A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou em 8 de setembro de 2026 o Aquipta (atogepante), novo comprimido oral para prevenção de enxaqueca. O medicamento pertence à classe dos antagonistas do receptor do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP), a mesma usada nos anticorpos monoclonais injetáveis já disponíveis no país, mas com a vantagem da administração oral. A informação foi publicada pela Veja.
Aquipta bloqueia o receptor CGRP
O Aquipta atua bloqueando o receptor do CGRP, proteína envolvida na dilatação dos vasos e na transmissão da dor durante as crises. Na União Europeia, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) aprovou o medicamento para profilaxia em adultos com pelo menos quatro dias de enxaqueca por mês.
Essa frequência é o critério clínico que separa pacientes com enxaqueca episódica de alta frequência ou crônica, público que mais se beneficia de um tratamento preventivo contínuo.
Planos de saúde e SUS: cobertura não obrigatória
Na saúde suplementar, a cobertura de medicamentos orais de uso domiciliar não é obrigatória, salvo as exceções previstas na Lei 9.656/98, conforme entendimento da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O Aquipta não se enquadra nessas exceções, portanto os planos não precisam custeá-lo.
No SUS, a incorporação depende de avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC) e, até 10 de setembro de 2026, não havia registro público de pedido ou recomendação para o atogepante. Enquanto isso, a rede pública mantém opções orais de baixo custo para prevenção, como propranolol, topiramato e amitriptilina, que continuam sendo a primeira linha antes de tratamentos mais caros.
A chegada do Aquipta amplia o leque de opções contra a enxaqueca, mas o acesso dependerá das decisões de precificação da AbbVie no Brasil e de eventuais avaliações futuras de incorporação. Pacientes com crises frequentes devem discutir com neurologistas se o perfil clínico justifica o investimento, sobretudo enquanto não houver cobertura obrigatória nos planos de saúde ou no SUS.
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