O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira (6) que o plano de contingência com medidas para proteger a indústria dos impactos da tarifa dos Estados Unidos será concluído ainda hoje e enviado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para deliberação.
“Sai hoje aqui da Fazenda [o plano de contingência]. Ontem, nós tivemos uma última reunião com o presidente para detalhar o plano. Tem um relatório que ainda vai chegar do MDIC [Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços] e da Casa Civil sobre a situação de empresa por empresa, um detalhamento que o Lula pediu, mas o ato em si não depende desse detalhamento, porque é um ato mais genérico”, declarou Haddad, em entrevista na porta do Ministério da Fazenda.
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Plano terá foco em pequenas empresas
Segundo Haddad, o plano prevê medidas de apoio a empresas atingidas pela tarifa, com ênfase em linhas de crédito com juros subsidiados, principalmente para pequenas empresas que não têm alternativas de exportação além do mercado norte-americano.
“Vamos ter um plano muito detalhado para começar a atender, sobretudo aqueles que são pequenos e não têm alternativas à exportação para os Estados Unidos, que é a preocupação maior do presidente”, afirmou o ministro.
O pacote deve ser enviado ao Congresso na forma de uma Medida Provisória (MP), o que permite entrada imediata em vigor enquanto é analisado pelos parlamentares.
Haddad disse ainda que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) está preparando um relatório técnico com análise setorial e por empresa, a fim de orientar a aplicação das medidas e priorizar os setores mais afetados.
“Só na regulamentação e aplicação da lei que vamos ter que fazer uma análise mais setorial, CNPJ a CNPJ”, acrescentou.
Haddad fala em ação conjunta de oposição e empresários
O ministro defendeu uma mobilização nacional e apartidária diante das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos. Ele cobrou que até mesmo governadores da oposição e empresários ajam para reverter a sobretaxa.
“Isso tem que envolver os governadores de oposição, aqui não se trata mais de situação ou oposição, os Estados estão sendo afetados. Os governadores que têm proximidade com a extrema-direita têm que fazer valer as prerrogativas do seu mandato, não é fingir que não tem nada acontecendo, se esconder debaixo da cama e desaparecer”, declarou Haddad.
“O empresariado, além de vir para Brasília, tem que conversar com a oposição, passar a mão no telefone e ligar para a turma que quer ver o circo pegar fogo e parar com isso. Estão prejudicando o país por qual motivo?”, completou.
Ele citou também a entrevista do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), à colunista Bela Megale (O Globo), em que o parlamentar afirma não ter sido pressionado pelo agronegócio a recuar da defesa de sanções contra o Brasil nos EUA.
“A oposição está atrapalhando o país, e não sou eu que estou dizendo, é a oposição que está dizendo. Eles estão dizendo que vão atrapalhar o país. Tem uma entrevista em um jornal do líder de oposição da extrema direita brasileira dizendo que vai fazer o possível para atrapalhar o país. Se isso não é a notícia do dia, é difícil entender para onde vamos. O país precisa se unir para defender a causa nacional”, declarou.
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Agenda com o Tesouro dos EUA
Haddad informou que terá uma reunião virtual na próxima quarta-feira (13) com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, para discutir alternativas à sobretaxa.
Segundo o ministro, se o encontro for produtivo, há possibilidade de uma reunião presencial futura.
Detalhes da tarifa de 50% dos EUA
A sobretaxa de 50% sobre exportações brasileiras aos EUA foi formalizada há uma semana por ordem executiva do presidente Donald Trump. A medida soma uma nova tarifa de 40% aos 10% já anunciados em abril, totalizando 50% sobre produtos não isentos.
Entre os cerca de 4 mil produtos brasileiros exportados para os EUA, aproximadamente 700 foram isentos da nova tarifa. As exceções incluem itens considerados estratégicos para a economia americana, como:
- Aviões da Embraer
- Turbinas, pneus e motores aeronáuticos
- Suco de laranja
- Castanhas
- Celulose e insumos de madeira
- Minério de ferro e ferro-gusa
- Petróleo e equipamentos elétricos
Entretanto, produtos relevantes da pauta de exportação brasileira como café, cacau, carnes e frutas foram excluídos da lista de exceções e passam a ser tarifados em 50%. Clique aqui e veja a lista completa de produtos que estão isentos.
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Próximos passos para conter impactos da tarifa
O presidente Lula decidirá quando e como o plano será anunciado oficialmente. Nesta terça-feira (5), ele se reuniu por cerca de duas horas no Planalto com Haddad e o vice-presidente Geraldo Alckmin para discutir os ajustes finais das medidas.
Segundo reportagem da CNN, o plano pode incluir, além do crédito subsidiado, um programa de proteção ao trabalhador e compras governamentais para setores alimentícios mais atingidos pela medida norte-americana.











