Os ETFs (fundos de índice negociados em Bolsa) ligados ao petróleo ganharam destaque durante o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã e seguem entre os ativos de commodities com maior potencial de retorno, segundo o internacionalista Luciano Gioielli, do Portal das Commodities.
Em entrevista exclusiva ao Monitor do Mercado, o especialista afirma que a elevada liquidez do mercado de petróleo e os frequentes desequilíbrios entre oferta e demanda tornam a commodity uma das principais candidatas para compor carteiras de investimentos por meio de ETFs. O comportamento do setor de energia é influenciado por fatores como demanda global, produção e eventos geopolíticos, o que costuma aumentar a volatilidade dos preços e criar oportunidades para investidores.
Esses fundos permitem ao investidor acompanhar o desempenho do petróleo sem a necessidade de comprar ou armazenar a commodity. Além de facilitar o acesso ao mercado, os ETFs oferecem liquidez e podem ser utilizados tanto por quem busca exposição à alta dos preços quanto por investidores que procuram proteção contra a inflação.
O especialista destaca que, durante a guerra envolvendo EUA, Israel e Irã, o destaque ficou com o ETF BIYE39, um fundo que não acompanha diretamente a cotação do petróleo, mas reúne uma cesta de ativos ligados ao setor. Entre outubro e o período de maior intensidade do conflito, o ETF acumulou valorização de 45%.
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No mesmo intervalo, empresas do setor também registraram forte desempenho. A Petrobras (PETR3; PETR4) avançou 77%, enquanto a Prio (PRIO3) proporcionou retorno equivalente a R$ 1,20 para cada R$ 1 investido. Apesar disso, Gioielli ressalta que os ETFs costumam apresentar menor volatilidade que ações individuais, já que distribuem o investimento entre diversos ativos, reduzindo oscilações mais acentuadas.
Encerrado o conflito no Oriente Médio, o mercado entra em uma nova fase. A atenção dos investidores migra dos riscos geopolíticos para os fundamentos econômicos, como resultados das empresas, inflação, produção industrial e emprego. Para Gioielli, essa transição tende a estabilizar os ativos ligados ao petróleo, criando oportunidades de compra para quem busca investir com foco no longo prazo.
Confira o movimento do ETF BIYE39 entre outubro e o pico do conflito entre EUA e Irã:

Confira a entrevista completa com Luciano Gioielli, internacionalista do Portal das Commodities
Monitor do Mercado: Quais fatores hoje pesam mais sobre o preço do petróleo: geopolítica, oferta da Opep+, demanda global ou política monetária?
Luciano Gioielli: Tudo que vai mexer no preço é oferta e demanda, regulada pela Opep. Nesse contexto, a divulgação de cortes ou aumento de produção de petróleo pelo cartel é o que faz os preços da commodity reagirem. Além disso, há os fatores geopolíticos, a questão de demanda global, produção norte-americana e até mesmo questões climáticas, como a temporada de furacões na região do Golfo do México, que podem impedir o fluxo de petróleo venezuelano.
Assim como o dólar, o petróleo é sensível a muitos fatores. Em cada momento do ano, o mercado avalia uma narrativa para definir os preços do petróleo e, nesse momento, está olhando para a narrativa da guerra.
MM: Como os ETFs de petróleo se comportaram durante a guerra em comparação com outras commodities?
LG: O ETF de petróleo teve amplo destaque durante o conflito, enquanto ETFs de outras commodities como ouro, prata, urânio, lítio e cobre, por exemplo, não tiveram grande movimentação no contexto da guerra, mas porque estão cotados em dólar e oscilaram junto com o dólar.
MM: Em quais momentos faz sentido aumentar ou reduzir a exposição ao ETF de petróleo?
LG: Geralmente o movimento de compra de petróleo acontece quando a economia global e o consumo começam a melhorar, assim como resultados da petroquímica e o desempenho no setor de transportes. Conforme há um ciclo de crescimento global, considerando o longo prazo, faz sentido ter petróleo na carteira. Da mesma forma, o petróleo deve ser retirado da carteira diante de uma previsão de recessão ou desaceleração da economia global.
Outra forma estratégica de aproveitar o momento ideal para aumentar a exposição de petróleo é realizar a compra antes de um evento catastrófico que possa mexer com a oferta, como um cenário de guerra, por exemplo.
MM: Qual a diferença entre investir em um ETF que acompanha diretamente o petróleo e outro composto por ações de empresas do setor de óleo e gás?
LG: Para o investidor que tem um perfil mais passivo na gestão de portfólio, o ETF de empresas de óleo e gás faz mais sentido que um ETF que vai acompanhar apenas o preço do petróleo (1:1), considerando o contexto de maior volatilidade e por não pagar dividendos. Seria, nesse caso, uma boa opção para fazer apostas pontuais, mas pode não dar o retorno desejado, devido às lateralizações dos ciclos sazonais, ou seja, comprar na baixa e vender na alta, antes que volte a cair.
Por outro lado, um ETF que reúne empresas do setor de óleo e gás é mais abrangente, pois não se limita apenas aos preços da commodity, mas ao valuation da empresa, de forma que a valorização tende a se manter ao longo dos anos.
MM: Quais indicadores o investidor deve observar antes de escolher um ETF de petróleo?
LG: Há uma regra de bolso com três pontos que o investidor deve observar. O primeiro é o preço do petróleo: se estiver próximo das mínimas dos últimos anos, tende a oferecer uma melhor correlação de risco-retorno. O segundo é em relação à economia global: se os Estados Unidos e a China estiverem crescendo, a demanda pelo petróleo também tende a aumentar. E o último está relacionado à Opep: se estiver cortando a produção, é um movimento que ajuda a reduzir a oferta e, diante de uma demanda estável, o preço do petróleo tende a subir.
MM: Em quais situações o ETF pode ser mais vantajoso do que investir diretamente em ações de petrolíferas?
LG: O ETF de petróleo se torna mais vantajoso quando o investidor não quer escolher ações de empresas específicas, e também quando busca diversificação, uma vez que no ETF o desempenho faz uma média das empresas, tanto as que vão bem como as que não tiveram um bom desempenho, mas com uma tendência à valorização.
O ETF também ajuda a proteger o investidor em relação a riscos de gestão, aos quais está mais exposto quando investe diretamente nas empresas do setor; isso, porque o ETF reúne as melhores empresas do setor e gerencia o grupo de ativos para entregar o melhor resultado, além de facilitar a exposição ao setor.











