A 220 km de Belém, no Nordeste Paraense, a cidade litorânea de Salinópolis — conhecida como Salinas — tem sua origem ligada a uma torre de vigia construída em 1656 por ordem de André Vidal de Negreiros, visando prevenir naufrágios na costa paraense. O nome Salinas surgiu devido às salinas presentes na região, sendo alterado para Salinópolis em 1943 por imposição da legislação federal. Atualmente, a cidade é o principal destino de veraneio do Pará, recebendo cerca de 900 mil visitantes por ano, conforme dados da ALEPA. O município abriga a Praia do Atalaia, com 6 km de extensão, e o histórico Farol de Salinópolis, inaugurado em 1852 e tombado pelo Departamento de Patrimônio do Estado do Pará desde 1994.
Da atalaia de 1656 à mudança de nome em 1943
A história de Salinópolis é uma das mais peculiares do litoral brasileiro. Segundo divulgação do portal oficial da Prefeitura Municipal de Salinópolis, o povoado nasceu de uma decisão administrativa portuguesa. Em 1656, o Capitão-General André Vidal de Negreiros, então governador dos estados do Maranhão e Pará, incumbiu o Capitão-Mor Feliciano Correa de construir uma atalaia, torre de vigia usada em Portugal e nas colônias para observar movimentos marítimos. O objetivo era duplo: sinalizar a rota da Barra de Belém por meio de tiros de canhão e prevenir os frequentes naufrágios que ocorriam nos recifes da costa paraense. A estrutura foi implantada em uma ponta saliente de terra em uma ilha contígua à Baía de Virianduba. Ao redor da atalaia, cresceu naturalmente um povoado que ganhou o nome de Salinas por causa da salina explorada no litoral desde os tempos coloniais. A fundação oficial da vila é atribuída a Francisco Gonçalves Ribeiro, que obteve auxílio financeiro do governo para construir uma igreja e manteve as despesas do vigário da comunidade.
A trajetória administrativa foi cheia de reviravoltas. A localidade foi elevada à categoria de vila em 2 de novembro de 1882, pela Lei Provincial nº 1.081, desmembrada do município de Maracanã (então chamado Cintra), e instalada em 1884. Em 22 de outubro de 1901, a vila foi elevada à condição de cidade e sede municipal pela Lei Estadual nº 797. Em 1930, o município foi extinto e seu território foi novamente anexado a Maracanã até 1933, quando conquistou a emancipação política definitiva. Em 1943, por causa da legislação federal que proibia a duplicidade de nomes de cidades no Brasil, Salinas passou a se chamar Salinópolis, topônimo de origem portuguesa que significa cidade de Salinas. Os habitantes ganharam o gentílico salinopolitano ou salinense. Hoje, a cidade completou 124 anos de fundação em 22 de outubro de 2025, mantendo raízes na função original de vigília do litoral paraense.

O Farol de 1852 e os 6 km de Praia do Atalaia
A principal herança histórica da vocação marítima da cidade é o Farol de Salinópolis. Segundo divulgação do portal Assembleia Legislativa do Pará (ALEPA), o farol original foi inaugurado em 1852, com base na antiga atalaia de 1656 que deu origem à cidade. A torre metálica atual é de 1937, e o conjunto foi tombado pelo Departamento de Patrimônio do Estado do Pará em 1994 como patrimônio histórico. A Praia do Farol Velho, junto ao monumento, é a alternativa mais tranquila da região, ideal para famílias com crianças, com águas mornas e ambiente reservado. Ali é possível ver ruínas do antigo farol, com vista panorâmica para o mar aberto.
Nunca foi tão fácil ficar atualizado sobre finanças, economia e investimentos. Assine gratuitamente
A Praia do Atalaia, a 15 km do centro urbano, é o principal cartão-postal contemporâneo de Salinópolis. Tem 6 km de extensão e a faixa de areia é tão larga na maré baixa que permite o trânsito de veículos e o estacionamento na areia. É palco de shows de bandas nacionais no verão, prática de surfe, windsurf, sandboard nas dunas e passeios de buggy. Uma peculiaridade natural marca a paisagem: em meio às Dunas do Atalaia se formou o Lago da Coca-Cola, uma lagoa de água doce cuja coloração escura, causada por alta concentração de minerais, remete ao refrigerante e batizou o local. A tradição local é rolar duna abaixo e cair no lago. Juntas, a Praia do Atalaia e a Praia do Farol Velho formam um trecho contínuo de cerca de 20 km de litoral.

O que fazer entre o Lago da Coca-Cola e o Maçarico
Salinópolis combina praias oceânicas, dunas, lagoas de água doce, ilhas e patrimônio histórico em roteiros compactos. Reserve pelo menos quatro dias para o essencial e um extra para incluir as ilhas ao redor.
