exportadoras.
Destaques do mercado corporativo
- Vale: antecipou para o primeiro semestre de 2028 o início do projeto CPF, em Salobo (PA), que elevará a capacidade em 6 milhões de toneladas/ano e adicionará até 30 mil toneladas/ano de cobre.
- Raízen: protocolou na CVM pedido para converter seu registro de emissor da categoria B para A, no contexto da reestruturação societária e do plano de recuperação extrajudicial.
- Taesa: concluiu a aquisição de cinco transmissoras da Energisa por R$ 1,638 bilhão, adicionando R$ 305 milhões em receita anual permitida e 1,3 mil km de linhas.
- Stone: será excluída do MSCI Brazil em 1º de setembro, sem substituição; a XP estima fluxo de saída de aproximadamente US$ 100 milhões associado à mudança.











