A 108 km de Salvador, Feira de Santana é a segunda maior cidade da Bahia em população e a maior do interior nordestino. Apelidada de Princesa do Sertão, começou como fazenda no século XVIII, transformou-se em rota obrigatória das tropas de gado que cruzavam a estrada real de Capoeiruçu e virou palco de um evento que mudou a história cultural do Brasil. Em 1937, uma chuva torrencial interrompeu o carnaval oficial, e um grupo de jovens liderado por Maneca Ferreira resolveu retomar a festa em abril. Nascia ali a Micareta de Feira, considerada pelo portal oficial da Micareta o primeiro e maior carnaval fora de época do mundo. Hoje a festa atrai mais de um milhão de foliões e inspirou o Fortal, o Carnatal e outras micaretas espalhadas pelo país.
Da Fazenda Santana dos Olhos D’Água à Princesa do Sertão
A história de Feira de Santana começa no século XVIII, com a chegada do casal Domingos Barbosa de Araújo e Ana Brandão, que ergueram a Fazenda Santana dos Olhos D’Água e uma pequena capela dedicada a São Domingos e Santana. Ao redor da fazenda começou a se formar uma feira livre onde tropeiros trocavam gado e mercadorias, ponto de descanso obrigatório para quem cruzava a estrada real de Capoeiruçu entre o litoral e o sertão baiano.
A emancipação política aconteceu em 18 de setembro de 1833. O apelido de Princesa do Sertão veio depois, quando a cidade se firmou como o principal entreposto comercial do interior nordestino. Hoje a região abriga o Centro de Abastecimento, considerado o maior centro comercial de alimentos do Norte e Nordeste do Brasil, e o Aeroporto Governador João Durval Carneiro, a 12 km do centro.

O templo neogótico que virou santuário em 2024
Entre os prédios históricos mais fotografados da cidade, a Igreja Senhor dos Passos destoa da arquitetura barroca típica do interior baiano. Construída em estilo neogótico, é o único edifício do gênero na cidade e um dos poucos exemplos desse estilo no Nordeste. Segundo o portal iBahia, o projeto atual foi aprovado em 6 de junho de 1921 pelo arcebispo Dom Jerônimo Tomé da Silva e concluído na década de 1970.
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Os vitrais representam os doze apóstolos, e o revestimento externo utiliza argamassa misturada com vidro moído para imitar pedra. Em maio de 2024, o templo foi elevado à categoria de Santuário Arquidiocesano, tornando-se o primeiro santuário católico urbano da cidade. A subida da imagem do Senhor dos Passos na Quinta-Feira Santa reúne multidões vindas do interior baiano inteiro.

O que fazer em Feira de Santana?
A cidade combina roteiro histórico, cultura popular e grandes eventos. Vale reservar dois ou três dias para conhecer os principais pontos.
- Igreja Senhor dos Passos: santuário arquidiocesano em estilo neogótico, único da cidade, com vitrais dos doze apóstolos e revestimento em vidro moído.
- Catedral Metropolitana de Sant’Ana: origem em 1732 como capela, hoje templo principal da arquidiocese, na Praça Monsenhor Renato de Andrade Galvão.
- Mercado de Arte Popular (MAP): prédio de 1915 que foi o antigo Mercado Municipal e hoje reúne artesanato regional, restaurantes de comida baiana e apresentações musicais.
- Centro de Abastecimento: o maior centro de comércio de alimentos do Norte e Nordeste, ponto de encontro cultural e comercial.
- Museu Casa do Sertão: instituição da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), com acervo de couro, discoteca sertaneja, biblioteca de cordel com mais de 2.400 títulos.
- Parque Municipal Erivaldo Cerqueira: conhecido como Parque da Lagoa, com pista de caminhada de 450 metros, patos e marrecos.
- Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira: espaço dedicado à arte moderna e contemporânea baiana.
- Paço Municipal Maria Quitéria: sede da Prefeitura, tombada pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) em 2004.
- Feiraguay: shopping popular com centenas de lojas de produtos importados, ponto de compras conhecido em toda a Bahia.
Quem deseja descobrir uma cidade que mistura sertão e cultura, vai curtir este vídeo especialmente selecionado do canal Ei Bora, que conta com mais de 3 mil visualizações, onde apresenta a “Princesa do Sertão”, Feira de Santana, Bahia, destacando sua importância como centro cultural, a histórica Igreja Senhor dos Passos, o Observatório Astronômico Antares e a tradicional culinária nordestina.
A Micareta que inspirou o Fortal e o Carnatal
Nenhum evento marcou mais o calendário cultural de Feira de Santana do que a Micareta. Nascida em 1937 quando uma tempestade cancelou o carnaval oficial, virou o modelo do carnaval fora de época que se espalhou pelo país inteiro. Segundo o portal oficial da festa, o nome vem do francês micarême, “meio da quaresma”, e foi escolhido em concurso público na década de 1930.
O primeiro trio elétrico participou em 1954, e desde 2001 o circuito principal fica na Avenida Presidente Dutra, o Circuito Maneca Ferreira. A festa acontece entre abril e maio, com quatro dias de programação e mais de um milhão de participantes. Passaram pelo palco nomes como Ivete Sangalo, Cláudia Leite, Bell Marques, Luiz Caldas, Chiclete com Banana e Psirico. A Micareta só não foi realizada durante a Segunda Guerra Mundial e em 1964, ano do golpe militar.
Como é o clima em Feira de Santana durante o ano?
O clima é semiárido de transição, com verões quentes e secos e outono chuvoso. As chuvas se concentram entre março e junho.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Feira de Santana saindo de Salvador
De carro, o trajeto de 108 km é feito pela BR-324, uma das rodovias mais movimentadas do Nordeste. A viagem dura em torno de 1h30. Também é possível pela BR-101 ou pela BR-116, principais eixos rodoviários que passam pela cidade.
O Aeroporto Governador João Durval Carneiro recebe voos diretos de várias capitais brasileiras. Ônibus regulares partem do Terminal Rodoviário de Salvador ao longo de todo o dia, com viagens em torno de 2 horas.
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Vale a pena conhecer Feira de Santana
Poucas cidades brasileiras têm o peso cultural de Feira de Santana. É a Princesa do Sertão que inventou o carnaval fora de época, guarda o único templo neogótico do interior baiano e mantém aceso o comércio que nasceu no lombo dos tropeiros do século XVIII.
Você precisa reservar um fim de semana e sentir a cidade que virou capital cultural do sertão baiano.











