Os mercados globais operam com desempenho misto nesta sexta-feira (11), em uma sessão marcada pela cautela antes da divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) de agosto nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a escalada do conflito no Oriente Médio volta a pressionar as perspectivas para o petróleo, após o avanço dos houthis, grupo apoiado pelo Irã, sobre uma importante área portuária do Iêmen.
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Na quinta-feira (10), relatos de que os houthis haviam avançado sobre Mokha, cidade portuária estratégica na costa oeste do Iêmen, deram impulso às cotações do petróleo. O grupo assumiu o controle da cidade no litoral do Mar Vermelho, ampliando a influência de Teerã em um ponto estratégico e elevando a pressão sobre a Arábia Saudita. A movimentação também aumenta os riscos para o fluxo de petróleo por dois estreitos fundamentais para o mercado global: Bab-el-Mandeb, que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden, e Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico.
Após disparar cerca de 6% na véspera, o petróleo opera em queda nesta sexta-feira, depois de uma madrugada volátil. A correção, contudo, não retira os contratos dos níveis elevados alcançados com a escalada do conflito. Ao mesmo tempo, a revisão para baixo das projeções de demanda da Agência Internacional de Energia (AIE) adiciona pressão às cotações, indicando que o encarecimento da commodity já começa a afetar o consumo.
A AIE passou a estimar que a oferta e a demanda globais de petróleo recuarão mais do que o previsto neste ano em razão da guerra com o Irã. A recuperação completa do fornecimento de petróleo no Golfo deverá ficar para 2027, enquanto a oferta global deverá sofrer uma redução de 5,7 milhões de barris por dia em 2026, ou cerca de 6%, ante uma queda de aproximadamente 4% projetada anteriormente.
Os estoques globais de petróleo também recuaram 3,1 milhões de barris por dia em agosto. Segundo a AIE, até o momento, os estoques têm desempenhado papel fundamental para equilibrar o mercado diante das interrupções no fornecimento.
Em meio às preocupações inflacionárias, os mercados acompanham a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos, dado-chave para os próximos passos do Federal Reserve (Fed). O CPI avançou 0,4% na margem, em linha com o consenso, após alta de 0,1% na leitura anterior. Em 12 meses, o índice acumulou alta de 3,4%, também conforme as expectativas e no mesmo ritmo registrado anteriormente.
No núcleo do CPI, que exclui os itens mais voláteis, a alta mensal foi de 0,3%, acima dos 0,2% registrados na leitura anterior e do consenso, de 0,2%. Em 12 meses, o núcleo avançou 2,4%, abaixo dos 2,5% observados anteriormente e em linha com a expectativa do mercado.
O mercado projetava alta de 0,4% no CPI cheio em agosto e avanço de 3,4% em 12 meses. Para o núcleo, a expectativa é de aumento de 0,2% no mês e de 2,4% em 12 meses. Segundo o BTG Pactual, a composição do núcleo do CPI será especialmente importante para estimar o comportamento do núcleo do PCE, indicador de inflação preferido pelo Fed e divulgado separadamente pelo governo americano.
Brasil: IPCA tem maior deflação em quatro anos
No Brasil, o destaque do dia é o índice oficial de inflação. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de agosto registrou deflação de 0,32%, após alta de 0,07% em julho, segundo dados divulgados há pouco pelo IBGE. Essa foi a primeira queda mensal do índice desde agosto do ano passado, quando o IPCA havia recuado 0,11%, e também a menor variação para um mês de agosto desde 2022.
O resultado foi puxado principalmente pela tarifa de energia elétrica residencial, que caiu 7,63%, e pelo grupo Alimentação e bebidas, com recuo de 0,34%. A queda do índice veio ainda mais forte do que a esperada pelo mercado, que projetava deflação de 0,28%.
A energia elétrica residencial, sozinha, contribuiu com -0,33 ponto percentual para o resultado do IPCA. Com isso, o grupo Habitação registrou queda de 1,87% em agosto, o menor resultado para um mês de agosto desde o Plano Real, de acordo com o IBGE.
Manchetes desta manhã
- Mendonça atende Fachin e tira sigilo de investigações do Master (Valor)
- Governo aguarda auditoria de europeus na produção da carne bovina para destravar exportações (Folha)
- Nubank lança conta global e inicia operação nos Estados Unidos (Estadão)
- Petrobras não elevará preço da gasolina. Na bomba, queda pode ser de 2% (O Globo)
Mercado global tem desempenho misto à espera do CPI dos EUA
Em Nova York, os índices futuros abriram em alta nesta sexta-feira, com os investidores de olho no CPI de agosto, dado-chave para os próximos passos do Federal Reserve (Fed). No mercado de commodities, o petróleo recua mais de 2%, aliviando a pressão sobre os mercados.
As bolsas europeias também operam em alta nesta sexta-feira, mas caminham para o pior desempenho semanal desde abril, enquanto os investidores à espera dos dados de inflação dos EUA, que podem sinalizar os próximos passos do Fed.
