A 141 km de Belo Horizonte pela MG-260, no Centro-Oeste de Minas Gerais, uma cidade de 30 mil habitantes tem dois recordes improváveis para um município do interior. Cláudio, oficialmente reconhecida pelo Portal de Turismo de Minas Gerais como Capital Mineira dos Apelidos, publica anualmente a Apelista, lista telefônica em que os moradores aparecem pelas alcunhas em vez de nomes registrados em cartório. O hábito virou identidade tão forte que rendeu dissertação acadêmica na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com 59 entrevistas a nascidos e moradores. Ao mesmo tempo, o município abriga o maior polo de fundições e metalúrgicas da América Latina, com mais de 80 empresas do setor. A cidade também é banhada pelas águas da Usina Hidrelétrica de Cajuru, no Rio Pará, operada pela Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG), e faz parte da cultura local receber apelidos até mesmo para os visitantes.
Do “Ouro Fala” de 1758 ao Parque Industrial Paulino Prado
Os primeiros moradores da região datam de 1758, quando duas famílias portuguesas aportaram no local em busca de ouro. Os pioneiros João Ferreira Antunes e Manoel Borges Homem do Rego instalaram-se em barracas às margens de um córrego que passou a se chamar Lavapés. Com o tempo, aos primeiros habitantes foram se juntando outros, atraídos pelas notícias de fertilidade do solo e das minas auríferas do povoado chamado Ouro Fala. Segundo o portal oficial Turismo em Minas Gerais, o novo nome veio da rivalidade das famílias colonizadoras, que se entrelaçaram por matrimônio até formar a sociedade que deu origem à cidade.
Cláudio ocupa 632 km² a 832 metros de altitude e faz divisa com Divinópolis, Itaguara, Carmópolis de Minas, Carmo do Cajuru, Carmo da Mata e Itapecerica. A economia é diversificada entre indústria, agropecuária e comércio. O Parque Industrial Paulino Prado abriga cerca de 60 dessas 80 indústrias, com destaque para a produção de móveis em alumínio e peças de ferro fundido. Segundo dados oficiais da Prefeitura, o município é conhecido mundialmente como Maior Polo de Fundições e Metalúrgicas da América Latina. Nos últimos anos, a cafeicultura tem se firmado como novo eixo produtivo, aproveitando a fertilidade do solo e o clima tropical de altitude.

Da Apelista com dissertação da UFMG à sociologia claudiense
A cultura de apelidar é tão forte que, segundo o Portal de Turismo de Minas Gerais, os moradores publicam anualmente uma lista telefônica batizada de Apelista. Nela, contatos são organizados pelas alcunhas locais, e não pelos nomes de registro. Um morador conhecido como Zé do Ferro pode aparecer no lugar do seu nome oficial, o mesmo vale para dezenas de outros habitantes cujos apelidos, quase sempre, são mais reconhecidos do que a certidão de nascimento. Visitantes também recebem apelidos em suas primeiras visitas, um ritual espontâneo de pertencimento à comunidade.
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O fenômeno chamou tanta atenção que rendeu pesquisa acadêmica formal. A UFMG publicou uma dissertação que analisa o uso dos apelidos na cidade a partir da Apelista e de 59 entrevistas com nascidos e moradores. A tese descreve como o apelido substitui progressivamente o nome civil em ambientes de trabalho, festas, comércio e até em documentos informais dentro do município. Cláudio é também terra natal de Risoleta Neves, avó do ex-senador Aécio Neves, e do político Múcio Guimarães Tolentino, ex-prefeito da cidade. Os laços políticos com o clã Neves atravessam gerações.

O que fazer entre a Cachoeira do Corumbá e a Escadaria do Valongo
Cláudio combina roteiros urbanos com atrações rurais. Reserve dois dias para o essencial e um extra se quiser conhecer as fazendas centenárias com produção de cachaça artesanal.
- Cachoeira do Corumbá: queda d’água com poço gelado a 5 km do centro, próxima à antiga Usina do Corumbá.
- Escadaria José Neves de Sousa: antigo Escadão do Valongo, revitalizado com pintura do artista Saulo Pico em parceria com outros artistas claudienses.
- Museu Histórico e Artístico de Cláudio: instalado na antiga estação ferroviária, preserva objetos, fotos e documentos da memória municipal.
