O setor de fertilizantes deverá receber um crédito de R$ 4 bilhões, dentro dos R$ 18,5 bilhões previstos na terceira etapa do Plano Brasil Soberano, em proposta que será apreciada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) nesta quarta-feira (26), conforme anunciou o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, durante a abertura do 13º Congresso Brasileiro de Fertilizantes, promovido pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) em São Paulo, na terça-feira (25).
A parcela destinada ao segmento será utilizada em operações de financiamento e capital de giro, por meio de linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O programa contempla empresas atingidas pelo tarifaço dos Estados Unidos e pelos efeitos de guerras, tensões geopolíticas e problemas logísticos internacionais.
O tema ganha mais relevância em um cenário de dependência das importações para garantir grande parte do abastecimento de adubos. Segundo Elias Alves Lima, presidente do Conselho de Administração da ANDA, o país compra do exterior quase 90% dos fertilizantes que utiliza.
Mesmo diante de conflitos internacionais, crises geopolíticas e entraves logísticos, o mercado interno conseguiu manter o fornecimento.
“De janeiro a maio deste ano, foram entregues 15,46 milhões de toneladas, volume suficiente para atender às necessidades do período. Esse resultado ajudou a preservar aquilo que o Brasil tem de mais estratégico: a força do seu agronegócio, que continua alimentando nosso país e contribuindo decisivamente para a segurança alimentar mundial”, afirmou.
Lima também ressaltou a importância do congresso da ANDA como principal encontro do setor no país, reunindo representantes para discutir conhecimento, inovação, diálogo e estratégias para os próximos anos.
Programa pode ampliar produção nacional de fertilizantes
Além do crédito previsto no Plano Brasil Soberano 3, Alckmin informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá sancionar nos próximos dias o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) e o Projeto de Lei Complementar (PLP) 114/2026, ambos já aprovados pelo Congresso Nacional.
O Profert cria mecanismos de crédito fiscal voltados à produção de fertilizantes no Brasil. Já o PLP 114 estabelece instrumentos para reduzir ou suspender tributos federais incidentes sobre combustíveis em momentos de alta internacional do petróleo.
Produção brasileira no centro da estratégia
Também durante o congresso, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Geraldo Melo Filho, defendeu uma atuação coordenada entre governos, empresas, centros de pesquisa e os demais participantes do agronegócio.
Na avaliação do secretário, o país possui recursos e conhecimento para aumentar a produção e precisa transformar essa capacidade em uma política de Estado de longo prazo.
“Temos em São Paulo todos os elos da cadeia produtiva do agro. A vocação do Brasil é rural. Nosso agro tem pessoas preparadas, tecnologia, pesquisa e extensão para produzir cada vez mais. É importante que todos trabalhem juntos em um projeto de Estado com visão de futuro”, afirmou.
Melo Filho também cobrou uma execução eficiente do Plano Nacional de Fertilizantes (PNF) e apontou a aprovação do Profert e do PLP 114 como passos para ampliar a produção brasileira de adubos.
Na mesma linha, o secretário-executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária, Cleber Soares, destacou que a necessidade de aumentar a oferta acompanha o crescimento da produção agrícola. “Na última safra, produzimos mais de 1,2 bilhão de toneladas de produtos agrícolas. Para isso, precisamos do adubo”, afirmou.
Soares citou ainda o programa de recuperação de terras degradadas, que atua sobre 1,5 milhão de hectares por ano. Conforme essa iniciativa avançar, a demanda por fertilizantes também deverá aumentar, elevando a necessidade de oferta desses insumos.
Bioinsumos ganham espaço
Outro ponto destacado pelo secretário-executivo foi a expansão da produção nacional de bioinsumos. De acordo com Soares, o Brasil produziu quase 1.300 bioinsumos nos últimos quatro anos, sendo que parte deles é formada por fertilizantes.
“O Brasil é protagonista nos três grandes desafios do mundo: segurança alimentar, segurança energética e segurança climática”, afirmou.
A combinação entre recuperação de áreas degradadas, aumento da produção agrícola e expansão dos bioinsumos reforça, dentro da agenda apresentada no congresso, a necessidade de ampliar a disponibilidade de fertilizantes no mercado brasileiro.
Governo busca reduzir dependência da importação de fertilizantes
Em mensagem exibida em vídeo durante o evento, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, defendeu políticas capazes de diminuir a vulnerabilidade provocada pela dependência de fornecedores estrangeiros. Entre as iniciativas mencionadas está a reativação de unidades industriais que estavam paralisadas.
A retomada dessas plantas pode elevar a produção doméstica e contribuir para reduzir a dependência externa em um segmento diretamente ligado à produtividade do agronegócio.