Na véspera, o BCE elevou os juros como esperado e alertou para uma inflação mais alta, pressionada pela disparada da energia em meio ao conflito no Oriente Médio.
Na Ásia, as praças encerraram a semana em queda, pressionadas pelo petróleo, que chegou a US$ 109,97 o barril, e pelo aumento das apostas em juros elevados pelo Fed.
A piora das perspectivas para a inflação ofuscou o otimismo com semicondutores e gastos em IA. A SK Hynix caiu 3,4%, mas acumula alta de 12,7% na semana, enquanto a Samsung Electronics recuou 3,9%, mantendo ganho semanal de 5,3%.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,53%
- FTSE 100: +0,57%
- CAC 40: +0,62%
- Nikkei 225: -1,93%
- Shanghai SE Comp: -1,18%
- Hang Seng: -0,6%
- Ouro (jun): -0,12%, a US$ por 4.401,82 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,05%, aos 99,12 pontos
- Bitcoin: +1,34% a US$ 77.925,5
Commodities
- Petróleo: após a forte alta da véspera, os contratos futuros do petróleo recuam em um movimento de realização de lucros. O Brent chegou a se aproximar de US$ 108 por barril antes de perder força, enquanto a revisão para baixo na projeção da demanda global pela AIE adiciona pressão às cotações, ao indicar que os preços elevados já começam a afetar o consumo.
O Brent/novembro cai 3,60%, cotado a US$ 103,76, enquanto o WTI/outubro cede 3,22%, a US$ 99,17. - Minério de ferro: fechou em queda de 1,78% em Dalian, na China, cotado a US$ 107,03/ton.
Cenário internacional: Guerra eleva petróleo e leva diesel a recorde nos EUA
Nos Estados Unidos, o preço do diesel atingiu US$ 6 por galão nesta sexta-feira (11), pela primeira vez na história. As interrupções no fornecimento de combustíveis provocadas pelas guerras na Ucrânia e no Irã pressionam os custos de transporte e ampliam os impactos da alta da energia sobre a economia. O movimento acompanha a disparada do petróleo: os contratos futuros do WTI superaram US$ 100 por barril na quinta-feira, pela primeira vez desde maio, acumulando alta de cerca de 20% em setembro.
No Reino Unido, a atividade econômica ganhou força em julho. O PIB cresceu 0,4%, após alta de 0,3% em junho e acima da expectativa de estabilidade do mercado, segundo o Escritório Nacional de Estatística (ONS). A produção industrial também surpreendeu positivamente, com avanço de 0,2% no mês, enquanto o déficit comercial caiu para 3,45 bilhões de libras, menor saldo negativo desde janeiro.
No cenário geopolítico, o governo de Donald Trump deve anunciar na segunda-feira sanções contra um grande banco, ainda não identificado. A informação foi divulgada pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, que afirmou que a medida faz parte da estratégia de ampliar a pressão econômica sobre Teerã para encerrar o conflito entre Estados Unidos e Irã, que já dura mais de seis meses. Bessent não revelou o nome da instituição nem o país onde ela está localizada. Segundo ele, o anúncio, inicialmente previsto para esta sexta-feira, foi adiado em razão das cerimôias do 25º aniversário dos ataques de 11 de setembro de 2001.
Brasil: Petrobras recua em reajuste da gasolina em meio a subsídios e eleições
No Brasil, a Petrobras recuou do reajuste de R$ 0,19 por litro na gasolina vendida nas refinarias anunciado na noite de quarta-feira. A reversão ocorreu após a ampliação dos subsídios federais aos combustíveis pelo governo e deixou o litro do combustível R$ 0,19 mais barato nas refinarias, a menos de um mês do primeiro turno das eleições. Para o consumidor, a redução pode chegar a 2% nas bombas.
Na política, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência nas eleições de 2026, é formalmente investigado no inquérito que apura a produção do filme “Dark Horse”, sobre seu pai, Jair Bolsonaro, atualmente preso por liderar a tentativa de golpe de Estado. A decisão que o tornou alvo da investigação foi tomada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 22 de julho, a pedido da Polícia Federal.
Destaques do mercado corporativo
- Petrobras: firmou acordo de três anos com a PPSA para comercializar o gás natural da União no pré-sal, viabilizando o primeiro leilão, previsto para outubro.
- Itaú: emitiu R$ 5 bilhões em letras financeiras subordinadas, com vencimentos em 2036 e 2037, operação que deve elevar em 0,3 ponto percentual o capital nível 2.
- Caixa e Banco do Brasil: enfrentam paralisações de bancários; na Caixa, a greve é nacional e por tempo indeterminado, enquanto no BB a adesão é parcial.
- Axia: fará emissão de R$ 1,5 bilhão em debêntures, com possibilidade de chegar a R$ 2 bilhões, para refinanciamento de dívida.
- GPA: Helene Bitton renunciou ao conselho e será substituída por Yann Fourmy; Fabiana Zotini foi eleita diretora jurídica
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