- Serra do Ouro Fala, Serra do Barão e Serra da Capela Velha: trilhas em pleno Cerrado preservado com flora típica.
- Cristo Redentor: monumento religioso em ponto elevado com vista panorâmica da cidade.
- Cachoeira dos Pios e Cachoeira do São Bento: quedas menos visitadas em meio à mata nativa do interior.
- Represa da Usina Hidrelétrica de Cajuru: no Rio Pará, com paisagens espelhadas e prática de pesca esportiva.
Barbatimão, pequi e o Cerrado mineiro no interior claudiense
O Cerrado claudiense guarda uma flora diversificada com espécies típicas do bioma mineiro: barbatimão, pequi, cagaiteira e araticum aparecem em toda a área rural do município. As Serras do Ouro Fala, do Barão e da Capela Velha concentram trilhas de dificuldade variada com mirantes naturais e formações rochosas típicas. A vegetação atrai aves nativas do Cerrado como o tucano-de-bico-verde e o bem-te-vi-do-cerrado, tornando a região atrativa também para observação de aves.
A Represa de Cajuru forma um espelho d’água na parte oeste do município e é ponto de encontro para pescadores esportivos e famílias em busca de piquenique com vista para o Rio Pará. As fazendas centenárias claudienses mantêm produção de cachaça artesanal, queijo Minas curado, doces em compota de figo e goiaba e rapadura, receitas herdadas de gerações. Muitas propriedades abrem portas para turismo rural com direito a colheita de café e degustação dos destilados envelhecidos em tonéis de amburana e umburana.
Móveis de alumínio, feijão tropeiro e o Centro Cultural
A economia local guarda uma peculiaridade: enquanto o polo industrial fabrica peças que abastecem o país inteiro, a cidade mantém intacta a atmosfera de interior mineiro. Nas fundições e metalúrgicas claudienses são produzidos móveis em alumínio, tampas para panelas, peças de ferro fundido e componentes automotivos. A cidade abastece supermercados, restaurantes e indústrias de todo o Brasil com utensílios domésticos e industriais. O setor emprega diretamente milhares de trabalhadores e movimenta boa parte da arrecadação municipal.
A gastronomia mineira aparece nas mesas com feijão tropeiro, frango com quiabo, tutu à mineira, galinhada e doce de leite caseiro. Nos restaurantes do centro, o café mineiro forte acompanhado de pão de queijo caseiro é servido ao longo do dia. O Centro Cultural e a Paróquia Nossa Senhora Aparecida completam o roteiro do centro histórico. A cidade também tem o Parque de Exposições, palco da tradicional festa agropecuária anual que reúne produtores, exposições de gado leiteiro e shows sertanejos que atraem visitantes de toda a região Centro-Oeste do estado.
Como é o clima e a melhor época para visitar
Cláudio tem clima tropical de altitude com verões chuvosos e invernos secos. As temperaturas variam entre 12°C no inverno e 30°C no verão. A 832 metros de altitude, as noites de inverno podem ficar frias, e a estação seca é considerada a melhor época para trilhas nas serras e visitas às fazendas centenárias da região.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar em Cláudio
De Belo Horizonte são 141 km pela MG-260 conectada à BR-262, com trajeto médio de duas horas e meia de carro. De Divinópolis, principal cidade vizinha e polo regional do Centro-Oeste mineiro, são apenas 40 km pela MG-260. O Aeroporto Internacional de Confins, na região metropolitana da capital, é a principal porta aérea próxima. Ônibus regulares partem do Terminal Rodoviário Governador Israel Pinheiro, em Belo Horizonte, e do Terminal Rodoviário de Divinópolis em direção a Cláudio, com viagens frequentes ao longo do dia. Dentro da cidade, o carro é o meio mais prático para chegar às atrações rurais das serras e cachoeiras.
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Cruze a MG-260 e conheça a Capital dos Apelidos
Cláudio guarda um pedaço raro do Centro-Oeste mineiro, onde uma lista telefônica de alcunhas convive com o maior polo de fundições da América Latina, cachoeiras escondidas no Cerrado e fazendas centenárias com cachaça artesanal. Poucos destinos combinam pesquisa acadêmica da UFMG sobre apelidos, três séculos de história desde o povoado Ouro Fala e mais de 80 indústrias que abastecem mercados do Brasil inteiro.











