A 91 km de Curitiba pela histórica Estrada da Graciosa, no litoral paranaense, uma cidade de 145.829 habitantes concentra títulos que definiram a história econômica do Brasil. Paranaguá é a cidade mais antiga do Paraná, com origem em 1648 e ocupação registrada desde 1550 na Ilha da Cotinga, quase três séculos antes da criação da própria província. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), é a cidade-mãe do estado. O Porto Dom Pedro II, inaugurado em 1935, é o segundo maior porto da América Latina em volume total de exportações e o primeiro em movimentação de grãos, além de terceiro colocado em contêineres. Do outro lado da Baía de Paranaguá, terceira maior bacia do Brasil, fica a Ilha do Mel, com 25 km de praias desertas e limite de 5 mil visitantes por dia. Foi ali que começou a ser erguida em 1767 a Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres. No centro histórico, a Igreja de São Benedito é considerada a primeira do Sul do Brasil, e o Colégio dos Jesuítas, de 1755, hoje abriga um museu com 70 mil peças arqueológicas.
Do Grande Mar Redondo dos carijós à vila fundada em 1648
Antes de qualquer colonizador europeu chegar, os Índios Carijós já ocupavam a região da baía, que chamavam de Pernaguá, Parnaguá ou Paranaguá. O nome tupi-guarani significa Grande Mar Redondo, uma tradução perfeita para a forma redonda que a Baía de Paranaguá desenha ao encontrar o oceano. Segundo divulgação do IPHAN, o povoamento europeu começou por volta de 1550 na Ilha da Cotinga, quando colonos vindos de São Vicente e Cananéia se instalaram como ponto de referência para a busca por ouro no interior.
Anos depois, Domingos Peneda liderou a chegada dos pioneiros que se instalaram em terra firme e iniciaram o comércio marítimo entre Paranaguá, o Rio de Janeiro e Santos. Em 1640, a vinda de Lara, chefe do governo militar do povoado, marcou o momento em que os portugueses transformaram a região em uma peça estratégica para conter a expansão espanhola. O distrito foi criado em 1647 e o povoado elevado a vila em 1648, título que faz de Paranaguá a cidade-mãe do Paraná. A partir de 1767, começou a ser erguida a Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres na Ilha do Mel para proteger a entrada da baía. Em 1842, a vila foi finalmente elevada à categoria de cidade.

O porto que exporta 1º em grãos e a Ilha do Mel com 5 mil visitantes por dia
O que era um pequeno porto colonial ganhou proporções gigantes no século XX. Segundo divulgação do portal oficial Turismo de Paranaguá, o Porto Dom Pedro II foi inaugurado em 1935 e mudou o perfil econômico da região. Hoje é o segundo maior porto da América Latina em volume de exportações e o primeiro em movimentação de grãos, com destaque absoluto para a soja e o farelo. Também é o terceiro maior em movimentação de contêineres do continente. Nos primeiros séculos, o porto atravessou os ciclos do ouro, da erva-mate, da madeira e do café até assumir a posição atual no comércio agrícola.
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Do outro lado da Baía de Paranaguá, a terceira maior bacia do Brasil, fica a atração natural mais famosa do Paraná: a Ilha do Mel. São 25 km de praias desertas com entrada restrita a 5 mil pessoas por dia, uma medida que preserva a paisagem intocada. A ilha fica a 15 minutos de barco de Pontal do Sul e concentra a Gruta das Encantadas, trilhas ecológicas na Mata Atlântica e a antiga Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres de 1767. O acesso é feito exclusivamente por barcos e não há carros ou motos dentro da ilha, o que garante silêncio absoluto nas praias.

O que fazer entre o Colégio dos Jesuítas e o Aquário Marinho
Paranaguá combina turismo histórico, litoral preservado e ecoturismo em um só município. Reserve pelo menos três dias para o essencial: dois para o centro histórico e o aquário, um para a Ilha do Mel.
- Ilha do Mel: 25 km de praias desertas na Baía de Paranaguá, com Gruta das Encantadas, trilhas e a antiga Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres de 1767.
