O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (16) que espera o início de um ciclo de corte de juros nos próximos meses. Segundo ele, a economia brasileira deve reagir rapidamente à queda da taxa Selic.
A declaração ocorreu durante o evento J.Safra Investment Conference, do qual Haddad participou por videoconferência.
“Nós estamos com o câmbio a R$ 5,30. Isso é muito positivo. O impacto do câmbio sobre a inflação é notável no Brasil. Eu penso que nós estamos reancorando as expectativas de inflação. Acredito que vai se abrir um espaço para a queda dos juros. Não sou do Banco Central, mas tudo me leva a crer que o ciclo de corte de juros vai se iniciar em algum momento dos próximos meses”, disse Haddad.
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Expectativas para a decisão sobre os juros
Durante sua participação no evento, Haddad afirmou que não cabe ao governo decidir sobre os juros, mas reforçou sua percepção: “Não é da minha alçada, mas eu tenho a impressão de que nós vamos abrir um ciclo importante de queda de juros e eu penso que a economia vai reagir muito rapidamente, pelo que está acontecendo do ponto de vista do ambiente de negócio.”
Apesar disso, o Banco Central tem indicado que manterá o atual nível de contração monetária por um período prolongado, ou seja, manterá os juros altos para conter a inflação, medida que, consequentemente, reduz o crédito e o consumo.
O Comitê de Política Monetária (Copom), assim como outros bancos centrais globais, iniciou nesta terça-feira a reunião de política monetária para definir o patamar da taxa básica de juros, a Selic, pelos próximos 45 dias. A expectativa dos analistas é de manutenção da taxa em 15% ao ano.
No mercado de câmbio, o dólar comercial atingiu R$ 5,29. Às 11h12, registrava queda de 0,06%, cotado a R$ 5,31.
Redução dos juros deve estimular investimentos
Haddad declarou que a redução dos juros deve estimular os investimentos no país: “O apetite para investir no Brasil vai crescer e vai se manifestar com muito vigor a partir do início do ciclo de corte de juros.”
Ele também afirmou que o atual governo deve encerrar o mandato com inflação historicamente baixa: “Nós vamos terminar o mandato com a menor inflação de um mandato desde o Plano Real. Seguramente a inflação acumulada em quatro anos será pela primeira vez inferior a 20%.”
O ministro destacou ainda que o cenário inflacionário do primeiro semestre exigiu resposta firme do Banco Central, mas que vê agora perspectiva de queda de juros de forma sustentável:
“Eu acredito que, superada essa fase que nós vivemos no 1º semestre, de uma inflação que causou uma preocupação grande no presidente da República e uma reação do Banco Central, penso que nós vamos entrar numa trajetória de queda de juros com sustentabilidade.”
Segundo Haddad, a mediana das projeções de analistas de mercado indica que o primeiro corte da Selic ocorreria apenas em 28 de janeiro de 2026, na primeira reunião do Copom prevista para aquele ano.
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Estimativas para o PIB e crescimento econômico
Além de comentar o atual cenário econômico com projeções para os juros, durante o evento Haddad projetou um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) superior a 2,5% e explicou que o PIB potencial, que representa o crescimento sustentável da economia sem gerar pressões inflacionárias, deve superar a atual projeção de 2,5%.
“Eu tenho esperança de que o PIB potencial do Brasil vai superar os 2,5% estimados hoje, inclusive por organismos internacionais. O próprio FMI teve que mudar sua projeção de PIB potencial do Brasil de 1,5% para 2,5%, em função de algumas conquistas que foram estabelecidas.”
O ministro acrescentou que a média de crescimento do PIB durante o atual mandato deverá ficar próxima de 3%.











