Os investimentos das pessoas físicas no Brasil chegaram a R$ 9,1 trilhões ao final do primeiro semestre, alta de 6,4% em relação a dezembro de 2025. Os dados foram divulgados pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) nesta quinta-feira (3).
O levantamento considera os recursos de clientes do varejo tradicional, varejo de alta renda e private. Este último reúne investidores com mais de R$ 5 milhões aplicados.
Entre os segmentos, o varejo de alta renda apresentou o maior crescimento no semestre, de 7,8%, e encerrou junho com R$ 3,4 trilhões investidos. O segmento representa 36,9% do patrimônio total. O varejo tradicional, com participação de 32,8%, avançou 6,1%, para R$ 3 trilhões. Já o private responde por 30,3% do total. O patrimônio chegou a R$ 2,8 trilhões após crescimento de 5,2%.
Varejo tradicional aumenta exposição a investimentos
O varejo tradicional ampliou em 7,3% os investimentos em títulos e valores mobiliários, chegando a R$ 1,3 trilhão.
A categoria inclui produtos como títulos públicos, ações, CDBs, LCIs e LCAs. O segmento representa 30% do volume total aplicado por pessoas físicas nesses produtos.
Entre as principais altas, os investimentos do varejo tradicional em títulos públicos cresceram 27,4%, enquanto as aplicações em LCIs avançaram 21,2%. A exposição a ações aumentou 12,1%.
Segundo Luciane Effting, presidente do Fórum de Distribuição da Anbima, “O aumento da participação do investidor de varejo em produtos mais sofisticados, como ações, e LCIs, reflete um fortalecimento da educação financeira. Cada vez mais, os brasileiros demonstram maior conhecimento sobre as alternativas disponíveis e apetite para diversificar suas aplicações”.
Títulos públicos lideram avanço na renda fixa
Os títulos públicos registraram crescimento de 32,9% no primeiro semestre, considerando todos os segmentos.
No private, o avanço foi de 56,9%. No varejo tradicional, chegou a 27,4%, enquanto no varejo de alta renda foi de 26%. Effting atribui o movimento ao ambiente de juros elevados e também ao aumento do acesso das pessoas físicas aos títulos públicos.
No private, o número de contas em títulos públicos cresceu quase 60% no semestre. No varejo, a expansão também foi associada à simplificação das plataformas e à criação de produtos voltados a objetivos específicos, como Tesouro Educa+ e Renda+.
LCIs ganham espaço entre produtos isentos
Os investimentos em produtos isentos de Imposto de Renda, como LCIs, LCAs, CRIs, CRAs e debêntures incentivadas, chegaram a R$ 1,5 trilhão. O montante representa crescimento de 2% em relação a dezembro de 2025.
Entre esses produtos, a LCI teve destaque, com R$ 515,8 bilhões aplicados e crescimento de 13,7%. No varejo tradicional, a alta chegou a 21,2%. No private, o aumento foi de 10,9%, enquanto no varejo de alta renda ficou em 8,4%.
ETFs têm maior crescimento percentual, enquanto fundos de investimento também sobem
Os ETFs (fundos de índice) apresentaram o maior crescimento percentual entre os segmentos analisados pela Anbima. O patrimônio aplicado nesses produtos cresceu 38,8%, para R$ 25,4 bilhões.
No varejo, a alta foi de 41,3%. Entre os investidores private, o avanço chegou a 31%. Apesar do crescimento, os ETFs ainda representam 1,1% do patrimônio da indústria de fundos.
Já o patrimônio dos fundos de investimento também chegou a R$ 2,2 trilhões, alta de 9,6% no primeiro semestre. O varejo tradicional registrou crescimento de 15,8%, seguido pelo de alta renda, com 10,1%, e pelo private, com 6,6%.
Entre os fundos estruturados, os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) cresceram 24,2% no varejo. Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) avançaram 23,3%, enquanto os Fundos de Investimento em Participações (FIPs) subiram 23%.
No private, os FIPs cresceram 31,5% e os FIIs, 30,4%. Os FIDCs tiveram alta de 8%.
Effting afirma que os movimentos têm razões diferentes entre os segmentos. No varejo, o crescimento dos FIIs foi associado à renda recorrente e isenta e ao aumento das ofertas públicas, que mais que dobraram no semestre. No private, a busca esteve relacionada à diversificação em ativos alternativos e de menor liquidez.
Investimento em ações também cresce no varejo
As aplicações em ações somaram R$ 816,9 bilhões no primeiro semestre, alta de 1,2%. Entre os investidores do varejo, o volume cresceu 7,1%. No private, houve queda de 1,5%.
“Vemos um investidor mais disposto a diversificar seu patrimônio. Isso mostra uma relação cada vez mais próxima da pessoa física com o mercado de capitais”, explica Effting.