- Colégio dos Jesuítas: prédio histórico de 1755 na Rua General Carneiro, hoje sede do Museu de Arqueologia e Etnologia da UFPR com 70 mil peças no acervo.
- Igreja de São Benedito: considerada a primeira igreja do Sul do Brasil, aberta diariamente das 7h às 18h.
- Aquário Marinho de Paranaguá: maior aquário do Sul do país, com espécies do litoral paranaense e da Mata Atlântica.
- Igreja da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas: construção do século XVIII em estilo barroco com pequeno cemitério dedicado a crianças e sacerdotes.
- Santuário Estadual de Nossa Senhora do Rocio: templo dedicado à padroeira do Estado do Paraná, ponto de peregrinação anual.
- Passeio de barco pela Baía dos Golfinhos: partindo da Praça 29 de Julho, com visita às ilhas Cotinga, Peças e Superagui.
Quem quer conhecer Paranaguá (PR), a cidade mais antiga do Paraná, vai curtir este vídeo do canal Me Leva Viajar, que conta com mais de 62 mil visualizações. O vlog faz um passeio completo pelo centro histórico e áreas culturais da cidade “mãe” do estado.
O casario colonial da Rua da Praia e o museu de 70 mil peças
O centro histórico de Paranaguá é um dos mais preservados do Sul do Brasil. Estende-se ao longo do Rio Itiberê, com casarões coloridos que abrigam museus, espaços culturais e comércio. A Rua da Praia concentra a maior parte do conjunto colonial, com influência clara da cultura açoriana que predominou entre os primeiros colonizadores. Um novo cais de pedra foi construído no século XIX em frente à Casa de Câmara e Cadeia, o que possibilitou a expansão urbana em direção à atual Rua General Carneiro. Foi ali que se instalou o Colégio dos Jesuítas, prédio histórico de 1755.
Hoje, o mesmo prédio abriga desde 1962 o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade Federal do Paraná (MAE). O acervo é composto por cerca de 70 mil peças e artefatos coletados em pesquisas arqueológicas e etnográficas, incluindo objetos dos antigos sambaquis, monumentos pré-históricos que datam de milhares de anos e retratam os caminhos coloniais do litoral. A Praça 29 de Julho, próxima ao rio, é o ponto de partida para os passeios de barco pela Baía dos Golfinhos, que revelam o Porto Dom Pedro II, mangues, canais, pescadores locais e diversas espécies de aves. A Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá, com 110 km, é considerada uma das mais bonitas do Brasil e liga a capital paranaense ao litoral por viadutos, túneis e pontes.
Como é o clima e a melhor época para visitar
Paranaguá tem clima subtropical úmido, com temperaturas médias entre 12°C nas madrugadas de julho e 32°C nas tardes de janeiro. O período mais chuvoso vai de janeiro a março, quando a média mensal de precipitação pode ultrapassar 200 mm. A estação seca ocorre entre junho e agosto, ideal para caminhadas pelo centro histórico e passeios de barco pela baía.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Para chegar de Curitiba, os 91 km são cobertos pela BR-277 em uma hora e vinte minutos, mas o trajeto mais bonito é pela histórica Estrada da Graciosa, que desce a Serra do Mar em curvas cercadas de Mata Atlântica. A Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá oferece um dos passeios mais espetaculares do Brasil com 110 km de viadutos, túneis e pontes até Morretes. O Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, é a porta aérea mais próxima. Ônibus rodoviários com saídas frequentes conectam a Rodoferroviária de Curitiba a Paranaguá.
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Desça a Graciosa e conheça a cidade-mãe do Paraná
Paranaguá guarda um pedaço raro do Sul do Brasil, onde o casario colonial açoriano convive com o maior porto graneleiro da América Latina, a primeira igreja do Sul do país e uma ilha com apenas 5 mil visitantes por dia. Poucos destinos combinam a Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres de 1767, um museu com 70 mil peças arqueológicas no antigo Colégio dos Jesuítas e a estrada de ferro histórica que corta a Mata Atlântica da Serra do Mar.