- Praia do Atalaia: 6 km de extensão a 15 km do centro, com dunas móveis, faixa de areia para veículos e barracas com música ao vivo.
- Lago da Coca-Cola: lagoa de água doce entre as Dunas do Atalaia, com coloração escura e tradição de sandboard.
- Praia do Farol Velho: vizinha da Atalaia, mais tranquila, com ruínas do antigo farol e ambiente familiar.
- Farol de Salinópolis: torre inaugurada em 1852 e tombada em 1994, símbolo da vocação marítima do município.
- Orla do Maçarico: calçadão urbano de quase 2 km com quiosques, ciclovia e vida noturna, na foz do Rio Arapepó.
- Vila de Cuiarana: distrito com praias desertas, ideal para quem busca sossego, com paisagens preservadas da Amazônia Atlântica.
- Aqualand Salinópolis: maior parque aquático do Norte do Brasil, atração de dia inteiro para famílias com crianças.
Este vídeo do canal Noz Viajando, com 55 mil visualizações, apresenta um roteiro detalhado por Salinópolis (PA) e região, destacando suas particularidades, como a possibilidade de dirigir na areia e as variações das marés.
As ilhas paradisíacas e a COP30 em Belém
Salinópolis ganhou destaque internacional recente com a realização da COP30 em Belém, entre 10 e 21 de novembro de 2025, evento da Organização das Nações Unidas (ONU) que reuniu cerca de 40 mil participantes de todo o mundo em torno das discussões sobre mudanças climáticas. Segundo divulgação da Prefeitura Municipal de Salinópolis, a cidade se posicionou como principal roteiro complementar da conferência, oferecendo aos visitantes suas praias, dunas e o contraste entre manguezais e oceano típico da Amazônia Atlântica. A rede hoteleira e a infraestrutura turística receberam investimentos significativos nos anos anteriores, com destaque para a nova Orla Beira-Mar, entregue pelo Governo do Estado do Pará na região do Maçarico.
As ilhas ao redor de Salinópolis são o próximo capítulo turístico do município. A Ilha do Marco abriga a Praia Marieta, acessível apenas por barco, com beleza praticamente intocada, águas calmas e paisagens de tirar o fôlego. A Ilha de Itaranajá guarda a Praia de Maria Baixinha, cenário de mangues, rios e igarapés típicos da Amazônia. A Ilha do Buraco completa o trio principal. A Praia da Ponta do Espadarte, também acessível por barco, oferece o cenário raro do encontro do Rio Arapepó com o Oceano Atlântico. A Praia da Corvina, com ondas tranquilas, é ideal para famílias e prática de esportes aquáticos. Complementam o roteiro a Capela de São Pedro, marco religioso local, e a fonte de água mineral de Caranã, gratuita e apreciada por moradores e turistas.
Como é o clima e a melhor época para visitar
Salinópolis tem clima tropical úmido, típico do Nordeste Paraense. As temperaturas variam entre 22°C nas madrugadas e 32°C nas tardes durante todo o ano, com pouca variação estacional. As chuvas são intensas entre janeiro e junho, com médias mensais que ultrapassam 500 mm em março, e a estação seca vai de agosto a novembro, quando as praias ficam mais limpas e a paisagem se revela com mais nitidez. O melhor período para o veraneio tradicional é entre julho (férias escolares) e dezembro (festas de fim de ano). A temperatura da água do mar fica em torno de 27°C ao longo do ano. As tábuas de marés são consultadas obrigatoriamente para o acesso às piscinas naturais que se formam na Praia do Atalaia.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Para chegar a Salinópolis, os 220 km desde Belém são cobertos pela BR-316 e pela PA-324, com trajeto médio de três horas e meia. O Aeroporto Internacional Val de Cans, em Belém, é a porta aérea internacional mais próxima. Salinópolis tem Aeroporto Regional próprio (voos executivos e pequenas linhas domésticas). Ônibus rodoviários com saídas diárias fazem a conexão entre Belém e o litoral do Nordeste Paraense. Dentro do município, buggys, quadriciclos, aplicativos de transporte e a curta distância entre as praias facilitam o deslocamento.
Leia também: Um Aquário Encantado de 6 metros e águas cristalinas fazem deste destino o Bonito de Mato Grosso
Cruze o Nordeste Paraense e conheça a Capital do Veraneio
Salinópolis guarda um pedaço raro do Norte do Brasil, onde 369 anos de história convivem com a atalaia de 1656 do Capitão-General André Vidal de Negreiros, o Farol de 1852 tombado em 1994 e 900 mil visitantes por ano em busca das praias oceânicas. Poucos destinos combinam o Lago da Coca-Cola entre as dunas, os 6 km da Praia do Atalaia, o cultivo pioneiro de ostras trazido de Santa Catarina, o maior parque aquático do Norte do Brasil e o cenário natural da Amazônia Atlântica que atraiu os holofotes da COP30.











