Empresas de energia renovável, como parques eólicos e usinas solares, responderam por 65% dos 68 pedidos de conexão de data centers à rede elétrica brasileira registrados até dezembro de 2025. A expansão da inteligência artificial (IA) e dos serviços de nuvem aumentou a demanda por esse tipo de estrutura, segundo investigação publicada pela Mongabay e pelo The Intercept Brasil.
Em alguns momentos, porém, a rede não consegue transportar ou consumir toda a energia produzida. Nessas situações, o operador do sistema determina que algumas usinas reduzam ou interrompam temporariamente a geração.
Segundo a investigação, esses cortes custaram cerca de R$ 3,2 bilhões aos geradores no primeiro semestre de 2025. Uma usina solar chegou a ser obrigada a reduzir quase 40% de sua produção ao longo daquele ano.
A engenheira de energia renovável e ativista climática Mikaelle Farias, da Universidade Federal da Paraíba, afirmou que esse tipo de contrato permite às empresas comercializar parte da energia por longos períodos sem depender exclusivamente da venda para a rede.
Governo cria incentivo para data centers
A expansão dos centros de dados também passou a receber incentivos do governo. Em 15 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma lei que prevê isenção de tributos para a compra de equipamentos destinados a data centers, desde que sejam cumpridos critérios relacionados à eficiência no uso de água e ao uso de energia renovável ou de baixa emissão.
Em abril de 2026, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), também realizou uma mesa-redonda nos Estados Unidos para buscar investimentos estrangeiros em centros de dados considerados sustentáveis.
Expansão chega a áreas de comunidades tradicionais
A expansão dos data centers também levanta questões relacionadas ao uso do território. Segundo a investigação, pelo menos 29 municípios que possuem planos para receber centros de dados abrigam comunidades quilombolas ou indígenas que aguardam demarcação oficial.
Na Bahia, uma empresa de energia eólica solicitou conexão para nove data centers em uma área onde vive uma comunidade quilombola.
O avanço dos projetos também gera discussão sobre a destinação da energia renovável. Parte dos especialistas citados na investigação defende que a eletricidade produzida deveria atender primeiro à demanda doméstica.
O analista climático Ketan Joshi questiona a ideia de que a expansão dos data centers, por si só, represente uma forma de aproveitar melhor a energia renovável. Segundo ele, outra alternativa seria ampliar as linhas de transmissão e o armazenamento em baterias para permitir que a eletricidade chegasse a outros consumidores e substituísse fontes fósseis.
Nota de transparência: Este conteúdo contou com o auxílio de inteligência artificial na seleção e organização das informações, com base nas fontes citadas, e foi revisado por jornalistas antes da publicação.










