No sul do Maranhão, às margens do Rio Tocantins, existe uma cidade que carrega o nome de uma imperatriz e a chave para um dos parques nacionais mais impressionantes do Brasil. Carolina, com cerca de 24 mil habitantes segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é a principal base de acesso ao Parque Nacional da Chapada das Mesas, unidade de conservação com 159.953 hectares criada em 12 de dezembro de 2005. Chamada de Paraíso das Águas, a região reúne 89 cachoeiras catalogadas, 22 rios perenes, mais de 400 nascentes de água cristalina e uma das tirolesas mais impressionantes do país, com 1.400 metros de comprimento despencando de 300 metros de altura.
Da homenagem à imperatriz Maria Leopoldina ao Portal das Cachoeiras
A ocupação da região começou em 1820, quando o pioneiro Elias Ferreira Barros, vindo de Belém, se fixou no local e iniciou uma povoação. Em 1823, o deputado Padre Camargo Gleury deu ao povoado o nome de Carolina, homenagem a Maria Leopoldina de Áustria, esposa de Dom Pedro I e a primeira imperatriz do Brasil, conhecida na intimidade da corte como Carolina. O povoado foi elevado à categoria de vila em 1832 e à condição de cidade em 27 de julho de 1859.
No século XIX, Carolina era uma das mais importantes rotas comerciais do norte do país, ponto estratégico da navegação do Rio Tocantins. O centro histórico preserva casarões coloniais construídos em taipa e adobe, alguns com mais de 150 anos, e a Igreja Matriz de São Pedro de Alcântara, inaugurada em 1844. Hoje, a cidade é conhecida como Pérola do Maranhão e Portal das Cachoeiras, base ideal para explorar o Polo Chapada das Mesas, que reúne 13 municípios e responde por 15% dos empregos formais do setor turístico no estado, conforme dados oficiais da Prefeitura Municipal de Carolina.

Um centro histórico pequeno, tranquilo e à beira do Tocantins
Carolina mantém a atmosfera calma de cidade do interior, com casarões preservados, comércio local, restaurantes à beira do Rio Tocantins e o ritmo tranquilo que só cidades de 24 mil habitantes conseguem oferecer. O centro histórico é pequeno e pode ser percorrido a pé em uma tarde, com destaque para a Praça Alípio Carvalho, em frente à Prefeitura, e para o canteiro central arborizado da Avenida Getúlio Vargas, com 500 metros de extensão que vão até a Catedral de São Pedro. Os finais de tarde à beira do Tocantins, com barcos, garças voando e o sol se pondo por trás das montanhas da Chapada, são um dos momentos mais especiais da cidade. Poucas ofertas de hospedagem se dividem entre pousadas charmosas do centro e hotéis modernos próximos ao rio.
Nunca foi tão fácil ficar atualizado sobre finanças, economia e investimentos. Assine gratuitamente

O que ver e fazer em Carolina
O município é o hub das atrações da Chapada das Mesas, mas o próprio Rio Tocantins e os arredores oferecem programas por si só. O roteiro ideal leva de 3 a 5 dias.
- Complexo Pedra Caída: propriedade privada de 12.000 hectares a 37 km de Carolina em direção a Estreito, totalmente por asfalto. É a atração mais visitada da Chapada. Reúne cachoeiras, cavernas, teleférico de 1.200 metros, pirâmide esotérica no alto da serra e tirolesas de 1.200 e 1.400 metros. Entrada com direito a piscinas naturais e artificiais.
- Cachoeira do Santuário: a joia do Complexo Pedra Caída. Queda de 46 metros escondida dentro de um cânion estreito, quase uma caverna. O acesso é feito por passarelas de madeira que descem até o leito do rio. A força do vento gerado pela queda é impressionante.
- Tirolesa da Pedra Caída: uma das mais altas e longas do Brasil, com 1.400 metros de extensão despencando de aproximadamente 300 metros de altura. Atinge cerca de 80 km/h.
- Cachoeiras de São Romão e da Prata: dentro do Parque Nacional da Chapada das Mesas, administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A São Romão é considerada a maior da Chapada em volume d’água, com 25 metros de queda. Acesso apenas com veículos 4×4 e guia obrigatório, a 80 km de Carolina.
- Morro do Chapéu: ponto mais alto da Chapada das Mesas, com trekking de 365 metros em rocha arenítica. Fica a 20 km de Carolina, dos quais 5 km são de estrada de terra. Vista panorâmica de tirar o fôlego e cenário místico associado a antigos rituais indígenas.
- Portal da Chapada: um dos mirantes mais fotografados da região, especialmente ao amanhecer, quando o sol nasce iluminando as formações rochosas em forma de mesa. Programa preferido dos fotógrafos de paisagem.
- Cachoeira Gêmeas do Itapecuru: par de quedas d’água dentro do município de Carolina, uma das atrações menos massificadas do polo, ideal para quem busca contato com a natureza sem estrutura de resort.
- Poço Azul e Encanto Azul: em Riachão, município vizinho a 130 km de Carolina, são poços de águas extremamente cristalinas escondidos entre paredões rochosos. Vale a pena estender o roteiro por 2 dias para conhecer.
- Passeio pelo Rio Tocantins: a barcos partem do centro de Carolina e navegam até a Pedra Encantada, formação rochosa fincada no meio do rio. Programa perfeito para o pôr do sol.
- Centro Histórico: caminhada pelos casarões coloniais dos séculos XIX e início do XX, com destaque para a Igreja Matriz de São Pedro de Alcântara e a Avenida Getúlio Vargas arborizada.
Quem quer conhecer Carolina, no Maranhão, vai curtir este vídeo do canal Por Onde INDO 🌏 Rony & Bruna, que conta com mais de 107 mil visualizações e traz uma visão sincera e independente sobre a cidade base para explorar a deslumbrante Chapada das Mesas.
Como é o clima em Carolina?
Tropical de savana, característico do Cerrado, com duas estações bem definidas. A chuvosa concentra-se entre novembro e abril, com médias mensais superiores a 170 mm (pico em março). A seca vai de maio a outubro, quando as cachoeiras têm menor volume mas as trilhas ficam mais acessíveis e os poços de água azul revelam sua transparência máxima.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar. Alguns passeios são suspensos em dias de chuva forte.
Como chegar a Carolina
De São Luís, capital do Maranhão, são aproximadamente 830 km pelas BR-135 e BR-010, cerca de 12 horas de carro. A opção mais prática para quem vem de longe é voar até o Aeroporto Renato Moreira (IMP), em Imperatriz, e completar o trajeto de 200 km por asfalto (cerca de 3 horas). Carolina possui aeroporto próprio com voos regionais operados pela Sete Linhas Aéreas três vezes por semana, o que reduz o tempo de deslocamento. De Palmas (TO), cidade também com voos regulares, o trajeto é de cerca de 400 km. Um carro alugado é essencial para percorrer os atrativos da Chapada das Mesas, e para as cachoeiras dentro do Parque Nacional é obrigatório o acompanhamento de guia credenciado e veículo 4×4.
Carolina é o coração do Cerrado maranhense pronto para ser descoberto
Uma cidade batizada em homenagem à primeira imperatriz do Brasil, com casarões coloniais preservados às margens do Rio Tocantins, portal de acesso a um parque nacional com 89 cachoeiras, 22 rios e uma das tirolesas mais altas do país, e ainda ainda pouco descoberta pelo turismo de massa. Poucos destinos brasileiros oferecem essa combinação de tranquilidade, natureza intocada e aventura num raio tão pequeno.
Você precisa reservar uma semana em Carolina, subir num barco pelo Rio Tocantins ao pôr do sol, descer a tirolesa de 1.400 metros da Pedra Caída e mergulhar na Cachoeira do Santuário para entender por que essa pérola maranhense continua sendo um dos capítulos mais bem guardados do ecoturismo brasileiro.











